quarta-feira, 15 de abril de 2026

Cada palavra é lágrima

O escritor sente o mundo em demasia, 
Carrega em si dores que não são suas, 
Ouve o pranto oculto em noites nuas, 
E escreve o peso que ninguém diria. 
 
Na alma guarda a amarga travessia 
De ver feridas cruas, sempre abertas, 
E entre sombras densas, frias e desertas, 
Transforma em verso a dor que o guia. 
 
Cada palavra é lágrima contida, 
Cada silêncio, um grito disfarçado, 
Cada linha, um pedaço de partida. 
 
Mesmo assim persiste, condenado 
A dar à dor do mundo alguma vida, 
Fazendo do sofrer seu fado alado. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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