Não é chama branda,
É incêndio noturno,
Fagulha que se arrasta como serpente de fogo
Pelas entranhas da minha sombra.
Cada vez que vejo você,
O ar rarefeito se envenena,
Meu corpo se torna cárcere em chamas,
E a carne grita silenciosa
Pela perdição de um toque.
É febre que não recua,
É maldição que arde sem cura,
Um tormento que se alimenta do próprio vazio.
Você passa, e eu me consumo,
Sou vela sem fim,
Sou pira condenada,
Ardendo por um desejo
Que nunca se extingue,
E que talvez só encontre paz
Na ruína final das cinzas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense











.jpg)


