No fundo do peito,
Há cavernas onde o silêncio sangra,
E cada desejo oculto
É uma lâmina embainhada em sombras.
São rios escuros que correm sob a pele,
Arrastando segredos como corpos submersos,
Sussurros que o coração enterra
Para não ser devorado pelo próprio fogo.
Ardem como tochas proibidas,
Consumindo a carne em segredo,
Feridas que não fecham,
Ecoando como tambores na noite.
Às vezes surgem em sonhos,
Fantasmas de tudo o que não foi vivido,
Abismos que se abrem atrás dos olhos
E chamam pelo salto.
Mas o peito cala, porque sabe:
Se o mundo visse tais desejos,
Recuaria com medo.
E assim o coração, em sua escuridão,
Carrega seu fardo ardente,
Como um altar secreto
Alimentado por sangue e silêncio.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














