quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Quando minha jornada terminar

 Nem todo homem suporta ver outro homem livre. 
Há quem prefira a sombra familiar da multidão. 
Mas não cabe a mim corrigir seus caminhos. 
Cada um carrega o peso das próprias escolhas. 
A serenidade nasce dessa compreensão. 
 
O rebanho condena aquilo que não compreende. 
Hoje é a dúvida; amanhã será outra coisa. 
O julgamento alheio muda como o vento. 
Por isso, não construo minha morada nele. 
Procuro firmar-me apenas no que controlo. 
 
Pensar por mim mesmo não é um ato de rebeldia. 
É apenas um dever para com a razão. 
Se a verdade me contradiz, eu a sigo. 
Se a multidão me contradiz, eu a examino. 
Nenhuma voz está acima do discernimento. 
 
A solidão não é uma inimiga inevitável. 
Às vezes, ela é a companheira da reflexão. 
Melhor caminhar só em direção ao que julgo correto 
Do que seguir muitos por um caminho equivocado. 
O número não transforma erro em virtude. 
 
Quando minha jornada terminar, pouco importará 
Quantos concordaram ou discordaram de mim. 
Importará apenas se vivi segundo minha consciência, 
Se preservei a integridade do meu espírito 
E se permaneci fiel àquilo que a razão revelou. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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