Nem a viagem que começa quando o abro.
O que pode é levar meus olhos para longe,
Mesmo que meus pés permaneçam no chão,
Pode me apresentar mundos inexistentes,
Personagens que vivem apenas nas palavras,
E ainda assim fazer meu coração acreditar.
Um livro não pode me negar perguntas,
Nem o silêncio que nasce entre suas páginas.
O que pode é despertar memórias adormecidas,
Dar voz ao que eu nunca consegui dizer,
Ser companhia nas horas de solidão,
Ensinar-me que algumas respostas são caminhos,
E que algumas perguntas são necessárias.
Um livro não pode me negar a liberdade,
Porque imaginar também é uma forma de existir.
Suas palavras terminam, mas o pensamento continua,
E quando retorno às mesmas páginas,
Descubro que a história também mudou em mim,
Pois não é apenas o livro que leio,
É a pessoa que me torno depois da leitura.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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