Nem a porta que permaneceu fechada;
Aprendi que nem todo caminho perdido
É uma derrota contra o destino,
Às vezes, é o destino poupando meus passos.
Quis o que não veio, e sobrevivi;
Esperei o que não chegou, e amadureci;
Pois aquele que domina o próprio querer
Não se torna escravo daquilo que deseja,
Nem chama de tragédia aquilo que não possui.
Melhor a ausência que preserva a paz
Que a presença que alimenta uma ilusão;
Melhor perder um sonho antes de vivê-lo
Que ganhar o mundo imaginado
E perder a serenidade dentro de si.
Não exigirei da vida aquilo que ela nega,
Nem perguntarei por que fechou seus caminhos;
Aceitarei o que não posso mudar
E guardarei minhas forças para aquilo
Que ainda depende da minha escolha.
Hoje desejo menos e compreendo mais;
Não porque tenha deixado de sonhar,
Mas porque aprendi a não sofrer pelo impossível;
Se vier, receberei com gratidão,
Se não vier, permanecerei inteiro.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














