Entre o ranger das janelas e o pó dos livros esquecidos,
Ouvimos o vento. Não o vento dos campos,
Mas aquele que atravessa corredores vazios ao entardecer,
Onde ecos de vozes antigas permanecem suspensos
Como retratos amarelados em paredes que ninguém observa.
O professor recolhe fragmentos.
Fragmentos de filósofos, de crianças, de ruínas.
"Conhece-te a ti mesmo", murmuram as sombras;
E a resposta dissolve-se no ruído das folhas secas
Que giram sobre o pátio de uma estação sem nome.
Que sabemos nós, afinal?
O relógio continua seu trabalho indiferente,
As páginas acumulam anotações e esquecimentos,
E o pensamento sopra através das frestas do hábito,
Desalojando os móveis da certeza.
Na sala quase vazia, após o término da aula,
Restam apenas a luz oblíqua e algumas perguntas.
Talvez toda educação seja isso:
Uma conversa interrompida pelo tempo,
Um gesto lançado contra o silêncio.
E o vento continua.
Passa pelos séculos, pelas bibliotecas, pelos rostos.
Passa por Atenas, por Jerusalém, por cidades sem memória.
Passa por nós.
E entre a pergunta e a resposta, continuamos escutando.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














