Caminho por dentro de mim como quem se perde,
E cada lembrança tua é uma chama acesa,
Ardendo mansa naquilo que já não me serve,
Mas que ainda insiste em me chamar pelo nome.
A culpa me veste como um frio sem fim,
Escorre nos ossos, sussurra nos cantos,
Dizendo que fui eu quem deixou tudo assim,
Que o amor não se perde, se perde é o encanto,
E eu fui descuido no instante em que você partiu.
Há um relógio quebrado dentro do peito,
Marcando a hora exata do adeus não dito,
Um tempo suspenso, imóvel, imperfeito,
Onde teu olhar ainda me encontra aflito,
Como se o fim nunca tivesse sido completo.
Te vejo nas brechas da noite vazia,
No vento que passa e parece te trazer,
Na sombra que dança na parede fria,
No sonho que insiste em não me esquecer,
Mesmo sabendo que o dia te apaga de mim.
E sigo, entre a culpa e o que ainda resiste,
Aprendendo que amar também é perder,
Que há dores que o tempo não cura, apenas persiste,
Como marcas que escolhem permanecer,
Lembrando que um dia eu tive você… e deixei ir.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














