Nem ao vento que explique sua direção.
Basta-me seguir com passos firmes,
Aceitando que o horizonte se afasta
À medida que avanço.
Há quem deseje dominar o mundo,
Mas mal conhece o próprio espírito.
Aprendo com a pedra e com a árvore:
Permanecer inteiro sob a chuva
É uma forma silenciosa de sabedoria.
O poeta não cria a beleza das coisas;
Apenas aprende a percebê-la.
Onde muitos veem apenas rotina,
Ele encontra sinais discretos
Da ordem oculta do universo.
Se a tristeza vier, que venha.
Se a alegria chegar, que também passe.
Nenhuma estação permanece para sempre,
E resistir ao curso do tempo
É lutar contra a própria maré.
Encontro refúgio na poesia,
Não como fuga, mas como compreensão.
Cada verso me recorda que existo,
E que há dignidade em contemplar
O que os outros deixam escapar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense








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