E o teto escuro não revela sentido algum.
O último pensamento permanece acordado,
Como quem observa um caminho vazio
E percebe que ninguém o traçou.
Entre o que fui e o que serei,
Há um silêncio que não se explica.
Nenhum destino escreve meu nome,
Nenhuma estrela conhece meus passos;
Sou eu quem inventa a direção.
O quarto parece maior na madrugada,
Como se a liberdade abrisse suas paredes.
E junto dela vem a vertigem:
A de saber que cada escolha
Abandona mil vidas possíveis.
O último pensamento da noite pergunta:
O que farei com este breve intervalo?
Não com a eternidade, que não possuo,
Mas com estas horas contadas
Que chamam a si mesmas de vida.
Então o sono se aproxima lentamente.
Não como resposta, mas como pausa.
E eu adormeço entre dúvidas e coragem,
Carregando a tarefa inevitável
De criar sentido ao despertar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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