I
Em mil novecentos e sete o mundo rangia sob máquinas e impérios,
O século ainda aprendia a respirar eletricidade e aço.
No Brasil, a República ensaiava sua ordem frágil,
Entre vacinas, revoltas silenciadas e promessas de progresso.
Em Mato Grosso, o tempo caminhava a cavalo e embarcações,
Terra vasta onde a lei chegava sempre depois do sol.
Cáceres despertava às margens do Rio Paraguai sereno,
Porto de vozes, mercadorias e fronteira viva.
Entre igrejas, armazéns e rumores vindos da água,
O ano passava discreto, escrevendo história sem saber.
II
Emilie de Villeneuve ergueu, no silêncio da fé, um chamado,
Onde a caridade não era gesto, mas caminho encarnado.
No coração ferido do mundo, viu rostos esquecidos,
E fez do serviço humilde a resposta aos desvalidos.
Assim nasceu a Congregação, semente lançada na dor,
Sob o nome da Imaculada Conceição, pureza e amor.
Não de muros, mas de mãos abertas foi feita sua missão,
Unindo oração e ação na mesma devoção.
Seu legado vive onde há cuidado, ensino e compaixão,
Como luz persistente guiando gerações na mesma vocação.
III
Quatro jovens irmãs cruzam o continente em silêncio e fé,
Trazendo no peito o cansaço e a promessa do porvir;
Madre Imelda Gastou guia o passo firme da esperança,
Irmã Saint Laurent Mages carrega a palavra como lâmpada acesa,
Irmã Denise Marcou recolhe dores alheias no olhar atento,
Irmã Saint Anselme Pomès guarda o tempo como oração secreta.
No primeiro dia de janeiro de mil novecentos e sete,
O sol se abre sobre São Luiz de Cáceres como sinal,
E a terra vermelha as recebe sem saber seus destinos,
Pois ali começava um futuro escrito em passos humildes.
IV
No Cais, o povo cacerense, de mãos abertas e calor humano,
Acolheu-as como quem reconhece um chamado sublime do céu.
Entre sorrisos simples e olhares de promessa, seguiram juntas,
Conduzidas pelas ruas quentes até o limite do quase nada.
Na Rua Direita — hoje 13 de Junho — erguia-se a casa frágil,
Pobre de móveis, rica de silêncio e esperança.
Ali, a precariedade vestiu-se de sentido e devoção,
E cada prece transformou a escassez em abrigo.
A casinha tornou-se oásis, fonte de fé e vigília em ação,
Nasce a Comunidade das Irmãs da Imaculada Conceição.
V
Em fevereiro do mesmo ano, a semente foi lançada,
Mãos simples ergueram o sonho no chão da esperança.
Entre letras primeiras, tintas e fios delicados,
Nasciam vozes, traços, saberes entrelaçados.
A alfabetização abria portas ao amanhã,
A música ensinava o tempo a rezar em som.
No bordado e na pintura, a paciência florescia,
Nas artes do lar, o cuidado virava poesia.
Pequeno em paredes, mas grande em vocação,
Sob Maria Imaculada, surgia o educandário em oração.
VI
A Catequese moldava almas com zelo e ternura,
Na formação humana e cristã, firme era a missão;
Às portas dos pobres e dos leitos de dor,
As Irmãs iam primeiro, levando fé e compaixão.
Os meses iniciais nasceram de luta e sacrifício,
Dias tecidos em renúncia, oração e suor.
Pouco a pouco o colégio erguia seus muros,
Como a cidade, aprendendo a sonhar mais alto.
E elas, no silêncio do ofício diário,
Aperfeiçoavam o ensino, servindo com amor o abecedário.
VII
Em mil novecentos e cinquenta e três lançou a semente,
Surgiu o Curso Ginasial, farol para a educação nascente.
Cáceres viu avançar seus sonhos e sua vocação,
Sob o nome Ginásio Imaculada Conceição.
Em cinquenta e sete, o Curso Normal se fez caminho,
Formando gerações até setenta e cinco, com destino e carinho.
Foi marco firme na história do saber local,
Mantendo os jovens na cidade, num laço educacional.
De escola feminina guardou por anos a tradição,
Até tornar-se mista, em oitenta e nove, ampliando a missão.
VIII
No limiar dos seus cento e vinte anos de história,
O Colégio Imaculada Conceição permanece em vigília,
Guardando a essência que o tempo não apaga,
Nem as pressas de um mundo cada vez mais fragmentado.
Entre muros que aprenderam a ensinar, floresce a originalidade,
Tecida com valores, saber e compromisso diário.
À comunidade de Cáceres e de toda a região,
Oferece mais que aulas: entrega formação e sentido.
Mesmo na complexidade do presente, sustenta a qualidade,
Fiel à Educação Básica, reconhecida pela Lei e pela vida na sociedade.
IX
Educação que acolhe, do primeiro brincar ao último exame,
Abre portas e corações aos que buscam o conhecimento e sabedoria,
Tecida nos valores cristãos que iluminam cada passo,
E no carisma de Santa Emilie de Villeneuve, serviço e compaixão.
Da Educação Infantil ao Ensino Médio, forma-se gente inteira,
Com saber que inclui, escuta que cura e amor que ensina.
Cultiva atitudes éticas, morais e cristãs no cotidiano,
Desperta consciência lúcida para ler o mundo sem o medo soberano.
Ousada para agir com justiça e crítica para discernir o tempo que avança,
Preparando educandos a transformar desafios em esperança.
X
Tendo como missão ensinar com propósito e cuidado,
Construir saberes no encontro entre luz e razão,
Semear conhecimento com rigor e humanidade
À sombra de valores cristãos no coração da educação com majestade
Formar consciências livres, justas e sensíveis,
Onde a ética orienta cada gesto e decisão,
Respeitar as diferenças como dons indivisíveis,
Fazendo da diversidade um caminho de união.
Comprometidos com a cidadania que transforma,
Educar é servir: é assim que a missão se confirma e se forma.
XI
No coração de Cáceres ergue-se um farol de saber,
O Colégio Imaculada Conceição, feito de história e vocação,
Onde cada sala guarda sementes de futuro,
E cada passo no pátio ensina a caminhar com sentido.
Ali, alunos e alunas aprendem mais que letras e números:
Aprendem o valor do respeito, da escuta e da partilha,
Forjam caráter entre livros, silêncios e descobertas,
Unem fé, conhecimento e compromisso com a vida,
Crescem como cidadãos atentos ao mundo que os cerca,
E levam consigo a marca de uma formação que permanece.
XII
No amanhã que desponta, o Colégio Imaculada Conceição florescerá,
Como jardim de saber, fé e esperança entre gerações.
Seus corredores guardarão sonhos em marcha,
E cada sala será semente de luz e responsabilidade.
Sob o olhar sereno de Santa Emilie de Villeneuve,
Brotarão coragem, serviço e amor ao próximo.
Ela abençoará mãos que ensinam e corações que aprendem,
Tecendo futuro com disciplina e ternura.
Entre livros e valores, a missão seguirá firme,
E o tempo reconhecerá a obra viva da educação que transforma.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
Cáceres, MT - 03 de fevereiro de 2026
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