Quando estou carente de amor, me desfaço em silêncio,
Como se o peito fosse vasto demais para conter o vazio.
Há um eco suave chamando meu nome por dentro,
E minha alma, inquieta, se desprende do corpo cansado,
Partindo sem mapas, guiada apenas pelo sentir.
Ela caminha por trilhas que os olhos desconhecem,
Onde o tempo se curva e a dor perde a força.
Carrega consigo meus desejos mais secretos,
E um coração pulsando em busca de abrigo,
Como quem espera ser encontrado no infinito.
Há uma ternura no modo como ela se afasta,
Não é fuga, é uma esperança em movimento.
Vai recolhendo fragmentos de luz pelo caminho,
Como se costurasse estrelas no tecido do vazio,
Para vestir de sentido aquilo que em mim se rompe.
E lá longe, onde as estrelas dormem em silêncio,
Ela repousa entre sonhos que nunca envelhecem.
Escuta o universo como quem ouve um segredo antigo,
E por um instante, esquece a falta que me habita,
Tornando-se leve como o sopro de um suspiro.
Então retorna, aos poucos, ao meu peito cansado,
Trazendo consigo um brilho que não sei explicar.
E mesmo que o amor ainda não tenha chegado,
Deixa em mim a certeza de que ele existe,
Como as estrelas, distantes, mas sempre a brilhar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














