domingo, 18 de outubro de 2026

Domesticar o caos

 Tudo o que se espera já pertence ao abismo. 
O tempo não concede, apenas adia. 
E enquanto adia, nos obriga a inventar sentido 
Para que o vazio não nos engula vivos. 
O poeta descobre cedo demais 
Que imaginar não é luxo, é defesa. 
Pois o real é sempre insuficiente 
Para quem percebe demais. 
 
Há um momento em que o olhar pensa, 
E ao pensar, se condena. 
Porque ver é assumir o peso da existência, 
E pensar o que se vê é tocar o limite do ser. 
Na espera, o desejo se torna pergunta: 
“Por que algo ao invés de nada?” 
E cada resposta nasce falha, 
Como se o pensamento soubesse 
Que não há justificativa para existir, 
Apenas hábito. 
 
O limite da imaginação não é o impossível, 
Mas a consciência. 
Pois a consciência quer forma, 
Enquanto o mundo é fluxo. 
Tudo o que se sonha 
É uma tentativa de domesticar o caos. 
E tudo o que se teme 
É uma tentativa de não ter de habitá-lo. 
 
Esperar é ser lançado ao tempo; 
Imaginar, ao contrário, 
É tentar roubá-lo. 
O poeta reconhece, no fim, 
Que não há triunfo em criar abismos, 
Apenas o direito de não ser devorado por eles. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Apocalipse digital

 Um dia, o mundo inteiro piscará ao mesmo tempo. 
Milhões de olhos de vidro se apagarão, 
E o último ruído do tempo será um estalo elétrico. 
Então, o futuro morrerá de sede 
Dentro dos próprios cabos. 
 
Os eletrônicos não envelhecem, 
Apodrecem em silêncio. 
Dez anos bastam para que esqueçam 
Porque nasceram. 
As telas, órfãs de energia, 
Serão espelhos sem rosto. 
E no meio das ruínas digitais, 
Alguém ainda folheará um livro 
Como quem acende uma fogueira com as mãos. 
 
As páginas resistirão ao colapso da luz. 
Enquanto os servidores desabam como torres de areia, 
Os livros, feridos, mas de pé, 
Continuarão sussurrando 
As palavras de um mundo que já foi. 
 
O papel não teme o fim. 
Ele o conhece desde o início, 
É feito de árvores mortas e lembranças vivas. 
Cada letra é uma cicatriz do tempo, 
Cada capítulo, uma profecia que sobreviveu ao fogo. 
 
Quando o último código for indecifrável, 
E o último circuito, cinza, 
Restará o murmúrio de um poema 
Guardado entre capas gastas, 
Falando de eras que duravam séculos, 
Não segundos. 
E nesse silêncio pós elétrico, 
O livro reinará outra vez, 
Como um deus esquecido 
Que nunca precisou de bateria. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Incêndio do invisível

 Amo teus olhos que não posso ver, 
E talvez seja justamente essa escuridão 
Que me destranca. 
É como se teu olhar inexistente 
Me empurrasse contra algo que não tem nome, 
Algo quente demais para caber no peito. 
 
Tua ausência me toca. 
Sim, me toca. 
Sinto-a percorrendo meu corpo 
Como uma vertigem que sobe devagar, 
Um movimento interno que me toma de surpresa, 
Que me faz respirar curto 
E querer que a noite não acabe nunca. 
 
O desejo que não posso sentir 
É o que mais me atravessa. 
Ele chega sem pedir licença, 
Como um calor que se acende no centro de mim 
E se espalha, lento e violento, ocupando tudo. 
É quase cruel 
Como teu nada me inflama tanto. 
 
Às vezes imagino teu rosto próximo ao meu, 
Demais, perigoso, urgente. 
Imagino o instante antes, sempre antes, 
Em que tua boca não toca, 
Mas ameaça tocar. 
Esse espaço minúsculo entre nós 
É puro incêndio. 
É ali que meu corpo te reconhece 
Como se já tivesse sido teu em outra vida, 
Ou numa fantasia tão funda 
Que dói confessar. 
 
E eu cedo. 
Cedo ao que não existe, 
Ao que não tem forma, 
Ao que só me encontra por dentro. 
Teu invisível se deita sobre mim 
Como um peso quente, 
Um abraço que quase machuca de tão ansioso. 
E cada pensamento teu entra em mim 
Como se atravessasse todas as portas 
Que passei a vida inteira segurando fechadas. 
 
Eu te desejo tanto 
Porque não posso te tocar. 
Essa falta, 
Essa provocação constante, 
Torna tudo mais afiado, mais vivo, 
Mais perigoso. 
Há vontades que o corpo não admite em voz alta, 
Mas que gritam quando ninguém vê. 
 
E quando penso em você, 
Nesses olhos que nunca existiram, 
Algo em mim se curva, se abre, 
Se entrega ao impossível. 
O impossível, teu território favorito, 
Onde me queimo inteiro e volto pedindo mais. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 17 de outubro de 2026

Tecendo a poesia

 Sonhando, vou tecendo a poesia, 
Como quem molda o nada em emoção, 
E encontra, na mais profunda fantasia, 
Um eco oculto do próprio coração. 
 
No véu da noite, a alma principia 
Um canto feito de ilusão e chão, 
E cada verso, em doce alquimia, 
Transforma dor em breve redenção. 
 
Quando a aurora invade o pensamento, 
E rompe o frágil fio da criação, 
Resta em mim um vago sentimento 
 
De ter tocado a própria imensidão, 
Pois mesmo ao fim de todo encantamento, 
O sonho escreve em mim sua canção. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A felicidade da juventude

 Eu me lembro da felicidade leve da juventude, 
Dos dias que não pediam explicação, 
Do riso solto, quase infinito, 
Como se o mundo fosse apenas promessa, 
E o amanhã não tivesse peso algum. 
 
Havia um brilho simples nas pequenas coisas, 
Um encanto escondido em cada instante, 
O vento era canção, o silêncio era abrigo, 
E o tempo passava sem ser notado, 
Como um rio calmo que não teme o fim. 
 
Carrego essas lembranças como quem guarda luz, 
Um eco distante de quem eu fui, 
Há uma saudade que não fere, mas insiste, 
Feito sombra suave ao entardecer, 
Lembrando que a felicidade já teve nome: 
Juventude. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O amigo que espera

 O livro não bate à porta, 
Não chama seu nome na rua, 
Não exige resposta imediata. 
Ele espera, 
Como quem conhece o tempo do outro. 
 Fica ali, quieto, 
Com palavras adormecidas, 
Até que tua mão o acorde 
E teus olhos peçam conversa. 
 
Quando falas com o mundo, 
O mundo te interrompe. 
Quando falas com o livro, 
Ele te escuta em silêncio. 
 
Há dias em que ele é espelho, 
Noutros, abrigo. 
Às vezes, ferida aberta; 
Às vezes, cura lenta. 
Fecha-se quando dói demais, 
Abre-se quando o peito pede. 
Não julga tuas pausas, 
Não reclama tua ausência. 
 
Fazer da leitura um hábito 
É aceitar essa amizade estranha: 
Um amigo que só fala 
Quando tu desejas ouvir, 
Mesmo calado, nunca te abandona. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Quando o último eco se dissipar

 Entre as horas quebradas da tarde elétrica, 
Quando os relógios mastigam lentamente os minutos, 
E os corredores da mente ecoam passos sem origem, 
Caminhamos entre fragmentos de vozes e anúncios, 
Como sombras procurando uma porta em meio à névoa. 
 
Não é o trovão que nos derrota, 
Nem o mar que apaga os nomes das pedras. 
É o zumbido constante das coisas pequenas, 
A procissão interminável de distrações, 
O pó acumulado sobre os livros não lidos. 
 
Vi homens recolhendo espelhos partidos, 
Tentando construir um rosto com reflexos dispersos. 
Vi mulheres carregando cestos de horas desperdiçadas, 
Como quem transporta água em vasos rachados. 
E ninguém sabia dizer onde terminava o caminho. 
 
Nas salas iluminadas por luz artificial, 
A sabedoria sentava-se silenciosa entre as cadeiras vazias. 
Ninguém a reconhecia. 
Todos aguardavam alguma revelação extraordinária, 
Enquanto ela habitava o intervalo entre duas palavras. 
 
Porque o deserto não está apenas além das cidades. 
Há desertos ocultos sob o excesso de ruído. 
Há secas que atingem a atenção antes da alma. 
E o espírito fragmentado, incapaz de permanecer, 
Torna-se estrangeiro dentro da própria existência. 
 
Pode ser que a redenção esteja no ato de permanecer. 
Ou que a verdade não habite o movimento incessante, 
Mas a pausa que interrompe o mecanismo da dispersão. 
Não o brilho passageiro da centelha, 
Mas a chama discreta que atravessa a noite. 
 
Quando o último eco se dissipar nos corredores do tempo, 
Quando os anúncios forem apenas poeira sobre a poeira, 
E os nomes retornarem ao silêncio que os gerou, 
Restará apenas a pergunta que sempre esteve conosco: 
O que vimos, enquanto olhávamos para todos os lados? 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Diante do silêncio das estrelas

 Eu quase acreditei que o único palhaço era eu, 
Porque todos riam 
Quando eu mostrava minhas feridas, 
E eu sorria para não revelar o abismo, 
Como quem transforma 
A própria angústia em espetáculo. 
Mas descobri 
Que ninguém veio ao mundo com um roteiro, 
Somos atores diante do silêncio das estrelas, 
Tentando inventar sentido 
Para uma existência que não explica nada. 
 
A plateia me julgava pelo que conseguia enxergar, 
Mas ninguém conhecia 
O peso escondido sob minha roupa, 
Nem as noites em que conversei sozinho com o vazio. 
Talvez o absurdo não esteja em sofrer, 
Mas em fingir que não sofremos para sermos aceitos. 
No palco, cada homem veste a máscara que escolheu, 
E chama de verdade 
Aquilo que aprendeu a representar. 
 
Então retirei a maquiagem diante de todos, 
E pela primeira vez 
Não me importei com os aplausos. 
Se a vida não oferece um sentido pronto, 
Resta-me a liberdade de escolher 
O significado dos meus passos. 
Não sou o palhaço porque tropeço, 
Sou apenas um homem tentando existir 
Sem mentir para si mesmo, 
Enquanto o palco permanece vazio, 
Esperando o próximo personagem. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A pequena chama dentro de mim

Acordo com o peso leve da manhã 
Como quem retorna de um lugar desconhecido 
E encontra ainda intacta a respiração do mundo 
Há árvores insistindo em permanecer verdes 
Há vozes distantes atravessando as ruas 
E dentro de mim uma pequena chama 
Que se recusa a abandonar a escuridão. 
 
Sou grato pelos instantes mínimos 
Pela água silenciosa sobre as mãos 
Pela memória de um abraço antigo 
Pela palavra que surge inesperadamente 
E devolve sentido ao vazio. 
 
Às vezes a vida parece um corredor interminável 
Cheio de portas que não se abrem 
E mesmo assim alguma beleza permanece 
Um pássaro atravessando o céu do entardecer 
Um livro esquecido sobre a mesa 
Ou o pensamento que nasce sem aviso 
Como se a alma ainda acreditasse no amanhã. 
 
A inspiração chega sem anunciar seu nome 
Sentando-se ao lado do silêncio 
Como alguém que conhece minhas ruínas 
E ainda assim permanece 
Olhando comigo para o horizonte. 
 
Carrego gratidão por continuar sensível 
Num tempo que endurece tantas pessoas 
Por ainda me emocionar diante do mundo 
E transformar inquietações em palavras 
Como quem acende pequenas lanternas contra a noite. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A razão não é cruel

 Tem pessoas que transformam a ignorância em trono, 
E sentam-se nele como reis de uma noite sem aurora. 
Não buscam a verdade, buscam o conforto 
De nunca precisar olhar para dentro do próprio abismo. 
 
Os profetas dos sonhos fáceis 
Caminham entre multidões cansadas. 
Vendem desejos 
Como quem distribui água salgada aos sedentos. 
Quanto mais se bebe, mais a sede cresce, 
E ainda assim os fiéis agradecem pelo milagre da ilusão. 
 
Existe um mar imenso onde a razão naufraga. 
Nele, as bússolas são quebradas de propósito, 
Pois pensar exige coragem, 
E a coragem raramente é popular. 
 
A ignorância, quando vestida de certeza, 
Fala alto, gesticula muito, 
E condena qualquer silêncio que ouse refletir. 
Ela teme o pensamento como vampiros temem a manhã. 
 
Os falsos sonhadores 
Conhecem bem o coração humano: 
Sabem que muitos preferem promessas impossíveis 
A encarar a áspera arquitetura do real. 
Por isso erguem templos sobre areia 
E chamam desespero de esperança. 
 
Existe uma beleza triste 
Em ver multidões navegando sem rumo, 
Cantando hinos contra as estrelas, 
Como se o universo lhes devesse sentido 
Apenas porque desejam muito. 
Mas a razão não é cruel, 
Cruel é abandonar-se completamente ao delírio 
E chamar isso de liberdade. 
 
A verdadeira lucidez 
Não está em destruir os sonhos, 
Mas em impedir que eles devorem o mundo 
Como incêndios alimentados pela própria cegueira. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Chega de silêncio!

 Políticos, Partidos, Parlamento: 
Fábricas de leis que protegem privilégios, 
Máquinas de corrupção pintadas de democracia. 
 
Padres, Pastores: 
Pregam resignação para manter o rebanho dócil, 
Vendem ilusões 
Em nome de deuses que não descem à terra. 
 
Patrões, Polícia: 
Duas mãos do mesmo corpo, 
Uma explora, a outra vigia, 
E ambas esmagam quem ousa levantar-se. 
 
Pais e Professores: 
Muitas vezes moldam cabeças 
Para repetir a obediência, 
Ensinando a aceitar o mundo como está, 
Quando deveriam ensinar a mudá-lo. 
 
E o Povo? 
O Povo vota, aceita, cala, sofre, 
Mas também o Povo levanta, quebra correntes, 
Porque nenhum dos anteriores existe sem ele. 
 
O sistema é um círculo vicioso: 
Eles mandam, mas só porque deixamos. 
Eles roubam, mas só porque entregamos. 
Eles mentem, mas só porque acreditamos. 
 
Chega de silêncio! 
Não há salvadores, nem santos, nem heróis. 
Se o Povo é parte do problema, 
O Povo é também a única solução. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

O beijo do abismo

 Já não temo o teu sorriso. 
Ele me chama 
Como o mar chama os náufragos, 
Com promessas de repouso, 
Com segredos de afogamento. 
 
Deixo que me encontre, 
Que percorra em mim 
Os lugares onde o silêncio dorme. 
 Cada curva tua é um convite, 
Cada olhar, uma vertigem. 
 
Agora compreendo que 
Não se luta contra o destino 
Que vem em forma de boca, 
Nem contra a paz que tem gosto de abismo. 
 
Quando me tocas, 
Não é pele o que se move, 
É memória, 
É tudo o que fui, desfeito, 
Para caber no instante. 
 
E se houver fim, que seja 
Com o coração rendido, 
E o corpo entregue 
Ao feitiço que começou no teu sorriso. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Ainda não acabou

 As luzes da cidade piscavam 
Como olhos cansados depois de uma noite ruim. 
Os anjos caídos da modernidade 
Não tinham asas, tinham anúncios, 
Gravatas, telas acesas e discursos decorados. 
 
Na calçada, os chacinados do tempo 
Esperavam um ônibus, um emprego, um milagre. 
Ninguém os chamava de heróis. 
Ninguém escrevia seus nomes nos jornais. 
Apenas envelheciam sob o neon indiferente. 
 
Eu os vi entrando em bares baratos, 
Pedindo mais uma dose contra o vazio. 
Não para esquecer a vida, 
Mas para suportar o peso 
De acordar nela todas as manhãs. 
 
E então veio o amanhecer, 
Não como uma revelação divina, 
Mas como um trabalhador atrasado, 
Abrindo a porta enferrujada do dia 
E dizendo: "vamos, ainda não acabou." 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Outras dimensões

 Eu olho para o horizonte 
E todo mundo fala sobre o futuro 
Como se tivesse um mapa escondido no bolso. 
Mas a verdade é que estamos todos perdidos, 
Fumando nossos medos na varanda da existência. 
 
Dizem que há dimensões além daquelas que vemos. 
Pode ser. 
Mal consigo entender esta aqui. 
As contas chegam, os cabelos caem, 
E o tempo continua vencendo todas as apostas. 
 
Às vezes um único olhar atravessa décadas. 
Você vê uma criança correndo na rua 
E de repente se lembra de quem foi, 
De quem sonhou ser, 
E de quem acabou se tornando. 
 
Os filósofos procuram respostas, 
Os cientistas procuram evidências, 
Os poetas procuram palavras. 
O horizonte continua lá, indiferente, 
Sem entregar nada a ninguém. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Um livro não pode me negar

 Um livro não pode me negar o sonho, 
Nem a viagem que começa quando o abro. 
O que pode é levar meus olhos para longe, 
Mesmo que meus pés permaneçam no chão, 
Pode me apresentar mundos inexistentes, 
Personagens que vivem apenas nas palavras, 
E ainda assim fazer meu coração acreditar. 
 
Um livro não pode me negar perguntas, 
Nem o silêncio que nasce entre suas páginas. 
O que pode é despertar memórias adormecidas, 
Dar voz ao que eu nunca consegui dizer, 
Ser companhia nas horas de solidão, 
Ensinar-me que algumas respostas são caminhos, 
E que algumas perguntas são necessárias. 
 
Um livro não pode me negar a liberdade, 
Porque imaginar também é uma forma de existir. 
Suas palavras terminam, mas o pensamento continua, 
E quando retorno às mesmas páginas, 
Descubro que a história também mudou em mim, 
Pois não é apenas o livro que leio, 
É a pessoa que me torno depois da leitura. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense