Foi ignorar a voz que em mim gritava,
Um sussurro lúcido, quase a me salvar,
Enquanto teu encanto me enlaçava,
E eu, voluntário, ao erro me entregava.
A razão, austera, batia em meu peito,
Como quem conhece o fim da estrada,
Mas teu olhar, tão belo e imperfeito,
Fez da ilusão uma verdade dourada,
E da prudência, uma porta fechada.
Eu vi os sinais, não posso negar,
Nas entrelinhas frias desse tropeço,
Mas preferi o risco de me afogar
Ao tédio seguro de um não começo,
E fiz do caos o meu próprio endereço.
Tem culpas que ardem mais que a ausência,
Pois nascem da escolha de não ouvir,
Traí minha própria consciência
Por um amor que não quis existir,
E me perdi onde quis me iludir.
Agora caminho entre os restos de mim,
Com a razão, enfim, ao meu lado,
Ela não grita, apenas diz “sim”
Ao que poderia ter sido evitado,
E ao homem que fui, já quase apagado.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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