Esse deserto silencioso
Onde a alma hesita antes do primeiro passo.
Minhas mãos desejam escrever,
Mas não procuram palavras.
Procuram vestígios teus.
Minha mente vagueia pelos corredores da memória
Tentando reencontrar os olhos
Daquela que me faz viver
Mesmo quando a noite pesa sobre meus ombros
Como um inverno sem fim.
Há amores que se tornam linguagem.
Basta pensar neles
E os versos começam a respirar sozinhos,
Como se o coração abrisse lentamente
Uma janela voltada para o infinito.
É aí então que percebo.
O papel nunca esteve vazio.
Nele já existia tua ausência,
Teu nome escondido entre silêncios,
E essa saudade luminosa
Que insiste em florescer dentro de mim.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














