Não seja quando os olhos se fecharem,
Mas quando o coração desistir
De acreditar que o amanhã
Ainda pode florescer.
Enquanto houver um fio de esperança,
Um sorriso que resista à dor,
Um abraço que aqueça o inverno da alma,
Os sonhos continuarão respirando,
Mesmo em silêncio.
Chegará um dia em que os passos
Serão mais lentos que as lembranças.
Nesse instante, os sonhos já não pedirão
Estradas longas,
Mas apenas a paz de terem sido sinceros.
Quem viveu sonhando com bondade,
Plantando amor por onde passou,
Descobrirá que nenhum sonho morre.
Transforma-se em memória,
Em saudade,
Em herança para quem fica.
Quando chegar o último momento,
Não lamentemos os sonhos que não alcançamos.
Celebremos aqueles que nos fizeram caminhar,
Pois a verdadeira grandeza de um sonho
Não está apenas em realizá-lo,
Mas em tornar mais belo o caminho da vida.
No fim, talvez Deus nos pergunte
Não quantos sonhos realizamos,
Mas quanto amor colocamos em cada um deles.
E, então, compreenderemos
Que o último momento para sonhar
É, na verdade,
O primeiro instante da eternidade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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