O pensamento se fragmenta em notificações,
Cada gesto parece previsto,
Cada desejo encontra um caminho traçado,
E a dúvida, que sempre alimentou a sabedoria,
Vai sendo empurrada para o canto do esquecimento,
Como uma vela apagada antes do amanhecer.
O algoritmo conhece nossos hábitos,
Mas desconhece nossos sonhos mais profundos.
Ele oferece respostas antes das perguntas,
Confunde velocidade com conhecimento,
Transforma ecos em verdades,
E faz da repetição uma confortável prisão
Para quem já não cultiva o silêncio de refletir.
Ainda resta uma esperança:
Desligar o ruído por alguns instantes,
Reencontrar o diálogo com a própria consciência,
Abrir um livro sem pressa,
Olhar o mundo sem filtros,
E lembrar que a liberdade nasce
Quando o pensamento volta a caminhar com as próprias pernas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














