Como erva daninha entre as pedras do destino,
Um gesto contido na borda do abismo,
Onde o querer se desfaz antes de existir,
E o nome que guardo não pode ser dito.
Te vejo como quem olha o que não pode tocar,
Um incêndio distante sob chuva constante,
Meu desejo é um rio que corre proibido,
Contornando margens que nunca serão nossas,
Afogando-se em promessas que não fizemos.
Há um mundo inteiro entre mim e teus olhos,
Um muro erguido com leis invisíveis,
Com vozes que julgam antes de entender,
E eu, prisioneiro do que sinto em segredo,
Aprendo a sorrir com o peito em ruínas.
Se te alcanço em sonho, acordo em perda,
Se te esqueço um instante, retorno em dor,
És presença ausente que me persegue,
Um eco que insiste nas horas vazias,
Uma ausência que pesa mais que o real.
Amar-te é viver no quase, no nunca,
É colher espinhos de um jardim vedado,
É ser estrangeiro no próprio sentimento,
E ainda assim, em cada pedaço de mim,
Te amar, mesmo sabendo que não devo.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














