À pergunta sobre o sentido.
Ele apenas mostrou
Que a pergunta
Era tudo o que havia.
Existir passou a ser um peso consciente.
Antes eu vivia.
Depois,
Passei a saber
Que estava vivendo.
Não encontrei essência,
Nem plano oculto,
Nem mão guiando o caos.
Encontrei apenas
A mim mesmo
Responsável por cada passo.
Pensar foi perceber
Que ninguém virá corrigir o erro,
Que não há ensaio geral,
E que o silêncio do mundo
Não é castigo, é condição.
A liberdade não apareceu como dádiva.
Veio como vertigem.
Escolher tornou-se trágico
Porque toda escolha
Enterra outras vidas possíveis.
O conhecimento não me deu identidade.
Arrancou as que eu usava.
Restou esse eu inacabado,
Obrigado a se inventar
Sem garantias.
Há dias em que existir
Parece um argumento frágil,
Sustentado apenas
Pela recusa de desistir.
Compreendi que o absurdo
Não é um problema a resolver,
Mas um espaço a habitar
Com alguma dignidade.
O pensamento não me salvou do vazio.
Apenas me ensinou
Que o vazio não é exceção,
É o cenário.
E ainda assim, acordo.
Escolho.
Sigo.
Não porque faça sentido,
Mas porque existir,
Mesmo sem resposta,
É o único gesto
Que ainda me pertence.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














