Um gesto suave, quase imperceptível,
Como quem teme ferir a delicadeza do instante.
Te escrevo em silêncio, com o coração atento,
Para não quebrar a doçura do que sinto por você.
És presença que não se impõe, mas floresce,
Como luz mansa atravessando a manhã.
Em ti há um sossego que me desarma,
Uma ternura que me atravessa inteiro,
Como se amar fosse apenas repousar em ti.
Meu poema não grita, ele sussurra teu nome,
Entre pausas, suspiros e breves eternidades.
Cada verso é um toque que não se vê,
Mas se sente como um arrepio leve,
Daqueles que o coração guarda em segredo.
Se te ofereço palavras, é porque não sei mais,
Como conter o que em mim se transforma.
Tu és o motivo quieto da minha entrega,
A razão pela qual o amor se fez simples,
E ainda assim, profundamente infinito.
Se um dia este poema se desfizer no tempo,
Que reste ao menos o eco do que te dei.
Um amor sem peso, sem pressa, sem ruído,
Feito para existir como brisa na tua alma,
E permanecer, mesmo quando eu me for.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














