sexta-feira, 29 de maio de 2026

Acredito nos jovens que pensam

Nas salas iluminadas por telas inquietas, 
Vejo adolescentes caminhando em círculos, 
Carregando bandeiras que não costuraram, 
Repetindo palavras que não lhes pertencem, 
Como ecos perdidos em corredores vazios. 

Sentam-se lado a lado, mas habitam continentes, 
Separados por fronteiras invisíveis, 
Erguidas por doutrinas embaladas em certezas, 
Por manuais que dispensam perguntas, 
Por respostas entregues antes da dúvida nascer. 

Alguns confundem opinião com identidade, 
E transformam discordâncias em abismos, 
Como se toda diferença fosse ameaça, 
Como se o mundo coubesse inteiro 
Dentro de um único espelho rachado. 

Enquanto isso, a juventude desmorona devagar, 
Não sob o peso das tempestades reais, 
Mas sob o peso das ideias herdadas, 
Que ocupam cada espaço da alma 
E deixam pouco lugar para a descoberta. 

Mesmo assim, acredito nas pontes possíveis, 
Na conversa que desafia os muros, 
Na pergunta que rompe com os dogmas, 
E no jovem que aprende a pensar sozinho, 
Fazendo da liberdade sua própria voz. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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