quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Ninguém sangra por mim

 A vida me chama com urgência, 
Como um sino que ecoa no vazio da noite. 
Não há ensaio, não há retorno, 
Apenas este instante que se desfaz 
Como fumaça entre as mãos. 
 
Ninguém sangra por mim, 
Ninguém respira em meu peito, 
Ninguém caminha minhas veredas. 
Sou eu quem deve beber o fel e o vinho, 
Sou eu quem deve dançar no abismo 
Ou silenciar diante dele. 
 
Viver intensamente é aceitar o risco, 
É abraçar a ferida e o êxtase, 
É queimar sem medo da cinza. 
A vida é única, cruel em sua brevidade, 
Implacável em sua verdade. 
Ou a devoras com fome insaciável, 
Ou serás devorado pelo tédio que apodrece. 
 
E quando o fim chegar, 
Não haverá desculpas, 
Não haverá testemunhas, 
Apenas o eco daquilo que ousaste viver 
Ou daquilo que deixaste escapar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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