Como um bilhete escondido entre páginas amareladas,
Guardado do tempo e dos olhos apressados.
Cada abraço seu desfazia uma dobra antiga,
Cada silêncio seu traduzia uma palavra esquecida.
Eu me abria sem ruído, sem resistência,
Como quem finalmente encontra o lugar onde repousar.
Havia em seu toque a paciência dos que compreendem,
Não a pressa de quem deseja possuir.
Você leu minhas entrelinhas com cuidado,
As manchas deixadas pelas chuvas da vida,
Os versos incompletos que eu nunca terminei.
E aquilo que eu julgava confuso e indecifrável
Ganhou sentido sob a luz tranquila do seu afeto.
Então percebi que o amor também é revelação,
Não de segredos extraordinários, mas do que somos.
Em seus braços, deixei de ser papel dobrado,
Deixei de esconder minhas frágeis verdades.
Tornei-me palavra entregue, presença inteira,
Um texto que já não temia ser lido,
Uma carta que finalmente chegou ao destino.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense




















