O último sonho.
Você apenas percebe
Que o café esfriou
E que ninguém está esperando por você.
A vida sempre cobra a conta.
Alguns pagam com dinheiro,
Outros com noites em claro.
No fim, todos deixam algumas moedas
Sobre a mesa do tempo.
Eu já quis mudar o mundo.
Depois quis mudar a mim mesmo.
Descobri que ambas as tarefas
Quebram os ossos
De quem insiste demais.
Quando o último sonho chegar,
Não quero discursos.
Abra a janela, deixe o vento entrar,
E permita que o silêncio faça
O trabalho que sempre soube fazer.
Se houver alguma vitória,
Ela será pequena:
Ter atravessado o caos sem vender a alma,
Ter encontrado um ou dois sorrisos verdadeiros,
E partir sem fingir que a vida devia ter sido outra.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














