Pelas cores que encantavam os teus olhos,
Pelo perfume que atravessava as manhãs,
Mas esqueceste de olhar a terra silenciosa,
Onde a vida aprendia a resistir.
As raízes nunca pedem aplausos,
Não conhecem o brilho das vitrines,
Vivem escondidas sob o peso do mundo,
Alimentando o que todos admiram,
Sem jamais serem admiradas.
Então chegou o outono, inevitável,
E as pétalas partiram com o vento,
O jardim perdeu o seu esplendor,
E o coração que amava apenas a aparência
Confundiu mudança com fim.
Mas a raiz permaneceu desperta,
Abraçando a terra com paciência,
Guardando em silêncio a força do recomeço,
Porque quem conhece o tempo da natureza
Nunca perde a esperança.
Ama, portanto, aquilo que não se vê:
A essência antes da beleza,
O caráter antes do encanto,
Pois as flores pertencem às estações,
Mas as raízes sustentam a eternidade do amor.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














