Ainda é pouco o tempo que carregamos no peito,
Mas já não vejo nisso apenas uma condenação.
Há beleza no instante que escapa entre os dedos,
Como a chuva breve que alimenta a terra seca
Antes de desaparecer no silêncio do horizonte.
O mundo continua oferecendo seus venenos:
O medo, a pressa, as vozes que ferem por dentro.
Mas também existem mãos estendidas na queda,
Olhares que devolvem abrigo aos dias cansados
E pequenas luzes escondidas na madrugada.
Aprendi que não precisamos sorver tudo do mundo
Para compreender o valor da existência.
Às vezes basta um gesto simples de ternura,
Um livro aberto diante da solidão,
Ou alguém dizendo “permaneça” quando tudo desaba.
As cidades ainda respiram fumaça e injustiça,
Mas há pessoas plantando esperança nas rachaduras.
Enquanto alguns constroem muros e esquecimentos,
Outros dividem o pão, a escuta e a coragem,
Como quem reacende estrelas dentro do caos.
Pode ser que nunca tenhamos tempo para tudo,
Nem vidas suficientes para tocar cada mistério.
Mas há certa eternidade escondida nos encontros,
Porque um coração verdadeiramente desperto
Pode transformar um único instante em infinito.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














