domingo, 5 de dezembro de 2021

Como uma chuva

Hoje o dia está tão sereno 
Procuro o seu olhar em meio aos ventos 
Ventos que sussurram nas árvores 
Não sinto o seu sorriso 
E como ele me faz falta 
Sinto que o dia passa devagar. 
A saudade é muita! 
E por que sentimos saudades? 
Pelo pouco que convivemos 
Saudade do que foi bom e marcou 
Sua chegada foi tão marcante que é inesquecível! 
Foi como uma chuva forte depois de meses sem chuvas... 
O cheiro de terra molhada é semelhante ao seu perfume 
Não é possível deixar de pensar em você! 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

No infinito das recordações

Era como se a tristeza andasse entre as flores 
Quando caminhávamos silenciosamente 
No jardim da existência na imaginação 
De quem sonhava demais... 
 
Ninguém parecia ouvir as canções 
As mesmas que foram criadas na imaginação 
Nos pensamentos de quem não conseguia esquecer 
O sentimento que ardia no peito... 
 
Não havia palavras que pudesse descrever 
O sentimento tão profundo no olhar 
Que poderia entregar o coração 
No infinito das recordações... 
 
O sol queimava-lhe o olhar 
Diante da beleza imensurável 
De uma vida tão singela e irradiante 
Que penetrava os mais profundos segredos... 
 
As mãos que seguiam as primeiras chuvas 
Agora jazem encostadas nas janelas 
Parecem esperar o surgir de um novo dia 
Onde o amor pode ser mais simples do que outrora... 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Esquecer não vai mudar nada

A lembrança que fere a alma 
Como uma faca bem afiada a sangrar o coração 
E as lágrimas que teimam em rolar 
Nas madrugadas de solidão 
Na tentativa de esquecer o que passou 
Como se isso fosse possível á razão. 
 
Nada do que foi será outra vez 
E, no coração magoado, só resta o sentimento 
Que faz as lembranças derem doloridas 
E não poderem ser tiradas do pensamento 
E tudo não passa de uma triste ilusão 
Que perpetuou no encontro de olhar do momento. 
 
Esquecer não vai mudar nada 
Nunca foi possível esquecer um grande amor 
O que resta é sufocar as lembranças 
Tentar tirar do coração toda essa dor 
Olhar para frente e seguir firme a jornada 
Porque no fundo da alma tu és um sonhador. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

Na doçura do teu sorriso

Meu coração estava tranquilo e em paz 
Até ver o paraíso em uma visão; 
Uma sensação tão profunda e fugaz 
Tomou conta do meu pobre coração. 

 Eu viajei na doçura do teu sorriso 
Tão lindo como uma tarde de verão; 
De alguma forma deixou-me indeciso 
Ao nascer em mim uma grande paixão. 

 Deixo essa sensação tomar conta de mim 
Se é o amor que docemente me apraz; 
Não vi outra forma de me livrar no fim 
De um amor que nem o tempo desfaz. 

 É tão sedutor o seu lindo sorriso 
Que ameniza a saudade do coração; 
Ao olhar fico tal como Narciso 
Preso totalmente nesta louca emoção. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

O vale dos esquecidos

A caminhada é solitária 
Não se ouve nem uma voz de incentivo pelo caminho 
Apenas olhares furtivos e assustadores 
Que penetram a alma dos exilados 
Cancelados pela sociedade 
Execrados por serem diferentes. 
Monstros de uma era que se diz civilizada 
Apedrejados 
Caluniados como aberrações 
Como se todos os outros fossem perfeitos 
No vale dos esquecidos eles andam 
Não querem ser vistos 
Não podem ser vistos 
Apenas precisam viver 
E não podem viver 
Sem serem julgados pelos bons 
Pelos conservadores 
De uma moral tão hipócrita 
Como os seus defensores. 
São esses que vivem a margem da sociedade 
No vale dos esquecidos estão 
E não podem mais sonhar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Sozinho

O único medo que pode existir 
Que causa pavor 
Estremece a alma 
É o medo da solidão que apavora 
Que muitos tentam evitar 
Mas que não conseguem 
Porque está dentro de cada um. 
Existem pessoas que não dá conta 
Não podem explicar a sensação 
De estar sozinho. 
Ando pela cidade e vejo os olhares 
O medo estampado nas faces 
O desespero nas almas inquietas 
Que não conhecem o seu destino. 
Por mais que queira 
Eu não consigo me adaptar 
Não faz sentido 
Esse caminho que essa gente segue 
Não é o caminho que vou trilhar 
E pode me execrar por isso 
Nada importa mais do que a liberdade 
O sossego de uma vida tranquila 
Onde posso lutar com meus monstros 
E vencer a minha própria solidão 
Nunca estarei sozinho 
Porque esse medo não existe em mim. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Invisibilidade

Quem sou eu em meio a multidão 
Um cidadão que não existe 
Na sociedade da exclusão 
Se não existo para o Estado 
Quem sou eu então 
Apenas uma escória da sociedade 
Hipócrita, ladrão 
Que rouba a nossa identidade 
E a invisibilidade faz parte da nação. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 28 de novembro de 2021

Que eu saiba

Que o Senhor possa cuidar da minha vida 
E que eu não venha cair nas armadilhas 
De um mundo corrompido 
Pela busca desenfreada 
Pelas riquezas materiais. 
Que eu possa ser cheio da graça de Deus 
Que sempre esteja contente com o que tenho 
E que faça a obra de Deus 
Com zelo e dedicação. 
Que eu saiba cuidar do espírito, 
Da alma e do corpo 
E zelar pela sã doutrina de Cristo! 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 27 de novembro de 2021

O cavaleiro, a morte e o demônio

O cavalgar lento agora do equino contrasta com sua fúria de minutos atrás 
E possibilita ver algumas flores entre as rochas das montanhas 
O caminho é íngreme e traiçoeiro 
E pode sentir ainda na nuca o bafo quente da sua perseguidora 
Silenciosamente ela sorri entre as sombras 
Deixando transparecer que ela sabe exatamente em qual encruzilhada 
Ele chegará em seu destino final. 
Em seu ombro um pequeno ser crava suas garras cada vez mais forte 
E sussurra palavras em seus ouvidos: 
"Você não é nada, diz o pequeno gênio com voz embargada, 
Não passa de mais uma marionete nas mãos dos poderosos" 
"Você acreditou nas palavras de um imbecil 
E acreditou mesmo que pudesse chegar ao paraíso por isso?: 
"Tolos! Todos vocês são tolos em acreditar nessas coisas" 
Em sua memória vem o olhar de sua linda esposa 
Deixada sozinha a mais de dez anos 
Enquanto ele saia para conquistar bravamente a sua liberdade 
A espada ainda jorra o sangue 
E não consegue dormir por causa dos gritos de horrores 
Das vidas que tirou ao fio da espada. 
Seu cavalo parece ler seus pensamentos 
E pode ver, em meio a escuridão, a foice brilhar 
Nas mãos daquela que está sempre a acompanhá-los. 
Em sua perseverante perseguição 
Ela espreita em cada folha das poucas árvores existentes 
Está atrás das grandes pedras 
E voa com as nuvens que cobrem a luz da lua. 
"Você abandonou a sua esposa e nem sabia que ela estava grávida, 
O demônio sussurra em seus ouvidos e suas palavras são como adagas afiadas 
Cravam seu coração e o sangra. 
"Se realmente fiz isso, pensa consigo mesmo, mereço a morte mais horrível 
Entrego-me a você que espreita-me pelo caminho". 
Nunca a viu sorrir, mas sabe que ela está triunfante 
Sua hora chegou e lamenta não saber ter feito as escolhas certas 
Poderia ter sido feliz ao lado de sua donzela 
Quem sabe teria visto as crianças correrem pelo cercado 
Teria vivido uma vida simples em uma pequena cabana nas montanhas 
Mas preferiu a ambição da conquista militar 
Afinal era um cavaleiro precisava ter honra. 
Sente um vento frio percorrer a sua espinha 
Quando ouve o som impetuoso de uma flecha que rompe o silêncio 
Apenas sente a sua ponta afiada penetrar sua armadura 
Em fração de segundos toda sua vida passa diante de seus olhos 
O demônio bate as suas asas e se distancia dele 
Enquanto a morte sorri levemente sabendo que venceu mais uma vez 
Seus olhos se fecham lentamente e agora só resta um silêncio mortal. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

Horas silenciosas


Era sempre a mesma história 
A mesma tentativa de ludibriar a alma inquieta 
Procurar refúgio no silêncio 
E apagar das memórias as tristes lembranças 
Que nem mesmo o tempo conseguia dissolver. 
 
Tudo é tão estranho agora 
Até mesmo o silêncio é perturbador 
Como se não houvesse mais o futuro 
E nem esperança de dias radiantes 
Porque no horizonte não se vê nada mais. 
 
Houve um tempo que não se esquece 
De horas e horas silenciosas 
Onde podia se ouvir a chuva caindo no telhado 
E junto aos trovões bradavam a voz 
Do sentimento que nunca percebera. 
 
Não se corre atrás das folhas 
Quando são levadas pelo vento 
Nem se pode parar o riacho com a força da mente 
Se soubesse desses detalhes 
Poderia ter ouvido a voz do coração. 
 
No infinito que se depara agora 
Tudo é tão fosco que não se vê nenhum olhar 
Nem pode sentir as mãos macias 
Que acariciavam os seus cabelos 
Na noite eterna do tempo que passou. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Eu te conheci quando mais precisava

    Meu amor... 
 
    Eu quero apenas que sinta o aroma do melhor alimento para sua alma. Quero que deixes descansar em meus braços toda a sua dúvida e permita-me amar os seus olhos. Quando os vejo, eu sinto em meu coração a melodia do amor. Eles transmitem a mim a esperança de vida. Eu amo cada segundo em que os vejo brilhar. Mesmo que você queira negar com as palavras, seus olhos revelam o seu coração. Isso é bom porque me faz acreditar no sonho do amor verdadeiro. Me faz crer que posso ser feliz sim e que a felicidade existe em você. 
 
    Eu te conheci quando mais precisava de uma pessoa com suas qualidades. E, com o passar do tempo vou aprendendo a te amar com mais intensidade. Suas palavras sempre tão coerentes me faz pensar sobre a minha vida e mudar minhas atitudes. Quero sempre poder contar com o seu apoio que é fundamental em minha vida. 
 
    Eu poderia, aqui, falar do seu sorriso, do seu encanto quanto olha para mim, da sua alegria e das suas dores. Mas, não vou dizer porque, às vezes, as palavras não conseguem traduzir fielmente as verdades que precisam ser ditas. Mas, em todos os momentos você é incrível. Até mesmo quando está zangada. Em seu gesto de carinho revela-se um amor que não posso explicar em palavras. Por isso, deixo apenas o coração falar por mim mesmo. Dentro dele mora um sentimento puro e verdadeiro que quero deixar só para você. Obrigado por dar luz e esperança à minha vida! Te amo muito! 
 
Para Cleonice Godoi com muito amor e carinho. 
 
Carta: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 24 de novembro de 2021

Não se pode matar as palavras


Tentou matar as palavras 
Queria mesmo sepultá-las no mais profundo que pudesse 
Rasgar as folhas e soltá-las pelo vento 
Afogá-las em suas lágrimas 
Riscar do mapa toda e qualquer lembrança 
Simplesmente que elas não mais existissem... 
 
Triste solidão deste ser humano 
Será que não sabe que as palavras são imortais? 
Não se pode matar as palavras 
Elas existem antes mesmo de existirem 
Na imaginação de quem escreve 
E elas permanecem para sempre 
Em folhas amarelas 
Rasgadas pelo tempo 
Rabiscadas 
E lá estão as palavras 
Que tentaram assassinar pela fúria da desilusão... 
 
Não se pode matar as palavras 
Que agora formam esta mensagem poética 
Que atravessa o tempo 
Descortina a imensidão 
E vai parar direto no seu coração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 23 de novembro de 2021

Você ainda acredita no amor?

Navego nuvens e ondas perfeitas na imaginação 
Longe de olhares turvos 
Indecisões que atrapalham a vida inteira 
Decepções na alma que sente o vazio existencial 
E não tem nenhuma resposta plausível 
Nem mesmo esperança de encontrar paz no futuro.
 
Você ainda acredita no amor 
Quando você olha para as pessoas a sua volta? 
Quando você se depara com mãos trêmulas estendidas 
E pode ver o mais profundo olhar de incerteza?
 
Você ainda acredita no amor 
Mesmo quando percebe que não pode fazer nada 
Que mude a sensação de frustração nos indivíduos 
Que perambulam pelas ruas frenéticas das grandes cidades? 
Onde está o olhar de compaixão 
A mão estendida para o mais fraco da sociedade? 
Haverá um dia diferente na existência humana 
Onde alguém poderá cantar uma canção de amor 
Que realmente faça sentido aos ouvidos dos sofredores?
 
Permita-me dizer-lhe o que penso 
Questionar a minha própria existência 
Porque não quero ser apenas um sino que tine 
Nem o lampejo da inspiração que se esvai com o tempo.
 
Não faça nada se você não quiser fazer 
Porque você não é um escravo do destino 
É apenas mais uma alma que navega os mares da eternidade 
Na busca incessante para respostas que nunca existirão.
 
Tudo isso não passa de conjecturas 
Falácias de um tempo tão confuso como um dia de neblina 
Porque se você pensa que é tão bom 
Então responda a pergunta inquietante 
Você ainda acredita no amor? 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Faz de conta...

Um leve sorriso no canto da boca 
Que pode ser visto também no olhar 
Como se fosse a promessa da primavera 
Nas noites lindas de luar. 
 
Sabia que o coração não podia resistir 
Nem mesmo deixaria de sonhar 
E por mais que havia prometido a si mesmo 
Sabia que não poderia o desejo dominar. 
 
Tudo agora estava envolvido 
No lindo olhar que não podia esquecer 
Nem que tentasse um faz de conta 
Não saberia longe dela agora viver. 
 
 Se há amor por onde ela passa 
Sabe que deseja para sempre lembrar 
Os olhos meigos e o sorriso singelo 
Que o fizeram loucamente se apaixonar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 21 de novembro de 2021

Depois dos corações, as pedras

Um olhar no princípio despretensioso 
O rubor bucólico na face 
A timidez do momento 
Na beleza do luar 
E um amor que nasce no coração... 

 Há corações feridos pelo caminho 
Saudades que não passam 
Asas que não voam mais 
De pássaros que estão pelo chão 
Junto as pedras silenciosas. 

 Fale-me de sua dor tão profunda 
Que agora vejo nesse olhar 
Depois dos corações, as pedras 
Que clamam pelo jardim 
Na solidão de uma singela lembrança. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense