Como quem vende certezas nas feiras do ruído.
Quero apenas que a minha voz
Atravesse as rachaduras do silêncio
E encontre algum espírito ainda desperto
Entre os escombros da indiferença.
Meus versos não nasceram
Para ornamentar salões vazios,
Mas para incomodar consciências adormecidas,
Para arranhar o verniz confortável da ignorância
Que se fantasia de sabedoria em bocas apressadas.
Há uma tristeza funda em viver entre pessoas
Que já não escutam antes de opinar,
Que confundem grito com verdade
E repetição com pensamento.
Escrevo porque me recuso a aceitar
Que a mediocridade
Seja celebrada como virtude
E que o desprezo pelo conhecimento
Se torne costume
Entre pessoas cansadas de refletir.
Não desejo aplausos.
Desejo leitores que sintam o peso das palavras,
Que parem por um instante diante de um verso
Como quem encara um espelho inesperado.
Se minha voz alcançar alguém,
Que não seja apenas para consolar,
Mas para despertar.
Porque há indignações
Que não cabem em discursos,
Precisam incendiar a linguagem
Para continuar vivas.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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