O escritor sente o mundo em demasia,
Carrega em si dores que não são suas,
Ouve o pranto oculto em noites nuas,
E escreve o peso que ninguém diria.
Na alma guarda a amarga travessia
De ver feridas cruas, sempre abertas,
E entre sombras densas, frias e desertas,
Transforma em verso a dor que o guia.
Cada palavra é lágrima contida,
Cada silêncio, um grito disfarçado,
Cada linha, um pedaço de partida.
Mesmo assim persiste, condenado
A dar à dor do mundo alguma vida,
Fazendo do sofrer seu fado alado.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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