É um sol que incide sem piedade
Sobre as penumbras do meu saber;
E quando tento argumentar,
Descubro-me réu de uma ignorância
Que eu mesmo nunca soube nomear.
Porque há desconhecimentos que dormem
Como pedras submersas,
Não fazem barulho, mas afundam almas.
E tua lucidez, essa lâmina,
Persuade-me sem ameaças:
Não sou quem imagino saber que sou.
Há quem tema o erro,
Eu temo o desconhecer.
Pois o erro ainda é filho do saber,
Enquanto o desconhecer é o abismo
Onde o pensamento não chega
E a vaidade se esconde.
E no íntimo silêncio do intelecto,
Onde até o orgulho se cala,
O que me convence não é a retórica,
Nem a eloquência,
Mas a simples e feroz verdade
De que nada sei do que penso saber.
Assim, a tua consciência ilumina
O meu inconsciente.
E se há persuasão em ti,
É porque não disputas vitória,
Disputas clareza.
E a clareza vence tudo — até a soberba.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense












