Vejo adolescentes caminhando em círculos,
Carregando bandeiras que não costuraram,
Repetindo palavras que não lhes pertencem,
Como ecos perdidos em corredores vazios.
Sentam-se lado a lado, mas habitam continentes,
Separados por fronteiras invisíveis,
Erguidas por doutrinas embaladas em certezas,
Por manuais que dispensam perguntas,
Por respostas entregues antes da dúvida nascer.
Alguns confundem opinião com identidade,
E transformam discordâncias em abismos,
Como se toda diferença fosse ameaça,
Como se o mundo coubesse inteiro
Dentro de um único espelho rachado.
Enquanto isso, a juventude desmorona devagar,
Não sob o peso das tempestades reais,
Mas sob o peso das ideias herdadas,
Que ocupam cada espaço da alma
E deixam pouco lugar para a descoberta.
Mesmo assim, acredito nas pontes possíveis,
Na conversa que desafia os muros,
Na pergunta que rompe com os dogmas,
E no jovem que aprende a pensar sozinho,
Fazendo da liberdade sua própria voz.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense



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