terça-feira, 25 de agosto de 2026

Eu vi os sinais

 Meu maior pecado não foi te amar, 
Foi ignorar a voz que em mim gritava, 
Um sussurro lúcido, quase a me salvar, 
Enquanto teu encanto me enlaçava, 
E eu, voluntário, ao erro me entregava. 
 
A razão, austera, batia em meu peito, 
Como quem conhece o fim da estrada, 
Mas teu olhar, tão belo e imperfeito, 
Fez da ilusão uma verdade dourada, 
E da prudência, uma porta fechada. 
 
Eu vi os sinais, não posso negar, 
Nas entrelinhas frias desse tropeço, 
Mas preferi o risco de me afogar 
Ao tédio seguro de um não começo, 
E fiz do caos o meu próprio endereço. 
 
Tem culpas que ardem mais que a ausência, 
Pois nascem da escolha de não ouvir, 
Traí minha própria consciência 
Por um amor que não quis existir, 
E me perdi onde quis me iludir. 
 
Agora caminho entre os restos de mim, 
Com a razão, enfim, ao meu lado, 
Ela não grita, apenas diz “sim” 
Ao que poderia ter sido evitado, 
E ao homem que fui, já quase apagado. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário