Que antecede a ruína dos impérios.
As ruas estão vazias,
Mas o coração ainda pulsa,
E é por esse último pulso
Que o mundo decide adiar o colapso.
Pense em mim como o frio que visita a cidade
Antes do grande desfecho.
Tudo perece — menos o desejo.
É ele quem, teimoso, ilumina o apocalipse
Com um resto de esperança.
Pense em mim como o eclipse do amor,
Quando o céu se parte e o tempo falha.
As janelas se trancam, os passos cessam,
Mas um perfume insiste na madrugada,
Como se até o fim do mundo precisasse ser amado.
Pense em mim como o último inverno,
Aquele que os profetas esqueceram de anunciar.
As ruas vazias testemunham a queda das eras,
E, ainda assim, o calor da tua lembrança
Faz o cataclismo tremer.
Pense em mim como o apocalipse das flores,
Que murcham sem drama,
Mas perfumam o abismo.
Pois mesmo quando tudo termina,
O amor exige um cenário digno.
Pense em mim como a noite que devora o sol,
Não por ódio, mas por saudade.
E quando a luz desaparecer,
Tu saberás: há fins que só acontecem
Porque alguém amou demais.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense













