O escritor carrega um mundo nos olhos,
Mas ninguém vê o peso que ele sustenta,
Sorri enquanto a alma se rasga,
Pois sente demais o que é de todos,
E sofre em silêncio o que não lhe pertence.
Há dores que não são suas, mas ardem,
Como feridas abertas no tempo alheio,
Crianças chorando em ruas distantes,
Injustiças sussurradas na noite,
E tudo encontra morada em seu peito.
Ele escreve para não sucumbir,
Cada palavra é um grito contido,
Cada verso, um pedido de respiro,
Pois o mundo invade sua carne,
E não há portas que o protejam.
Ser escritor é sangrar em segredo,
É sentir o invisível do sofrimento,
É traduzir a dor que não tem voz,
E oferecer ao papel a própria alma,
Como quem tenta salvar o indizível.
Mesmo assim ele permanece,
Teimoso diante do caos humano,
Pois acredita, mesmo ferido,
Que dar forma à dor do mundo,
É um modo de não deixá-la vencer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense







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