quarta-feira, 10 de junho de 2026

O amor que vale

 Você conhece o tipo. 
Aquele amor que chega 
Com uma lista de reformas na mão, 
Como um fiscal da prefeitura 
Condenando a estrutura da sua alma. 
 
Primeiro pede para você falar menos. 
Depois para sonhar menos. 
Depois para rir menos. 
Depois para ser menos. 
E um dia você percebe 
Que está sentado numa cadeira, 
Olhando para uma parede, 
Tentando lembrar quem diabos era 
Antes daquela história começar. 
 
O amor de verdade não faz isso. 
Ele pode brigar, 
Bater portas, 
Deixar pratos na pia 
E noites mal dormidas. 
Mas não exige o assassinato 
Da pessoa que você era. 
 
Porque desaparecer 
Não é prova de amor. 
É só uma forma lenta de morrer 
Com aplausos da plateia. 
E a vida já tem mortes suficientes. 
 
Quando encontrar alguém 
Que deixe seus defeitos respirarem, 
Que não queira trocar suas cicatrizes 
Por uma versão mais apresentável de você, 
Segure sua bebida, 
Ouça sua música favorita 
E agradeça. 
Não acontece todo dia. 
 
A maioria das pessoas 
Não procura companhia. 
Procura um espelho obediente. 
 E amor, 
Pelo menos do jeito que aprendi, 
É outra coisa. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Em alguma estante esquecida

As livrarias ainda acendem suas luzes, 
Mas poucos entram para procurar respostas. 
Corremos entre telas, ruídos e urgências, 
Como se a velocidade pudesse preencher 
O vazio que carregamos em silêncio. 
 
Quando ninguém mais quer o que os livros oferecem, 
Não desaparecem apenas histórias e ideias. 
Perde-se também a arte de permanecer 
Diante de uma pergunta sem resposta, 
Diante do espelho inquietante da existência. 
 
Os livros falam de homens que amaram, sofreram, 
Fracassaram diante do tempo e da morte. 
Mas talvez seja justamente isso que evitamos. 
Reconhecer que nossas angústias não são novas 
E que somos passageiros na mesma travessia. 
 
Então a vida torna-se uma sucessão de instantes, 
Fragmentos dispersos sem um fio que os una. 
Conhecemos milhares de fatos e notícias, 
Mas esquecemos de perguntar quem somos 
E por que seguimos caminhando. 
 
Ainda assim, em alguma estante esquecida, 
Um livro permanece aberto para ninguém. 
Suas páginas aguardam como um velho amigo, 
Sabendo que toda alma perdida acaba, cedo ou tarde, 
Procurando palavras para enfrentar o absurdo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 9 de junho de 2026

Onde a atenção cria raízes

A dispersão convida os olhos para mil caminhos, 
Mas nenhum deles conduz ao centro da alma. 
O sábio não corre atrás de cada brilho passageiro; 
Aprende a distinguir o essencial do supérfluo. 
Como a rocha que permanece diante do vento, 
Conserva firme a atenção sobre o que importa, 
E encontra serenidade naquilo que pode governar. 
 
Muitas vozes disputam o silêncio do espírito, 
Prometendo importância às coisas efêmeras. 
Mas a mente disciplinada não se torna escrava delas. 
Escolhe com cuidado seus pensamentos e seus atos, 
Pois sabe que a vida é feita de tempo limitado. 
Quem dispersa suas horas entre sombras e ruídos 
Acorda tarde para a riqueza do instante presente. 
 
A sabedoria cresce onde a atenção cria raízes. 
Não necessita de pressa, aplauso ou espetáculo. 
Basta-lhe a clareza de um propósito bem escolhido. 
O rio alcança o mar porque não abandona seu curso. 
Assim também a pessoa que domina a si mesmo 
Atravessa as inquietações do mundo sem se perder, 
E encontra liberdade na ordem de sua própria mente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A cor da pele

O racista sempre me pareceu um sujeito estranho. 
Não porque odeie alguém. 
O mundo está cheio de gente odiando gente. 
Mas porque escolhe algo tão ridiculamente superficial 
Para sustentar seu ódio. 
A cor da pele. 
 
Como se a vida não fosse dura o bastante. 
Como se as contas não chegassem para todos, 
Como se o álcool não queimasse igual na garganta, 
Como se a solidão perguntasse a cor de alguém 
Antes de se sentar ao seu lado. 
 
Eu os vi nos bancos escolares, 
Nos escritórios, 
Nas esquinas, 
Falando de superioridade 
Com a mesma boca que mentia para a esposa, 
Enganava os amigos 
E tremia diante do espelho. 
 
A verdade é simples. 
A maioria das pessoas já está perdida demais 
Para se achar melhor do que alguém. 
Nascemos confusos, 
Envelhecemos assustados 
E terminamos debaixo da mesma terra. 
 
Ainda assim há quem passe a vida 
Contando tonalidades de pele 
Enquanto o tempo esvazia seus bolsos. 
 
É um desperdício. 
Um desperdício de dias, 
De cervejas, 
De conversas, 
De possibilidades. 
 
Quando a morte chegar, 
E ela sempre chega, 
Não levará uma tabela de cores. 
Apenas perguntará, 
Em seu silêncio habitual, 
O que você fez 
Com o pouco tempo que teve. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Asas feitas de tempo

O poeta, às vezes, se esquece do chão, 
E sobe leve nas entrelinhas do vento, 
Costurando memórias com invenção, 
Faz da dor um suave movimento, 
E da vida, um recomeço em expansão. 

Há dias em que sua caneta é prisão, 
E a palavra pesa como lamento antigo, 
Mas basta um sopro, uma centelha na mão, 
Para romper o silêncio inimigo 
E erguer voo sobre a própria solidão. 

Ele escreve histórias dentro da história, 
Como quem redesenha o próprio destino, 
Transforma ausência em tênue memória, 
E no caos encontra um traço divino, 
Fazendo do instante uma eterna vitória. 

Seus versos são asas feitas de tempo, 
De tudo aquilo que viveu e perdeu, 
Cada linha carrega um contratempo, 
Mas também o milagre que nasceu 
No abismo entre o sentir e o pensamento. 

O poeta segue, entre céu e chão, 
Ora ferido, ora pleno de luz, 
Carregando em si a contradição 
De quem escreve, apaga e ainda produz 
Novas histórias na própria imensidão. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Os que não querem saber

 O homem estava sentado no bar. 
Falava alto. Todos ouviam. Ninguém perguntava nada. Ele gostava disso. 
Do outro lado da mesa havia um professor. Bebia devagar. Não falava muito. Sabia que certas perguntas estragam uma conversa. 
O homem continuou falando. Tinha respostas para tudo. Para a política. Para a guerra. Para a fome. Para o futuro. 
Os outros concordavam. 
Era mais fácil concordar. 
Lá fora, a noite caía sobre a cidade. As luzes acendiam. Os carros passavam. O mundo seguia complicado. 
Mas dentro do bar tudo era simples. 
Muito simples. 
O professor olhou pela janela. Pensou nos livros que ninguém lia. Pensou nas histórias que ninguém queria ouvir. Pensou no trabalho que dá compreender a alguma coisa. 
Terminou a bebida. 
O homem ainda falava. 
As pessoas ainda ouviam. 
Ninguém parecia perceber a diferença entre uma opinião e um conhecimento. 
Ninguém parecia se importar. 
O professor levantou-se e saiu. 
A rua estava silenciosa. 
O ar da noite era frio. 
Ele sabia que o mundo nunca pertenceu aos que fazem as perguntas. Pertenceu quase sempre aos que falam mais alto. 
Mesmo assim, continuou caminhando. 
Era a única coisa honesta que podia fazer. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Cada instante perto de você

 O desejo que nasce em mim 
Quando vejo você 
Não é fogo que destrói, 
Mas chama terna que ilumina. 
É calor que envolve, 
Como sol que desperta a manhã, 
Como brisa que aquece a pele 
Sem jamais ferir. 
 
Seus olhos são claridade, 
E meu coração, ao encontrá-los, 
Arde como quem reencontra a vida. 
 
Cada instante perto de você 
É chama mansa, 
É lume secreto, 
Que não consome, mas acolhe, 
Fazendo do meu peito 
Um refúgio de luz e ternura. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Enquanto houver perguntas

Há dentro de ti uma margem não tocada, 
Um campo onde o vento ainda não passou, 
Onde as palavras dos outros 
Ainda não lançaram suas sementes gastas. 
Ali mora o que te inquieta. 
Ali mora o que te salva. 
Andar com quem te desafia 
É permitir que esse campo 
Seja cultivado com mãos firmes, 
Mesmo que, no início, pareçam mãos de quem te fere. 
São eles, os que chegam sem prometer conforto, 
Mas que trazem nas veias 
A coragem de nomear o indizível. 
Eles não te poupam. 
Desmontam teus pequenos altares, 
Derrubam tuas teorias de bolso, 
Riem das verdades que construíste 
Só para ter onde repousar. 
Mas é por isso que são necessários. 
Porque o que te desafia é o que te move. 
O que te expõe é o que te expande. 
E quanto à ignorância… 
Ela é um sono coletivo, 
Um pacto de olhos baixos, 
Um acordo de silêncio 
Onde a verdade vira um hóspede indesejado. 
Não te deites ao lado disso. 
Não adormeças nesse chão fácil. 
Enquanto houver pergunta, 
Enquanto houver incômodo, 
Enquanto a tua alma for capaz de arder 
Por algo que ainda não entende, 
Estarás vivo. 
Mesmo que sozinho. 
Mesmo que em guerra consigo. 
Mas desperto. Sempre desperto. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 7 de junho de 2026

Na sociedade de aluguel

Nada possuo além do instante presente, 
Pois as casas, os objetos e os caminhos passam. 
O que hoje me serve, amanhã servirá a outro. 
Não lamento a transitoriedade das coisas, 
Porque o rio não se entristece por seguir seu curso. 
Aprendo a usar sem me prender, 
E a partir sem carregar correntes. 

Vejo homens disputando sombras temporárias, 
Como se o tempo pudesse ser aprisionado. 
Mas a fortuna chega e parte sem aviso, 
Indiferente aos desejos que alimentamos. 
Por isso cultivo o que ela não governa: 
A retidão do caráter e a serenidade da mente, 
Tesouros que nenhum contrato alcança. 

Se tudo é empréstimo, que eu seja grato. 
Se tudo é breve, que eu seja justo. 
Se tudo muda, que eu permaneça firme. 
Não busco possuir o mundo por inteiro, 
Mas habitar com dignidade o lugar que me cabe. 
E quando chegar a hora de devolver as chaves, 
Que eu parta em paz, sem nada reclamar. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

A moldura da saudade

A saudade não é uma ferida aberta, 
Mas a marca serena de uma passagem. 
Ela nos recorda que tudo caminha, 
Que nada permanece sob as mesmas formas, 
E que o tempo cumpre sua natureza. 

Quem esteve conosco segue seu caminho. 
Nós seguimos o nosso. 
Assim é a ordem das coisas. 
Resistir a ela produz inquietação; 
Compreendê-la produz clareza. 

Ainda assim, a memória conserva imagens. 
Não para nos prender ao passado, 
Mas para testemunhar o que foi vivido. 
Cada lembrança ocupa seu lugar, 
Como uma página já escrita. 

A saudade é a moldura em que o retrato permanece. 
Não mais para ser possuído, 
Nem para exigir o retorno do que passou. 
Apenas para recordar que houve beleza 
Naquilo que o tempo levou consigo. 

Por isso olho para trás sem tristeza excessiva. 
Agradeço o encontro e aceito a distância. 
O que foi amado continua tendo valor. 
O que partiu continua seguindo seu curso. 
E eu continuo seguindo o meu. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 6 de junho de 2026

Se for preciso amar

Não ordenes ao coração que não sinta, 
Mas ensina-o a caminhar com medida. 
A paixão é vento sobre as águas; 
Não controlamos sua chegada, 
Apenas o modo como navegamos. 

Muitos chamam de loucura o acreditar, 
Porque confundem prudência com medo. 
O sábio escuta a voz do desejo, 
Mas não lhe entrega as rédeas da vida, 
Nem faz dele seu único destino. 

Ama, se for preciso amar, 
Mas sem te perder naquilo que amas. 
As flores encantam a primavera, 
E ainda assim aceitam serenamente 
A hora inevitável da despedida. 

Se a esperança florescer, cultiva-a; 
Se não florescer, aceita o inverno. 
A paz não nasce do que possuímos, 
Mas da harmonia entre a vontade 
E aquilo que o tempo permite. 

Quem governa a si mesmo não teme. 
Nem a paixão que chega, nem a que parte. 
Recebe cada sentimento como um visitante: 
Com respeito quando entra pela porta, 
E com serenidade quando segue seu caminho. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Canto da Terra das Trevas e do amanhecer

Eu canto a terra das trevas, e não a amaldiçoo, 
Pois também ela pertence ao vasto corpo do mundo; 
Canto os vales escuros, as ruas esquecidas, os rostos anônimos, 
Canto os chacinados pelos anjos caídos da modernidade, 
E os recebo em meu abraço como irmãos e irmãs da mesma jornada. 

Eu os vejo! 
Vejo o trabalhador que retorna em silêncio ao cair da tarde, 
A mulher que carrega nos olhos o peso de gerações inteiras, 
O jovem que procura um significado entre ruínas de promessas, 
E em cada um deles reconheço uma centelha da eternidade. 

Ó modernidade, com tuas máquinas velozes e teus templos de vidro! 
Não és apenas glória, nem apenas ruína; 
Em teu ventre convivem a invenção e o esquecimento, 
A esperança que constrói pontes e a ambição que ergue muros, 
E eu canto ambas, porque ambas habitam a condição humana. 

Quem poderá medir a força daqueles que sobrevivem à noite? 
Quem contará os sonhos soterrados sob o peso dos séculos? 
Eu os celebro! Eu os convoco! 
Que se levantem os invisíveis, os humilhados, os esquecidos, 
Pois sua existência é um poema escrito na carne do tempo. 

E quando o amanhecer abrir suas portas douradas sobre a terra, 
Não será apenas o triunfo da luz sobre a sombra; 
Será o encontro de todas as vozes dispersas no grande coro da vida, 
E eu caminharei entre elas, cantando o homem, a mulher, a estrada e o horizonte, 
Cantando o universo inteiro que continua a nascer dentro de nós. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Que nome darei a esta inquietação?

Entre o tique-taque do relógio 
E a poeira acumulada sobre os livros esquecidos, 
Eu me sento diante da página em branco. 
A tarde dissolve-se lentamente na janela, 
Como uma memória que hesita em partir. 

As ruas carregam vozes sem origem, 
Ecos de conversas interrompidas pelo tempo. 
Os homens atravessam os dias apressados, 
Guardando nos bolsos pequenas ruínas, 
Sem perceber o peso que carregam. 

Que nome darei a esta inquietação? 
Não é tristeza, nem esperança. 
É algo que permanece entre ambas, 
Como uma ponte suspensa sobre águas escuras, 
Sem margem visível em qualquer direção. 

Escrevo fragmentos de uma existência dispersa: 
Uma fotografia amarelada, um banco vazio na praça, 
O perfume distante de uma embarcação já perdida. 
Tudo parece dizer alguma coisa, 
Mas numa língua que esqueci há muito tempo. 

E quando a noite finalmente debruça sobre o Rio Paraguai, 
Restam apenas a página, a lâmpada e o silêncio. 
Então compreendo, ainda que por um instante, 
Que a alma não busca respostas definitivas, 
Mas a coragem de habitar suas perguntas. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Eu canto este coração inquieto

Eu canto este coração inquieto, 
Canto esta criatura que habita meu peito 
E que não se contenta com os limites da carne, 
Nem com as fronteiras que os homens traçam 
Entre um corpo e outro, 
Entre um destino e outro. 

Quando penso em você, 
Ele desperta. 

Levanta-se de seu repouso, 
Sacode a poeira dos dias, 
E percorre os vastos campos invisíveis da memória, 
Como um animal livre atravessando planícies sem fim, 
Seguindo um rastro que nenhum mapa registra 
E que nenhuma bússola poderia indicar. 

Ó coração! 
Companheiro de todas as minhas jornadas, 
Irmão das estrelas, dos rios e dos ventos, 
Por que te agitas assim? 
Por que golpeias as paredes do meu ser 
Como se o universo inteiro fosse pequeno demais 
Para conter o teu desejo? 

Eu te vejo, 
E não te condeno. 

Pois o mesmo impulso que te leva em direção a ela 
Move as marés para a praia, 
Faz crescer a árvore em direção ao céu, 
Faz o pássaro abandonar o ninho 
E o viajante seguir adiante sem saber o caminho. 

Penso em você, 
E meu coração torna-se vasto. 

Já não é apenas um órgão oculto na escuridão do corpo, 
Mas uma criatura cósmica, 
Uma força errante, 
Uma centelha da antiga energia 
Que une os seres, os tempos e os mundos. 

E se um dia ele romper meu peito e partir, 
Não chorarei sua ausência. 

Saberei que apenas respondeu ao chamado 
Que ressoa em todas as coisas: 
O desejo profundo de abandonar a própria prisão 
E caminhar, livre e luminoso, 
Em direção àquilo que ama. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Enquanto sigo aprendendo

Olho o horizonte sem exigir respostas, 
Pois sei que o mundo não me deve certezas. 
O tempo ergue montanhas e as desfaz em pó, 
Enquanto sigo aprendendo a arte da permanência. 
Há dimensões que meus olhos não alcançam, 
Mas não me inquieta aquilo que desconheço; 
Basta-me caminhar com serenidade diante do mistério. 

Um único olhar pode atravessar distâncias imensas, 
Mas a sabedoria não está em possuir o horizonte. 
Está em reconhecer os próprios limites 
Sem transformar a ignorância em desespero. 
O futuro repousa além das curvas do tempo, 
E minha tarefa não é dominá-lo, 
Mas receber cada dia com espírito firme. 

Se existem mundos além dos que imagino, 
Que permaneçam por ora guardados no silêncio. 
Nada perco por não tocar o inalcançável, 
Nem diminuo por não compreender o infinito. 
Como o rio que segue sem discutir com as margens, 
Aceito o curso das coisas e prossigo adiante, 
Encontrando liberdade naquilo que posso governar: 
A mim mesmo. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense