A dor pertence ao tempo que a gerou.
Não me peças para carregar teu fardo.
Cada escolha conduz ao seu destino.
Aceita o caminho que escolheste.
Não lamento o que não pude governar.
Só me pertence o governo da minha alma.
O afeto sem prudência torna-se prisão.
A serenidade vale mais que o arrependimento.
Por isso permaneço onde estou.
Não recolho os cacos de antigas ilusões.
O vaso partido jamais volta ao primeiro estado.
Mas quem aprende com a perda se fortalece.
A virtude nasce da lucidez, não da carência.
Assim preservo minha paz.
Quem retorna apenas depois da tempestade
Não encontrou o amor, mas o medo da solidão.
Não sou abrigo para fugas tardias.
Prefiro a verdade de uma ausência
À mentira de um reencontro.
Sigo adiante sem rancor nem desejo de vingança.
O que passou já não reclama minhas forças.
Levo comigo apenas o que edifica o caráter.
A liberdade floresce na reta consciência.
E a paz é a maior vitória do coração.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














