quarta-feira, 29 de julho de 2026

O último refúgio

 Ainda existe um lugar onde o silêncio respira, 
Onde nenhuma voz interrompe o pensamento, 
Onde os olhos caminham sem desvios impostos, 
E a imaginação não precisa pedir licença. 
Esse lugar, por enquanto, ainda é um livro. 
 
Lá, as páginas não disputam nossa atenção, 
Nem prometem milagres em poucas prestações. 
Elas apenas se abrem, discretas, 
Esperando que o leitor encontre 
Aquilo que sempre procurou dentro de si. 
 
Do lado de fora, o mundo ergue vitrines infinitas, 
Cada tela transformada em um balcão de desejos. 
Tudo parece ter um preço, 
Menos a emoção que nasce 
Quando uma palavra toca a alma. 
 
Um livro não vende urgências, 
Oferece permanências. 
Não nos convence a consumir, 
Mas nos convida a compreender 
O mistério de existir. 
 
Que nunca desapareça esse último refúgio, 
Onde o pensamento ainda é soberano, 
A liberdade continua impressa em papel, 
E cada página recorda ao homem 
Que há riquezas impossíveis de anunciar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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