Não é centelha que acende e se apaga,
É fio contínuo costurando as horas,
Um gesto repetido que se torna forma,
Um ritmo que educa o próprio tempo.
Há quem pense ser tarefa solitária,
Um bloco isolado no meio do dia,
Mas é corrente que atravessa tudo:
O café, o silêncio, a luz da tarde,
E até o cansaço que insiste em ficar.
Organizar-se é mais que cumprir horários,
É dar sentido às pequenas escolhas,
É transformar minutos dispersos
Em território firme e habitável,
Onde a mente aprende a permanecer.
O mundo lá fora gira em ruído,
Notificações, pressa e distrações,
Um caos vestido de urgência constante,
Mas quem aprende a ordenar o dia
Cria dentro de si um lugar de calma.
E nesse espaço, quase invisível,
O saber cresce sem alarde,
Como raiz que se aprofunda no escuro,
Sustentando árvores que ainda virão,
Sem precisar anunciar sua força.
Assim, estudar deixa de ser esforço,
E torna-se um modo de existir,
Um caminho traçado entre os dias,
Onde cada passo é também abrigo,
E cada escolha, um gesto de lucidez.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














