sábado, 30 de maio de 2026

Entre a luz e o abismo

Na caverna, o jovem observava as sombras 
Como quem observa um destino já escrito. 
Ao seu redor, muitos chamavam de verdade 
Aquilo que apenas passava diante dos olhos. 
Ele foi o primeiro a desconfiar da escuridão. 

Quando encontrou a luz, não sentiu conforto. 
A claridade revelou feridas, dúvidas e limites. 
Mesmo assim, continuou caminhando. 
Preferiu a inquietação do conhecimento 
À tranquilidade das ilusões. 

Do alto, contemplou um mundo mais vasto 
Do que tudo aquilo que lhe haviam ensinado. 
Compreendeu que a verdade não é uma posse, 
Mas uma busca interminável 
Que transforma quem a procura. 

Então voltou seus passos para o abismo. 
Diante das portas do inferno de Dante, 
Não buscava glória nem redenção. 
Desejava apenas compreender 
O que existe nas profundezas da alma humana. 

Ao atravessar sombras e chamas, 
Descobriu que a luz e a escuridão 
 Habitam o mesmo coração. 
E seguiu adiante, 
Carregando dentro de si uma pequena chama, 
Suficiente para iluminar 
O caminho dos que ainda procuram. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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