Caminho entre vozes que me chamam por nomes distintos,
Cada uma prometendo um sentido para a jornada.
A dispersão espalha placas em todas as estradas,
E eu, diante delas, descubro a vertigem da escolha:
Ser livre é também correr o risco de se perder.
O mundo oferece mil distrações por minuto,
Como se o vazio pudesse ser preenchido pelo movimento.
Mas quanto mais persigo os brilhos passageiros,
Mais percebo que a fuga não responde às perguntas
Que me esperam em silêncio dentro de mim.
A sabedoria não surge como uma revelação celeste;
Ela nasce da decisão de permanecer.
É um ato de resistência contra a correnteza do ruído,
Uma recusa em trocar profundidade por novidade,
Presença por dispersão, ser por parecer.
Há um deserto escondido sob o excesso de estímulos.
Nele, as certezas evaporam ao sol da consciência.
Restam apenas o tempo, a finitude e a escolha.
E é ali, onde nada nos distrai de nós mesmos,
Que começamos a construir significado.
Quem sabe a sabedoria seja isto: aceitar o abismo
Sem a necessidade de cobri-lo com distrações.
Olhar para a própria existência e não desviar os olhos.
Compreender que o sentido não é encontrado pronto,
Mas criado na atenção que dedicamos à vida.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense













