Nele floresciam os sonhos mais belos.
Eu os regava com esperança.
Cada amanhecer renovava a expectativa.
Nada parecia impossível.
Então vieram os dias silenciosos.
O vento mudou o rumo das estações.
As flores perderam o perfume.
A paisagem tornou-se distante.
Meu coração aprendeu a esperar menos.
Não renunciei por falta de coragem.
Renunciei porque a vida exigiu maturidade.
Algumas portas permaneceram fechadas.
Alguns caminhos não eram meus.
Aceitei o que não podia mudar.
Ainda recordo aqueles antigos sonhos.
Eles visitam minha memória sem fazer ruído.
Não despertam revolta nem arrependimento.
São páginas de uma história verdadeira.
Continuam fazendo parte de quem sou.
Hoje caminho com as mãos livres.
Levo comigo apenas o essencial.
A esperança já não depende das antigas promessas.
Ela nasce da força de recomeçar.
E segue comigo para onde a vida me levar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














