É farol que não pede navios;
Acende-se, e o mar em que navego
Revela não rotas, mas redemoinhos.
Minha ignorância era um jardim
Onde floresciam conceitos sem raiz;
O vento da tua lucidez passa
E levo tempo para notar
Que as pétalas eram papel.
Tu persuades como quem guia
Um cego por um labirinto:
Não empurras, apenas dizes
Que a próxima esquina não tem saída.
E eu, tentando manter a dignidade,
Descubro que jamais soube a entrada.
Se o saber é pássaro,
O desconhecer é o céu,
E céu não se possui.
Assim tua consciência cresce
Como árvore que não inveja sombra,
E a minha, pensando ser floresta,
Mostra-se apenas tronco e presunção.
No fundo, persuadir é soprar
Sobre o espelho das águas
Até que o reflexo se parta,
E o que eu chamava rosto
Se revele apenas máscara de neblina.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














