quinta-feira, 9 de julho de 2026

O amor também é revelação

Em seus braços, lentamente me desdobrei, 
Como um bilhete escondido entre páginas amareladas, 
Guardado do tempo e dos olhos apressados. 
Cada abraço seu desfazia uma dobra antiga, 
Cada silêncio seu traduzia uma palavra esquecida. 
Eu me abria sem ruído, sem resistência, 
Como quem finalmente encontra o lugar onde repousar. 

Havia em seu toque a paciência dos que compreendem, 
Não a pressa de quem deseja possuir. 
Você leu minhas entrelinhas com cuidado, 
As manchas deixadas pelas chuvas da vida, 
Os versos incompletos que eu nunca terminei. 
E aquilo que eu julgava confuso e indecifrável 
Ganhou sentido sob a luz tranquila do seu afeto. 

Então percebi que o amor também é revelação, 
Não de segredos extraordinários, mas do que somos. 
Em seus braços, deixei de ser papel dobrado, 
Deixei de esconder minhas frágeis verdades. 
Tornei-me palavra entregue, presença inteira, 
Um texto que já não temia ser lido, 
Uma carta que finalmente chegou ao destino. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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