Que me leve pela vida o coração,
Como versos que se soltam no vento,
Feito canção que nasce sem razão,
Mas encontra morada no sentimento,
E repousa suave no tempo.
Que ele pulse como um tambor antigo,
Marcando o compasso dos meus dias,
Mesmo quando o mundo for inimigo,
Mesmo nas noites mais vazias,
Seja chama entre as agonias.
Que me guie por estradas invisíveis,
Onde os sonhos ainda respiram,
Entre silêncios quase inaudíveis,
Onde as dores também suspiram,
E as esperanças não se retiram.
Que ele dance entre erros e acertos,
Sem medo de cair no abismo,
Pois são nos passos mais incertos
Que se revela o lirismo,
De existir além do cinismo.
Que ao fim, quando tudo for memória,
Reste o eco doce dessa canção,
Não como fim, mas como história,
De quem viveu pela emoção,
E deixou-se levar pelo coração.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














