domingo, 18 de agosto de 2019

Anjos e demônios


Chega dá um nó na orelha 
Só de pensar em tudo isso. 
Será que existe amor nessa cidade? 
Ando por um labirinto 
Onde casas parecem cair quando passo por elas. 
Um anjo está à espreita no alto de um prédio antigo 
E parece olhar as pessoas que transitam pelas ruas. 
As pinturas gritam 
A melancolia de uma linda frase 
O que parece flores de um buquê. 
Mas, flores de buquê estão mortas. 
Será que existe amor pela cidade? 
Os bares estão cheios 
As almas estão vazias 
Morfina de uma rotina sem sentido algum. 
Há ganância por toda parte, 
Vaidade em todos os salões 
Acho que ninguém vai para o céu. 
Vejo demônios escondidos nas ruínas, 
Nos escombros... 
Sofro a resignação 
E nem preciso morrer para ver Deus. 
Será que existe amor na cidade? 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Minha forma de amar



Olho em seus olhos e vejo o brilho do amor 
Então eu quero poder expressar todo o sentimento 
Que o meu coração não consegue esconder 
Mesmo eu tentando de todas as formas não demonstrar. 
Meus olhos se entregam 
Sua beleza me fascina e me deixa inquieto 
Eu vejo você sorrindo 
E todas as minhas forças acabam-se 
Diante da magnitude deste sorriso. 
Tu és uma flor que desabrocha no jardim 
Na primavera do meu coração. 
Não precisou fazer nada 
Para conquistar a minha admiração 
E eu vejo em você aquela beleza nostálgica 
Que nunca vi em mais ninguém. 
Minha forma de amar é singela 
Porque queria ter o poder de alcançar o seu coração 
De viver com você as mais loucas aventuras 
E me entregar completamente. 
Eu que sofri de amor 
Que padeci em minhas jornadas 
E fiquei cheio de cicatrizes cruéis 
Não queria mais acreditar na paixão. 
Mas, você chegou diante de mim, 
Silenciosa e em passos lentos 
Ficou na minha frente e pude ver o seu olhar 
Seu sorriso tímido acabou com minhas resistências 
E quando vi lá estava eu outra vez perdido 
No caminho incógnito deste sentimento. 
Tão linda donzela a povoar a minha mente 
Faz-me sonhar os sonhos apaixonados 
E desejar estar com você o tempo todo. 
Eu só sei que não tenho mais a tranquilidade 
De caminhar sem pensar em você. 
Tu que és a mais linda flor 
Que meus olhos contemplaram 
Neste imenso jardim da existência. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Os tentáculos do sistema



Em qual estágio da vida estamos inseridos? 
Como viver em um sistema como este? 
Política é a arte de fazer barganha 
Um sistema que corrompe as almas 
Destrói os sonhos 
E detona os anseios dos pequenos. 
Não se pode livrar 
Dos tentáculos cruéis do sistema 
Que distribui armadilhas para os pés 
Incautos de uma sociedade 
Alienada pelas mídias sociais. 
Solto um grito de horror 
Por fazer parte de uma geração 
Que suporta sem resignação 
Um rolo compressor midiático 
Esmagar cérebros inteiros 
E os reduzir a simples massa de manobra. 
Há uma força escravizadora 
Que inutilizam nossas mentes 
Fechando todas as portas da liberdade 
Para um pensar equilibrado. 
Como sobreviver dentro desse sistema 
Quando o diagnóstico é de que 
Não há nenhuma previsão de melhora? 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

A bailar em minha mente



Encanto-me com seu olhar 
E o meu desejo é te amar 
De forma louca e pura 
Com sentimentos e ternura. 
Seu sorriso revela-me o carinho 
Gentil de uma dama 
A bailar em minha mente. 
Resignado estou em expor minh’alma 
E inquietar-me-ia se não dissesse a você 
Todo o sentimento de meu coração 
E a admiração que tenho por ti 
Desde o dia em que vi o seu lindo olhar. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 10 de agosto de 2019

Onde estão às poesias dos que são mortos?


Quem pode decompor as esmolas 
Saciar a fome 
Suprimir a solidão existente? 
Essa angústia que aflige o coração 
Esse animal feroz que persegue a alma 
Nos silêncios do vazio existencial. 
Abate. 
Mortes. 
Extermínios. 
A dor expressa na face triste do mendigo 
Que vomita o que comeu. 
Quem pode abocanhar o pão da humilhação? 
Onde estão às poesias 
Dos que são mortos pelas madrugadas? 
Sou um hospedeiro que devora tudo 
Que ingere bebidas 
Que defeca ignorância 
E lamenta pelos que desviam os impostos 
Que são pagos por gente explorada. 
Que merda somos nós? 
Caminhando por um mundo cheio de gente ignóbil 
Que nos causam vergonha e sofrimento. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

Tudo



Tudo tão nefasto, tão profundo 
Tão silencioso 
Como o oceano a perder de vista 
Tão trágico 
Na alegria do cego perdido 
Tudo escuro, tão surreal 
Como o pássaro que voa na alvorada 
De uma solidão qualquer 
Tudo tão estranho, tão assustador 
Como a estrela vermelha de uma bandeira 
Que não tremula no vento leste 
Daquela tristeza intrínseca 
Tudo tão caótico, tão sério 
Como o marinheiro olhando o imenso vazio 
Do qual está prestes a desbravar 
Sem saber se um dia retornará 
Tudo tão alegre, tão feliz 
Como o passear de um ancião 
Ante a correria de uma criança 
Em uma praça qualquer 
Tudo tão encantador, tão fugaz 
Como o sorriso da donzela 
Que não descobriu o amor 
E nem por ele foi amaldiçoado 
Tudo tão perfeito, tão certo 
Como a brisa da manhã 
Depois de uma longa noite de agonia 
Do jovem solitário 
Tudo tão apaixonado, tão louco 
Como o lobo na estepe 
Espreitando a presa ao longe 
Sem saber que está sendo vigiado 
Tudo é tão sem noção na vida 
Sem sentido algum 
Que apago de minha memória 
Tudo aquilo que me fez sofrer 
Tudo faz sentido 
Quando olhamos no espelho 
E não conseguimos enxergar o horizonte 
Que nunca, em tempo algum, existiu. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 6 de agosto de 2019

O amor que procurei a vida toda



Hoje me calei diante da magnitude do amor. 
Ele é um sentimento sublime 
E, ao mesmo tempo, inexplicável. 
A vida é feita de momentos e a felicidade também. 
Hei de esperar-te. 
Demorei muito para encontrar meu verdadeiro amor. 
E hoje sei que o encontrei. 
Sabe por que sei que te amo? 
Sei por que sinto meu coração pulsar 
Mais acelerado toda vez que te vejo. 
E quando não te vejo fico imaginando você. 
Fico sonhando com o dia em que estaremos juntos. 
Caminhando lado a lado rumo ao infinito. 
Você está esplendidamente linda. 
Uma blusa preta realça a beleza do seu corpo 
E faz-me desejar-te loucamente. 
Seus lábios são um convite ao amor. 
Sinto meu coração bater mais forte. 
Desejo-te muito além da minha imaginação. 
Tens o encanto da flor que procurei 
Em todos os jardins onde consegui 
Colocar meus pés cansados da longa procura. 
Sou um cavaleiro que almeja um descanso para a alma. 
Você é à sombra da árvore no meio da planície. 
Debaixo de suas folhas devo encostar-me 
E sentir a brisa da tarde me mostrando 
O quanto valeu a pena esperar por você. 
Hoje te fiz uma pergunta bem simples: 
O que você faria se encontrasse seu verdadeiro amor? 
Você me respondeu que conquistaria essa pessoa. 
Pois bem, é isso que resolvi fazer. 
Você é o amor que eu procurei a vida toda. 
Vou fazer o possível para conquistar seu coração 
E fazer você uma mulher feliz. 
Você merece ser feliz. 
Tens muitas qualidades que merece ser valorizada 
Por um homem que vá te dar muito carinho. 
Prometo te amar e dar a afeição 
Que você sempre quis na sua vida. 
Você merece uma oportunidade para ser feliz. 
Pense um pouco mais sobre sua vida. 
Como te falei, não seja louca não, 
Veja para quem dá seu coração. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Vejo seu sorriso e fico a contemplar-te


Dentro de mim existe um sentimento 
Que meus olhos não propagam 
Para que o mundo tenha conhecimento 
Do amor e angustia que me esmagam. 

Caminho como um peregrino alado 
Em uma estrada longa e sofrida 
Por carregar no peito e sofrer calado 
Uma paixão secreta e dorida. 

Paixão que nasceu ao contemplar seu olhar 
Em um dia alegre de verão 
Mesmo com o passar do tempo e vindo o luar 
Não mais consegui tira-lo do coração. 

Amo-te com um desejo profundo 
De aquecer-me em seus braços na noite fria 
Apagar de mim a tristeza do mundo 
E encontrar no seu carinho a alegria. 

Fico parado no tempo como um admirador 
Na distancia vejo seu sorriso e fico a contemplar 
Enquanto no meu peito surge uma dor 
Porque te amo e não posso te falar. 

No meu profundo e silencioso sofrer 
O tempo parece ser meu inimigo 
Pois você segue firme em seu viver 
E considera-me apenas como amigo. 

Preciso encontrar uma forma de te dizer 
O quanto causas em mim um desejo 
Que preciso ir além da amizade, o querer, 
Possuir teus lábios em um beijo. 

Por isso escrevo-te hoje essa poesia 
Que expressa, por você, todo meu amor, 
Espero que não ache ser apenas uma fantasia 
Mas, que venha dar-me o seu calor. 

Que ela possa adentrar seu coração 
Como uma flecha lançada ao luar 
E que transmita a minha paixão 
E toda a vontade em te amar. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Medo primitivo


O que é a guerra? 
E por que os homens vivem se digladiando 
E destruindo-se uns aos outros? 
Não deveria ser assim, 
Mas enquanto a humanidade existir 
Dominada pelo pecado 
Os homens continuarão guerreando. 
Continuarão se digladiando por puro medo. 
Há um medo primitivo 
Desde as escuras cavernas 
Que é impossível ser eliminado 
Do coração humano. 
O homem não reconhece o Criador 
E teme as outras criaturas. 
E matam. 
E derramam sangue 
E contamina a Terra 
E a Terra clama e agonia-se. 
O que vemos? 
A guerra não é mais uma disputa entre homens 
É um massacre entre dominadores e dominados. 
É chacina nas favelas 
E extermínio nos campos de refugiados. 
É perseguição religiosa 
E genocídio por extremistas. 
Bombas, tanques e canhões. 
É uma batalha contra as mulheres 
Contra crianças indefesas 
Contra os idosos e deficientes. 
Não há um senso de equilíbrio. 
Os inválidos que não podem lutar 
Sucumbem diariamente 
Diante da violência 
Causada pelo medo primitivo do homem 
Que se afastou de seu Criador. 
Toda natureza geme 
E seus gemidos estão chegando diante de Deus. 
Só há uma saída para esse caos, 
Um retorno aos princípios bíblicos. 
Mas, parece que essa não é a escolha 
Do mundo atual. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O Sorriso e a Lágrima


Conheci-te na noite em que o tempo nos destinou 
Onde um sorriso espontâneo rompeu com toda a tristeza; 
O sorriso que cativou um coração que a muito te desejava 
Mesmo não sabendo que a tua existência era uma certeza. 

Naquela noite houve um encantamento 
Um misto de paixão e ternura que nos envolvia; 
Na descoberta do amor 
Não imaginava que isso meu coração sentia. 

Em cada palavra que você dizia, em cada gesto 
O deslumbramento de alegria de seus olhos despontava; 
Amar-te foi conseqüência desse lindo sorriso 
Que ao invadir minha alma fez-me perceber que a amava. 

Sentados um em frente o outro nos possibilitou ver 
O encanto que pode fluir de um olhar; 
O que bebemos e dissemos não foi tão marcante 
Quanto o que sentimos na alma sob a luz do luar. 

O calor do seu corpo envolto em meus braços 
Foi fantástico e deixou-me sentir as batidas de seu coração; 
Deixou transparecer o doce aroma de seus lábios 
E fez-me amar-te com muita paixão. 

As noites foram tão lindas e ao mesmo tempo pequenas 
Lindas pelo amor revelado; 
Pequenas por que passaram tão depressa 
Que a saudade delas deixa o coração desesperado. 

Não seria perfeito se não houvesse as lágrimas 
Aquelas que saíram de seus olhos e enxuguei de sua face: 
Não que fosse momento de chorar 
Mas porque revelaram a saudade de um amor que ali nasce. 

O sorriso e a lágrima, disse-te, seria o tema de um poema 
Que pudesse marcar o tempo da nossa paixão; 
Escrevo-te esse poema para registrar eternamente 
A linda emoção que dominou meu coração. 

O coração tem razão que a própria razão desconhece 
Há muito já dizia os sábios; 
Não existem palavras para expressar o sorriso e a lágrima 
No entanto, jamais esquecerei seus lábios. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 31 de julho de 2019

Jardim exótico


Parecia imperceptível a visão do paraíso 
Que se escondia diante daqueles olhos 
Meigos e tristemente solitários. 

Havia uma brisa na penumbra 
Que descortinava silenciosamente 
Com os passos lentos de sua caminhada. 

Não sei ao certo se ouvia o seu soluçar 
Ou se ela cantarolava uma canção 
Que mexia com o meu sentimento. 

A beleza intensa de seu olhar 
Tão profundo como o oceano 
Era capaz de tirar a paz de qualquer um. 

No jardim exótico desfilava 
A magnitude de um sorriso meigo 
Que irradiava de sua alma singela. 

Tal beleza não poderia ser descrita 
Por nenhuma alma mortal 
De tamanha divindade que vislumbrava. 

Então me deixei navegar silenciosamente 
Nas águas tranquilas de um riacho 
Ouvindo os pássaros no jardim. 

As flores e as borboletas 
Misturavam-se com aquele sorriso 
E deixava o jardim tão exótico. 

Eternizada em versos e prosas 
A beleza daquele sorriso indelével 
Que transmite a paz que sinto agora. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 30 de julho de 2019

O flanelinha e a puta (parte 2) - A puta


Mal vi o flanelinha virar na esquina recebo uma ligação 
Um amigo me convidando para ir ver umas “meninas” 
- Não tenho dinheiro! 
- Vamos só tomar uma cerveja. 
Tarde de calor. 
Ideal para se tomar uma gelada. 
- Vamos lá. 
O que não se faz por um amigo? 
Lá fomos nós. 
Não preciso nem dizer que há vários locais nas periferias da cidade 
Que possibilita oportunidades para se conhecer uma garota. 
Mas, devo salientar que esses ambientes não são salubres. 
Nem bonitos. 

Uma moça de sorriso espontâneo 
Batom vermelho, seios fartos, 
Realçados pelo decote de uma blusa curta 
Short mais curto ainda e aberto 
Deixa transparecer um par de coxas salientes 
Com uma tatuagem em uma das pernas 
Vem sentar-se ao meu lado. 
- Oi bebezinho – diz ela com uma voz suave 
- Você pode pagar um uísque para mim? 
Qualquer bebida nesses lugares é o olho da cara 
Dá para comprar um engradado de cerveja em outro lugar. 
Invento uma desculpa e digo que só posso pagar uma cerveja 
Enquanto meu amigo se diverte com uma loira. 
- Vou para o quarto com ela – diz ele. 
Tenho que esperar. 

Então começo a conversar com a morena 
Que insiste em passar as mãos pelo meu corpo e me chamar de bebezinho. 
Por que as pessoas gostam de me chamar de bebezinho? 
Sei lá. Até que gosto. 
Então insisto com ela que não tenho dinheiro e que ela pode tentar agradar outro. 
Tinha acabado de chegar outros caras. 
- Gosto de você – diz ela – e esses caras ai vão lá para os fundos. 
Nos fundos do bar há mesas e outras garotas 
Bebendo e conversando. 
Vejo uma tomando banho em uma ducha 
Ainda está muito calor. 
Ela está seminua e não tem como disfarçar o olhar 
Ela sorri e faz uma bagunça para chamar a atenção. 
- Vai ficar olhando para ela? 
Então me volto para a menina ao meu lado. 
- Por que você fica aqui? – Pergunto. 
É possível ver em seu rosto as marcas do sofrimento. 

Conta-me, então, parte de sua história. 
Não conheceu o pai e a mãe não tinha condições de criá-la. 
Por viver uma vida miserável 
Fugiu de casa com quatorze anos 
Ficou grávida e teve um filho 
O pai do garoto nem quis saber de vê-la e muito menos do filho. 
Não queria que o filho passasse pelo mesmo que ela passara 
Por isso resolveu trabalhar para sustentá-lo. 
Como não conseguia emprego 
(não tivera oportunidade de terminar os estudos) 
Resolveu ser prostituta 
- Eu sou uma puta – ela diz para mim. 
Ela mesma me pede para chamá-la de puta. 
- Tem meninas aqui que não gosta, mas nós somos putas. 
Fico constrangido e ela nota isso. 
- Não se preocupe, bebezinho, isso é normal para mim. 
Então ela brinca com minha timidez 
Mas, na verdade o que sinto é estranhamento. 
- Quanto ganha fazendo isso? E seu filho, onde fica? 
Eu estava curioso e como ela havia aberto a possibilidade, queria saber. 
Disse-me que, às vezes, no começo do mês, dia de pagamento, 
Costuma tirar um bom dinheiro. 
- Teve uma vez que fiquei com 8 caras no mesmo dia. 
Fiz a conta na cabeça rapidamente: 
800 reais em um dia! 
Caramba! 
- Mas, tem semanas que ficamos aqui e não aparece nem uma viva alma. 
Ela, então, me contou sobre as rivalidades, sobre a concorrência, 
A exploração do dono ou dona do lugar 
Das condições miseráveis onde dormem, 
Da comida horrível que se alimentam 
Dos homens violentos que querem abusar porque estão pagando... 
Não sabia o que dizer. 
- Ah, o meu filho tem 4 anos e fica com minha avó. 

Meu amigo volta de sua aventura. 
A loira sorri, ele sorri. 
A felicidade! 
Ah! Ela existe. 

Deito-me na minha cama e começo a refletir sobre o meu dia. 
O que é a vida? 
Quem somos nós? 
De onde viemos? 
Para onde vamos? 
O flanelinha e a puta. 
A vida deles é melhor ou pior do que a minha? 
É pior ou melhor do que a sua? 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 29 de julho de 2019

O flanelinha e a puta (Parte 1) - O flanelinha



Por coincidência encontrei os dois no mesmo dia. 
O flanelinha em frente ao Banco do Brasil 
Tarde de calor como é costume em Cáceres 
O sol abrasador no seu fulgor tradicional 
E lá estava ele para cobrir a moto com um papelão. 

Ao sacar o dinheiro no caixa eletrônico 
Depois de esperar em uma fila enorme 
Em um banco que mais parece uma lata de sardinha 
Separei os dois reais para entregar-lhe ao sair. 
Nem me julguem se isso é certo ou errado 
Cada um age de acordo com sua consciência. 

Ele sorriu para mim ao ver que lhe daria dinheiro 
Os dentes apodrecidos, mas feliz, 
As mãos sobre a testa empoeirada e cheia de suor 
Tentando se livrar do sol que batia em seus olhos. 
- Obrigado moço – disse ele – você é muito gentil 
Quase ninguém faz isso. 

Olhei para os lados e as pessoas caminhavam freneticamente 
Cada uma em seus pensamentos 
Com seus problemas particulares 
Contas para pagarem, dificuldades para resolverem. 
- A vida é assim mesmo – disse-lhe. 
Sorriu. 

Poderia ter feito como sempre faço: 
Subir em minha moto e ir para casa ou trabalho 
A vida segue seu curso, afinal. 
Mas, do nada me veio a ideia 
De chamar aquele homem castigado pela vida 
Para tomar um suco de laranja. 
Ele sorriu mais uma vez: 
- Sério? 
- Sim. Com uma condição. Você me conta porque está nesta situação. 
Topou e fomos tomar o suco na lanchonete. 

Dei-lhe a liberdade de escolher um salgado 
Ele comeu dois. 
Enquanto comia ele me contou a sua biografia: 
Não tivera oportunidades de estudar 
Nunca conheceu o pai e a mãe não teve como sustentá-lo. 
Viveu parte da infância com a avó, 
Mas ela morreu e ele resolveu viver nas ruas. 
Usava drogas (só para manter a vício) 
- A vida não é fácil, moço! 

Não posso expressar a sensação que tive ao vê-lo comer o lanche 
E ele sorria ao contar-me a sua história. 
- É bem concorrido aqui 
Tem bastante gente precisando ganhar uns trocados. 
Então, não resisti a pergunta que me incomodava: 
- Quanto você consegue tirar com esse trabalho? 
Ele fez uma cara séria. 
Pela primeira vez não sorriu. 
Mas, foi por pouco tempo, 
Logo abriu um largo sorriso 
Mostrando os poucos dentes que ainda lhe restava na boca. 
- 50, 80. Depende do dia e da boa vontade das pessoas. 
Não sei dizer se isso é muito ou pouco 
Não fiz a conta para saber quanto dá no final do mês 
Mas, é uma vida miserável depender dos outros. 
- Pelo menos não estou roubando. 
"Verdade". Pensei comigo. 

Ele me agradeceu pelo lanche 
Falou-me palavras de agradecimentos e sorriu mais uma vez. 
Não sei por que, mas senti vontade abraça-lo. 
Claro que ele se assustou 
E as pessoas ali na lanchonete também: 
- Vá com calma – disse ele – não sou gay nem gosto disso. 
O que fazer? 
Também não sou gay e nem era essa minha intenção. 
Vi ele se afastando balbuciando alguma coisa: 
- Esses engomadinhos! Tudo boiola! 

(Continua...) 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 28 de julho de 2019

Pensei ter ouvido você sorrir


Minha mente caminha confusa 
Tenho um misto de sentimento em meu coração 
Torna meus dias atormentados 
Porque não sei ao certo o que aconteceu. 
Não ouço mais os seus passos 
Nem sinto o seu perfume espargido pelo ar 
Mas, sinto as batidas do seu coração, 
E pensei ter ouvido você sorrir. 
A solidão é cruel nessas noites sombrias 
E a falta que você faz não tem sentido 
Nada é capaz de ofuscar o brilho de seus olhos 
Que ainda teimam em espantar a escuridão. 
Sinto saudades de você 
Saudades que tortura o meu pobre coração 
Que procura encontrar-te nas nuvens 
Onde navega os meus pensamentos. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense