quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

A árvore está viva



As árvores que falavam 
Pelos ventos 
Na luta constante 
Folhas contra folhas 
Folhas grandes e pequenas 
Sol e chuva não as alegravam. 
Eram folhas cansadas 
De ouvir o ronco triste do motor 
Que as devoravam. 
Lá está mais um tronco 
Exposto ao relento 
Mas, em meu coração 
A árvore está viva 
Só os fantasmas aparecem 
Nas curvas da solidão 
De uma plantação 
Em terras desertas 
Sem árvores 
Sem vida. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

As máscaras da melancolia


Deixo-me flutuar os sonhos mais intensos 
Como se estivesse a navegar as nuvens 
Carregadas pelos ventos gélidos do sul. 
O sol castigante do meio-dia torra-me a mente 
Na solidão de uma árvore seca 
No deserto escaldante da minha jornada. 
Choro lágrimas sentidas 
De um sonho que não se realizou 
De um amor que não me quis. 
Na alma triste a vagar 
Pelas estradas verdejantes e sombrias 
Só queria mesmo era ser feliz. 
Aquele sorriso era a força da minha alegria 
E seus olhos o que mais desejava 
Para iluminar minhas manhãs. 
Tudo não passou de uma ilusão 
Que feriu meu coração 
Com as agruras desta vida. 
São as máscaras da melancolia 
Que sufocam meu rosto cansado 
De amar sem ser amado. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Perguntas sem respostas


Elas são assim 
Tristemente sentidas e opostas 
Não me traz alívio a dor do meu peito 
Quando quero saber. 
Perguntas sem respostas 
Frases sem sentidos 
Lágrimas sem razão 
De um coração que está a sofrer. 
Seus olhos distantes de mim 
E eu pergunto: Por quê? 
O que os levaram para tão longe 
E deixou no lugar apenas um vazio enorme 
De uma lembrança sentida? 
Passo horas perguntando a razão 
Que os afastaram de mim 
E não encontro uma resposta 
Que possa acalmar meu coração. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Você é real em mim


Sinto uma fragrância suave 
Invadir minhas narinas 
E chegar ao coração. 
Sua presença tão desejada 
Chega de mansinho perto de mim. 
Quantas noites sonhei 
Com sua chegada 
Para por fim a minha saudade. 
Meu coração bate acelerado 
No ritmo da felicidade em ver 
Seus olhos brilharem. 
O amor dilacera minhas forças 
E jogo-me em seus braços 
E já não me sufoca aquela saudade. 
Você é real em mim 
Sua presença é a força que me faz caminhar 
E o amor que tenho por você 
É sublime como as ondas do mar. 
Que bom que você veio. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Vou ver a sombra que você se tornou


Nunca foi o que eu pensei 
E nem era o que sempre acreditei. 
Fui enganado de forma sutil 
E talvez até tenha desejado isso mesmo. 
Por mais que imaginasse outra coisa 
Que ouvissem as histórias 
Eu sempre desejei 
Ver além das linhas imaginárias 
Dos meus próprios pensamentos. 
No entanto, tudo não passou de um sonho 
Tão terrível como um pesadelo 
Nas noites quentes de verão 
Onde não consigo dormir direito. 
O vento até sussurrava em meus ouvidos 
Uma canção tão nefasta como a ventania 
Da qual eu nem fazia questão de ouvir 
Para não acordar dos meus sonhos. 
Quando procurei acalmar 
Meus sentimentos 
Vi a silhueta ao longe tomar vulto 
E então pude notar a sua presença tão nítida 
Como uma sombra ao meio dia. 
Vou ver a sombra que você se tornou 
Desaparecer com a luz brilhante do sol 
Ao chegar diante de mim o amor 
Que ilumina minha alma, 
Até então, 
Perdida. 
Vejo o esplendor do novo alvorecer 
E o sorriso de alegria 
Que mudou a minha vida. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

As estrelas são testemunhas


Há um silêncio lá fora e faz frio 
Eu quero me aquecer em seus braços 
Busco-te 
Na imensidão dos meus pensamentos 
E você está nas nuvens 
Deve estar sonhando o sonho dos anjos. 
Mas você também é um anjo 
E está tão bela nos meus pensamentos 
Quando fecho os olhos para te ver. 
Quero beijar sua face suavemente 
Para não te acordar. 
No céu as estrelas são testemunhas 
Do sentimento do meu coração... 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

E esse foi o fim



Foi até sem pensar 
E eu assassinei quem amava 
Não chorei nem um pouco 
Sem dor meu coração estava 

Num gesto sagrado de amor 
O sangue que dela jorrava 
Na terra úmida se escondeu 
E os pássaros de longe cantava 

A sede da terra acalmou 
A tristeza que dela anelava 
E lá onde jaz o seu corpo 
Uma ave ao longe regurgitava 

E cresceu junto com o capim 
Uma flor que o vento agitava 
Seus lindos cabelos negros 
Agora já não mais balançava 

E esse foi o fim 
De um amor que eu desejava 
No entardecer triste 
Que minha alma sufocava. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Vestida com o manto do amor



Eu amo você! 
Sinto isso no meu coração 
E até respirar é difícil sem você. 
Minha alma te buscava nas noites frias 
E eu voava os espaços do pensamento 
E imaginava onde você pudesse estar. 
E você estava ali 
Por tanto tempo te desejei 
Que minha alma te trouxesse para perto de mim 
E eu amei você 
Desde o primeiro dia que vi o seu olhar. 
Eu sabia que quando chegasse 
Vestida com o manto de amor 
Eu sentiria o perfume dessa flor 
E saberia que tinha te encontrado. 
A espera terminou no dia 
Em que você sorriu para mim 
E seu sorriso tão lindo 
Contagiou meu coração. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Pedi um amor que tivesse os seus olhos


Ao te ver pela primeira vez 
Eu senti no meu coração que era você. 
Senti que você estava presente em mim 
Nos meus sonhos. 
Eu procurava você e nas minhas orações 
Eu pedia um amor que tivesse os seus olhos. 
E quando os vi eu tive certeza 
Eram os olhos que havia pedido a Deus. 
Pedi um amor 
Um alguém que me fizesse feliz 
Que trouxesse paz para o meu coração 
Que me fizesse sorrir 
E colocasse em meus lábios uma canção. 
Eu busquei-te por muito tempo 
Quase perdi a esperança de que não a encontraria 
Mas, no horizonte da alma você surgiu 
Linda, como uma meiga flor de primavera 
E sorriu para mim. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

No topo da montanha


Nunca deixe 
Que roubem os seus sonhos. 
Acredite que é possível 
Alcançar o topo da montanha 
Por mais que digam o contrário. 
Mesmo que os ventos soprem fortes 
E te faça perder as esperanças. 
Não desanime. 
Continue sua caminhada 
E você chegará ao topo da montanha. 
E quando isso acontecer você verá 
Que valeu a pena porque você terá 
Uma visão majestosa 
Das campinas a sua volta. 
Acredite sempre. 

Poeta: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Porque saudade é abraçar o vazio


Essa saudade tão profunda 
Que esmaga o coração solitário 
É tão cruel como um dia cinzento e frio. 
Saudade daquele olhar 
E do sorriso tão meigo que se foi. 
Saudade da terra querida 
Que não pode ser pisada outra vez. 
Tudo é tão deserto longe de você 
Longe do brilho das estrelas. 
A dor é profunda 
Como a imensidão do oceano 
Porque saudade é abraçar o vazio 
É chorar sem ser percebido 
É sentir o coração apertado 
Sem saber a razão. 
Saudade que clama 
Na escuridão de uma sala vazia 
No alvorecer de uma nova manhã. 
Lágrimas de uma solidão 
Que não pode mais ser vencida 
Porque não resta mais esperança 
No olhar do adeus! 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Há um sorriso em mim




Em meio aos desastres acontecendo no mundo 
As lamurias de alguns infelizes 
E lamentos de outros 
Há um sorriso em mim. 
Uma alegria que transborda no meu coração 
E transforma os meus dias. 
A paz que procurei durante muito tempo 
E não conseguia encontrar 
Hoje faz parte da minha vida 
E a sinto tomar conta do meu coração. 
Nada neste mundo pode satisfazer 
O vazio existencial que existe em nós. 
Apenas a paz do Criador 
Daquele que nos fez para a eternidade 
É capaz de preencher esse grande abismo. 
Caminhei como ébrio 
Cambaleante e sem direção 
Até encontrar Jesus Cristo 
Com seus braços abertos para mim. 
- Filho! Disse ele – entregue-me suas dores 
E te darei um fardo leve! 
Há um sorriso em mim 
Porque há uma paz em meu coração 
Um amor que transborda 
E ultrapassa todos os limites. 
Há um sorriso em mim 
Porque sei em quem tenho crido 
E posso caminhar em paz 
Sabendo que o Senhor cuida de mim 
Com amor eterno! 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Ignorante razão



Quisera eu ser livre 
Como pássaros no céu a voar 
E não mais em você pensar 
O que faz meu pensamento 
Alcançar distantes horizontes. 
Olhos sarcásticos 
Burburinhos noturnos 
Como os sóis de Netuno. 
Fala suavemente aos meus ouvidos 
Palavras que não posso ouvir 
Cicatrizes de um coração ferido 
Que ignora a razão. 
Oh dama vagabunda 
Que chora nas madrugadas 
Flor espartana 
Que perpassa sua espada 
No meu coração 
Enquanto tento ver o brilho do sol 
Que não brilha para mim. 
Não existe perdão 
Quando não se tem mais razão 
Para continuar na ilusão. 
Por isso deixo-me cair no sono 
E cubro-me com os lençóis da ignorância. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Paraíso dos demônios


Na miséria de uma vida sem sentido 
Perambulam pelas calçadas 
Não sabem o ar que respiram 
E nem os olhos a abrir. 
Do brilho das estrelas 
Choram sob o sol escaldante. 
Mulas sem cabeças 
Pensamentos a voarem pelo vento 
No silêncio de uma madrugada fria. 
Eterna solidão de uma vida 
Que vive na ignorância do tempo. 
Vejo um mundo invisível 
Onde as almas vagueiam em prantos 
Paraíso de demônios 
Cercado de anjos sem asas. 
Vidas caóticas e evasivas 
De pensamentos mórbidos. 
Não se pode fazer quase nada 
Se não vejo a pluma da liberdade. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Fragmentos de uma ilusão



Eu caminhava pela rua deserta 
Sentia o vento tocar o meu rosto 
Mas, não via ninguém naquela jornada 
Nem vi os pássaros que voavam sob as nuvens. 
Meus passos eram lentos 
Pensamentos passavam a minha mente 
E olhares não me incomodavam nem um pouco 
Nem os sorrisos. 
Tudo era tão falso 
Tão hipócrita como a liberdade de um criminoso 
No meu coração a lembrança 
De um olhar agora desfeito como a neve sob a luz do sol. 
Nem adianta chorar, pensei comigo mesmo, 
Nem lamentar a falsa ilusão 
Na qual deixei-me ser envolto 
Em uma tarde qualquer. 
Pode contar os meus passos 
Eles não são trôpegos como sempre foram 
Meus olhos não conseguem ver o horizonte 
Que foi desfeito pela primavera que eu nem vi. 
Ouço gritos tão distantes 
Que parecem clamar pela minha liberdade 
E eu nem percebo suas mãos acariciando meus cabelos 
E ofuscando meus pensamentos turvos. 
Lágrimas de uma despedida que nem aconteceu 
Na profundidade de uma vida sem sentido 
Foi o que restou de um amor que parecia existir 
Mas, que não passava de fragmentos de uma ilusão. 
Cale-se para sempre e tape os ouvidos 
Feche os olhos e ouça apenas o silêncio 
Deixe-se corroer pela dor do esquecimento 
Porque isso é o melhor a ser feito nesta hora silenciosa. 
Agora eu olho para a rua deserta outra vez 
E não sei se estou sonhando 
Tudo me parece tão estranho como a aurora ofuscada 
De um dia triste de inverno. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense