Em linhas sonoras que ninguém vê,
Fios de silêncio costuram o impossível,
Enquanto a poeira inventa eternidades.
O passado se arrasta entre sombras,
Os sonhos perdidos murmuram baixinho,
E o velho poeta apenas observa.
Há sapatos que caminham sem passos,
Cartas que sangram palavras não ditas,
Um relógio que esqueceu de morrer,
E lembranças flutuando no escuro.
Tudo se desordena, tudo respira,
Como se o universo, cansado de ser,
Desaprendesse a própria existência.
O velho poeta não toca em nada,
Conhece a linguagem secreta das ruínas.
Sabe que a vida também mora no avesso,
Onde o caos dança sem música,
Onde o invisível floresce em silêncio.
E sorri, enquanto a noite se inclina:
Existe poesia até naquilo que perdemos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














