Há quem prefira a sombra familiar da multidão.
Mas não cabe a mim corrigir seus caminhos.
Cada um carrega o peso das próprias escolhas.
A serenidade nasce dessa compreensão.
O rebanho condena aquilo que não compreende.
Hoje é a dúvida; amanhã será outra coisa.
O julgamento alheio muda como o vento.
Por isso, não construo minha morada nele.
Procuro firmar-me apenas no que controlo.
Pensar por mim mesmo não é um ato de rebeldia.
É apenas um dever para com a razão.
Se a verdade me contradiz, eu a sigo.
Se a multidão me contradiz, eu a examino.
Nenhuma voz está acima do discernimento.
A solidão não é uma inimiga inevitável.
Às vezes, ela é a companheira da reflexão.
Melhor caminhar só em direção ao que julgo correto
Do que seguir muitos por um caminho equivocado.
O número não transforma erro em virtude.
Quando minha jornada terminar, pouco importará
Quantos concordaram ou discordaram de mim.
Importará apenas se vivi segundo minha consciência,
Se preservei a integridade do meu espírito
E se permaneci fiel àquilo que a razão revelou.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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