Eu escrevo porque pensar sozinho
Às vezes dói demais.
O conhecimento não me elevou,
Ele me deixou sem desculpas.
Houve um tempo em que eu acreditava
Sem perceber que acreditava.
Hoje, cada ideia exige vigília,
Cada passo carrega o peso
De saber que poderia ser outro.
Descobri tarde
Que compreender não traz paz.
Traz responsabilidade.
E nem sempre tenho forças
Para sustentá-la.
Há noites em que sinto falta
Da versão de mim
Que dormia sem perguntar.
Mas sei que não posso voltar
Sem me quebrar inteiro.
O saber me isolou
Não por arrogância,
Mas porque passei a ouvir
O que antes eu abafava com ruído.
Às vezes penso
Que viver seria mais simples
Se eu não visse tão fundo.
Mas também sei
Que fechar os olhos agora
Seria uma forma de mentira.
O conhecimento não me tornou forte.
Tornou-me honesto demais
Com meus próprios limites.
Carrego pensamentos
Que não cabem em conversa,
Nem em fé,
Nem em negação.
Cabem apenas em mim.
Sei que nada garante
Que continuar valha a pena.
Mesmo assim continuo.
Não por esperança,
Mas por fidelidade
Ao que vi e aprendi.
Escrevo isso
Não para ser compreendido,
Mas para não me abandonar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














