Não daquela saudade elegante dos poemas.
Falo da que aparece às três da manhã,
Sentada na beira da cama,
Fumando os restos da minha paz.
Sinto falta dos seus afagos,
Como um bêbado sente falta do último gole.
E isso é ridículo, eu sei.
A vida continua empurrando os dias adiante,
Mas algumas ausências não aprendem a morrer.
Tenho saudade da sua voz,
Principalmente daquelas palavras perigosas
Que você soltava sem avisar.
Palavras pequenas, quase inocentes,
Capazes de incendiar uma noite inteira.
Às vezes fecho os olhos e penso em nós.
Não há anjos, não há destino.
Só dois corpos tentando esquecer o mundo,
Enquanto o mundo fazia questão
De não esquecer nenhum dos nossos erros.
No fim, é isso que sobra.
Uma cadeira vazia, um copo pela metade,
E lembranças andando pela casa.
Você foi embora, o tempo também.
Eu fiquei aqui, conversando com fantasmas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














