Sem reclamar do abandono dos homens.
Não lamentam as portas fechadas,
Nem contam quantos deixaram de lê-los.
Cumprir seu propósito lhes basta.
Quando ninguém mais deseja sua companhia,
Eles ainda guardam a mesma sabedoria.
A chuva cai, o vento passa, os anos seguem;
O valor da verdade não diminui
Porque poucos se dispõem a escutá-la.
Muitos perseguem aquilo que é passageiro,
Confundindo novidade com conhecimento.
Mas o espírito sereno compreende
Que nem toda riqueza faz barulho,
Nem toda grandeza procura aplausos.
O livro ensina a paciência da semente,
Que cresce sem discutir com as estações.
Oferece seu fruto a quem o procura
E aceita com tranquilidade
A indiferença daqueles que seguem adiante.
Por isso, não lamentes os tempos apressados.
A sabedoria nunca dependeu das multidões.
Basta que uma mente permaneça desperta,
Que uma alma ainda busque compreender,
E os livros terão encontrado seu destino.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














