segunda-feira, 25 de maio de 2026

Cacerense - A Fera da Fronteira

Na fronteira onde o vento atravessa o Pantanal, 
Há um rugido escondido entre ruas antigas, 
Um clarão azul e branco cortando o entardecer, 
Como se a própria cidade vestisse esperança 
Para enfrentar a poeira dos dias difíceis. 

O Cacerense nasce do coração das margens, 
Do calor que sobe da terra rachada, 
Dos meninos correndo atrás da bola ao pôr do sol, 
Dos sonhos pequenos que insistem em crescer 
Mesmo longe dos olhos do país inteiro. 

Quando a Fera da Fronteira entra em campo, 
O estádio parece respirar junto da cidade, 
As arquibancadas carregam vozes antigas, 
E o Rio Paraguai escuta em silêncio 
O eco das bandeiras agitadas ao vento. 

Há times feitos de cifras e vitrines, 
Mas existem clubes feitos de memória, 
Costurados pela mão simples do povo, 
Pelos vendedores na porta do estádio 
E pelos domingos gravados na infância. 

Torcer aqui nunca foi moda passageira, 
É um pacto silencioso de pertencimento, 
Uma fidelidade que resiste às derrotas, 
Porque amar um clube do interior 
É acreditar mesmo quando tudo escurece. 

O azul da camisa guarda cicatrizes antigas, 
Histórias contadas nas esquinas de Cáceres, 
Dias de glória atravessando gerações, 
Como brasas escondidas sob a cinza 
Esperando o instante de voltar a incendiar. 

Enquanto houver alguém cantando nas arquibancadas, 
A Fera jamais desaparecerá da fronteira, 
Porque certos clubes se tornam eternos 
Quando passam a morar dentro das pessoas 
Como parte viva da alma de uma cidade. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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