sexta-feira, 10 de julho de 2026

Inteiro diante da imensidão

Eu me levanto antes da aurora e caminho entre os campos da existência. 
Não trago espada, nem coroa, nem estandarte. 
Trago apenas o coração que sobreviveu às derrotas, 
A memória daqueles que partiram, 
E a coragem de continuar quando ninguém anuncia a vitória. 

Não vejo mais você, mas não amaldiçoo a distância. 
Ela também pertence ao grande mapa da vida. 
As montanhas conhecem a separação das nuvens, 
Os rios conhecem o abandono das nascentes, 
E ainda assim todos seguem em direção ao mar que os espera. 

Eu canto os homens e as mulheres que aprenderam a perder. 
Canto os que enterraram sonhos e semearam esperança sobre a terra revolvida. 
Canto os que atravessaram desertos sem promessas, 
Os que fizeram do silêncio uma oficina para a alma, 
E transformaram as cicatrizes em testemunhas da própria grandeza. 

Que o tempo venha com seus invernos e suas tempestades. 
Que os dias retirem de mim aquilo que jamais me pertenceu. 
Não renunciarei ao espanto diante do céu, 
Nem ao desejo de abraçar o mundo inteiro 
Como um viajante que reconhece em cada rosto um irmão. 

Assim avanço, sem pedir que o passado retorne. 
Cada passo é um hino oferecido à existência. 
Se um dia meu nome desaparecer entre as poeiras do caminho, 
Que permaneça ao menos esta certeza: 
Vivi caminhando, vivi cantando, vivi inteiro diante da imensidão. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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