sexta-feira, 31 de julho de 2026

A noite chega sem respostas

A noite chega sem respostas, 
E o teto escuro não revela sentido algum. 
O último pensamento permanece acordado, 
Como quem observa um caminho vazio 
E percebe que ninguém o traçou. 

Entre o que fui e o que serei, 
Há um silêncio que não se explica. 
Nenhum destino escreve meu nome, 
Nenhuma estrela conhece meus passos; 
Sou eu quem inventa a direção. 

O quarto parece maior na madrugada, 
Como se a liberdade abrisse suas paredes. 
E junto dela vem a vertigem: 
A de saber que cada escolha 
Abandona mil vidas possíveis. 

O último pensamento da noite pergunta: 
O que farei com este breve intervalo? 
Não com a eternidade, que não possuo, 
Mas com estas horas contadas 
Que chamam a si mesmas de vida. 

Então o sono se aproxima lentamente. 
Não como resposta, mas como pausa. 
E eu adormeço entre dúvidas e coragem, 
Carregando a tarefa inevitável 
De criar sentido ao despertar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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