Um relâmpago sem forma,
Ecoando no vazio anterior à linguagem.
Então nasceu a disciplina,
Não como muro, mas como espelho,
Onde o caos aprendeu a reconhecer seu próprio rosto.
Pensar é construir geometrias dentro da névoa.
Cada conceito, um corredor;
Cada dúvida, uma porta entreaberta.
O intelecto avança tateando as paredes do invisível,
Sabendo que toda clareza é apenas
A sombra bem ordenada de uma escuridão mais funda.
A disciplina intelectual é o fio de Ariadne
Que impede a mente de perder-se
No labirinto de si mesma.
Ela não suprime o mistério,
Apenas lhe dá contorno,
Para que o indizível possa respirar.
Há uma constelação secreta no pensamento rigoroso,
Ideias orbitam como astros em gravitação silenciosa,
Mantidas por uma força que é metade razão, metade fé.
O verdadeiro ato de pensar é
Aceitar que a mente é um espelho frágil
Onde o universo se contempla por instantes,
Antes de estilhaçar-se novamente
Em mil perguntas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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