sexta-feira, 9 de outubro de 2026

O labirinto e o espelho

 No princípio, o pensamento era vertigem. 
Um relâmpago sem forma, 
Ecoando no vazio anterior à linguagem. 
Então nasceu a disciplina, 
Não como muro, mas como espelho, 
Onde o caos aprendeu a reconhecer seu próprio rosto. 
 
Pensar é construir geometrias dentro da névoa. 
Cada conceito, um corredor; 
Cada dúvida, uma porta entreaberta. 
O intelecto avança tateando as paredes do invisível, 
Sabendo que toda clareza é apenas 
A sombra bem ordenada de uma escuridão mais funda. 
 
A disciplina intelectual é o fio de Ariadne 
Que impede a mente de perder-se 
No labirinto de si mesma. 
Ela não suprime o mistério, 
Apenas lhe dá contorno, 
Para que o indizível possa respirar. 
 
Há uma constelação secreta no pensamento rigoroso, 
Ideias orbitam como astros em gravitação silenciosa, 
Mantidas por uma força que é metade razão, metade fé. 
 
O verdadeiro ato de pensar é 
Aceitar que a mente é um espelho frágil 
Onde o universo se contempla por instantes, 
Antes de estilhaçar-se novamente 
Em mil perguntas. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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