terça-feira, 16 de junho de 2026

A mansidão da aurora

Teu olhar tem a mansidão da aurora, 
Que chega ao mundo sem alarde algum; 
E eu, que julgava meu caminho comum, 
Perco-me nele a cada nova hora. 
 
Tento fugir, mas a razão demora, 
Pois teu encanto um por um vence 
Os frágeis muros que levantei, e convence 
Dos teus olhos que em meu peito mora. 
 
Não há correntes, grades ou prisão, 
Somente a singeleza do teu gesto 
Desarmando as defesas do meu ser. 
 
E assim me rendo à doce condição 
De carregar comigo esse manifesto: 
Que há olhares dos quais não se quer correr. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Na última hora da noite

Na última hora da noite, 
Quando a geladeira é o único animal acordado, 
Fico olhando a fumaça imaginária do pensamento 
Subir até o teto 
E desaparecer sem espetáculo. 

O dia foi o que foi. 
Algumas vitórias pequenas, 
Alguns erros idiotas, 
Contas para pagar, 
Silêncios para engolir. 

O último pensamento nunca é elegante. 
Ele chega amassado, 
Com cheiro de estrada e cansaço, 
Sentando-se na beira da cama 
Como um velho amigo sem boas notícias. 

Mas há certa honestidade nisso. 
As coisas finalmente param de fingir. 
A noite não vende esperança, 
Não faz discursos, 
Não promete finais felizes. 

Então apago a luz. 
O pensamento fica ali por mais um instante. 
Nem sábio, nem heroico. 
Apenas humano. 
E, estranhamente, isso basta. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Fogueiras antigas

Entre as páginas amareladas da tarde 
E o ruído dos relógios elétricos, 
Caminha o leitor moderno, 
Carregando em seus bolsos fragmentos de atenção, 
Recibos, notificações, promessas adiadas, 
Enquanto os grandes livros permanecem imóveis 
Como catedrais erguidas no deserto do tempo. 
 
Não foram escritos para o trem que passa, 
Nem para o olhar que desliza sobre as superfícies. 
Foram escritos para as horas vazias, 
Para o silêncio que se instala após a chuva, 
Quando as sombras dos antepassados 
Sentam-se ao redor da mesa 
E perguntam o que fizemos de nossa herança. 
 
Li algumas linhas ao cair da noite. 
O vento moveu as cortinas. 
Uma lâmpada vacilou sobre a escrivaninha. 
E entre uma frase e outra 
Ouvi o rumor distante de vozes esquecidas, 
Como se os mortos ainda habitassem 
Os corredores escuros da linguagem. 
 
Quem lê depressa recolhe apenas cinzas. 
Quem permanece encontra brasas. 
Pois os grandes livros são fogueiras antigas, 
Alimentadas por séculos de inquietação humana. 
E nós, habitantes desta era fragmentada, 
Aproximamo-nos de seu calor por um instante, 
Antes que a noite volte a reclamar o seu domínio. 
 
Então compreendemos, tarde demais talvez, 
Que a pressa era apenas outra forma de exílio. 
As páginas continuam abertas sobre a mesa. 
O relógio prossegue seu trabalho indiferente. 
Mas alguma coisa resiste entre as palavras. 
Uma pequena luz contra o esquecimento, 
Uma voz que atravessa as ruínas e permanece. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O idiota não busca o real

A ascensão dos idiotas não é um acidente histórico, 
É um sintoma metafísico. 
Ela começa quando o homem troca a dúvida 
Pelo conforto da certeza imediata. 

O idiota não pensa: ele reconhece. 
Reconhece frases, gestos, inimigos prontos. 
Pensar exige solidão, 
E a solidão assusta mais que o erro. 

A inteligência pergunta por quê
A idiotice pergunta quem disse
E, nesse deslocamento sutil, 
A verdade deixa de ser descoberta 
E passa a ser obedecida. 

O idiota não busca o real, 
Busca pertencimento. 
Prefere estar errado em grupo 
A estar só diante do indizível. 

A filosofia sempre soube. 
Não é o mal que vence o mundo, 
É a preguiça de pensar. 
O mal apenas ocupa 
O espaço deixado pelo pensamento ausente. 

A ascensão dos idiotas coincide 
Com o declínio do trágico. 
Quando o homem já não suporta 
A complexidade da existência, 
Ele exige respostas simples 
Para perguntas que não as têm. 

O idiota é o homem reconciliado 
Com sua própria superficialidade. 
Ele não sofre por não saber, 
Sofre apenas quando alguém lhe lembra 
Que poderia saber mais. 

O mais assustador em tudo isso é que 
Os idiotas não odeiam a inteligência, 
Odeiam o espelho que ela oferece. 
Pois pensar é reconhecer 
Que somos sempre menos prontos 
Do que gostaríamos de admitir. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Tua lembrança nunca morre

Mesmo que quisesse 
Não diria que já te esqueci. 
Seria profanar o túmulo onde repousa teu nome, 
Ainda quente na terra da minha lembrança. 

Há fantasmas que não se exorcizam, 
Apenas se calam por um tempo, 
E à noite voltam, 
Com o perfume daquilo que nunca terminou. 

Tentei enterrar-te em cada amanhecer, 
Mas o sol, cruel, 
Te devolve à minha sombra. 
E eu, condenado, 
Revivo o crime de te amar 
Em cada respiração. 

Mesmo assim, não direi. 
Pois dizer seria trair o luto que ainda me veste, 
Seria negar o sangue que tua ausência fez correr. 

Há silêncios que gritam mais alto que qualquer adeus. 
E o meu, 
O meu é um relicário aberto, 
Onde tua lembrança apodrece devagar, 
Mas nunca morre. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 14 de junho de 2026

O sábio não culpa o destino

Não apresses os passos diante da estrada, 
Pois o tempo não recompensa a precipitação; 
Observa primeiro o peso de cada escolha, 
Como o navegante que lê os ventos antes da partida. 
Nem tudo o que chama merece resposta, 
Nem tudo o que brilha merece desejo; 
A mente serena enxerga além do instante. 

Aceita que toda ação gera consequências, 
Assim como a pedra lançada perturba as águas. 
O sábio não culpa o destino por seus descuidos, 
Mas examina a si mesmo com honestidade. 
Ele governa os impulsos antes que o governem, 
E encontra liberdade não em fazer tudo o que quer, 
Mas em querer apenas o que é justo e prudente. 

Quando a dor visitar os caminhos futuros, 
Pergunta se ela nasceu da necessidade ou da imprudência. 
Muitas feridas poderiam ter permanecido ausentes 
Se a razão tivesse sido ouvida em silêncio. 
Por isso, cultiva hoje a disciplina da reflexão, 
Pois a sabedoria é uma muralha construída aos poucos, 
E sua sombra protege os dias que ainda virão. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Quando me abri por completo

Em seus braços, lentamente me desdobrei, 
Como um bilhete de amor lido em segredo. 
Mas nem o amor respondeu às perguntas antigas. 
Continuaram abertas as portas do mistério, 
E eu permaneci habitante da minha dúvida. 

Durante muito tempo fui apenas dobra e silêncio, 
Um papel escondido de si mesmo. 
Carregava palavras que não compreendia, 
Frases escritas por mãos invisíveis, 
Num idioma que a alma esqueceu ao nascer. 

Você me leu com a delicadeza dos que procuram sentido, 
Mas nenhum olhar pode salvar outro olhar. 
Cada ser atravessa sozinho a própria noite, 
Mesmo quando duas sombras caminham juntas, 
Sob a mesma lua indiferente. 

Ainda assim, havia algo em sua presença: 
Não uma resposta, mas uma companhia. 
E talvez seja isso que chamamos amor, 
Não o fim do vazio, 
Mas alguém sentado ao nosso lado diante dele. 

Quando me abri por completo, nada foi resolvido. 
O universo permaneceu vasto e silencioso. 
O tempo continuou apagando os rastros da passagem. 
Mas, por um instante, entre seus braços, 
Aceitei o enigma de existir sem compreendê-lo. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 13 de junho de 2026

Desacelerar

Existem coisas que a pressa não permite conhecer. 
Elas permanecem diante dos nossos olhos, invisíveis. 
O movimento incessante cria a ilusão de progresso. 
Mas a alma que corre sem descanso perde o contato com o presente. 
Quando desaceleramos, percebemos o peso exato das coisas. 
Nem maior, nem menor do que realmente são. 
E nisso já existe uma forma de liberdade. 

Vejo a folha que cai sem lamentar o galho. 
Vejo a água seguir seu curso sem discutir com as pedras. 
A natureza não disputa com o tempo. 
Aceita as mudanças que lhe são impostas. 
O mesmo aprendizado é oferecido aos homens. 
Nem tudo está sob nosso comando. 
Mas a serenidade diante dos fatos continua sendo uma escolha. 

Ao caminhar devagar, descubro que nada me pertence. 
Os dias passam, os rostos mudam, as estações retornam. 
Ainda assim, há uma ordem que sustenta o movimento do mundo. 
Não preciso controlar aquilo que está além de mim. 
Basta cuidar dos meus pensamentos e das minhas ações. 
As coisas que só vejo quando desacelero não são novidades. 
São verdades que sempre estiveram ali, esperando atenção. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Não me envergonho

Nem tudo na vida é perfeito, 
E não cabe a mim exigir que seja. 
O vento não consulta meus desejos, 
Nem o tempo obedece minhas vontades; 
Aprendo, portanto, a aceitar o curso das coisas. 

Há pedras no caminho e há desvios, 
Mas a razão pode guiar meus passos. 
Não controlo o mundo que me cerca, 
Apenas o modo como caminho nele; 
Aí reside minha verdadeira liberdade. 

Talvez eu não seja um homem perfeito, 
Nem tenha vencido todas as minhas fraquezas. 
Carrego erros como lições recebidas, 
E cicatrizes como marcas do aprendizado; 
Não me envergonho daquilo que me tornou mais sábio. 

O valor de uma vida não está na aparência, 
Mas na virtude cultivada dia após dia. 
Ser justo, ser firme, ser sincero: 
Essas são as colunas que sustentam a alma 
Quando as tempestades chegam sem aviso. 

E quanto ao amor que guardo por ti, 
Não é paixão que depende da sorte. 
É escolha serena, consciente e constante, 
Nascida do que há de melhor em mim. 
Te amo do fundo do meu coração. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Educar é deixar a porta aberta

 A maioria das pessoas acha 
Que ensinar é ficar na frente da sala 
Despejando respostas 
Como quem serve café frio 
Num balcão qualquer. 
 
Mas não é assim. 
 
Educar é deixar a porta aberta 
Para que as perguntas entrem sujas de poeira, 
Sentem-se ao seu lado 
E desmontem tudo o que você levou anos 
Para construir. 
 
Os bons professores sabem disso. 
 
Eles sabem que o pensamento 
É um vento bêbado, 
Sem endereço fixo, 
Que derruba placas, dogmas 
E algumas vaidades pelo caminho. 
 
Já vi gente fugir desse vento. 
 
Preferem salas fechadas, 
Regras prontas, 
Verdades embaladas para presente. 
É mais confortável viver assim, 
Mas ninguém cresce. 
 
Então você entra na aula, 
Abre um livro, faz uma pergunta 
E espera. 
 Talvez ninguém encontre a verdade. 
Mas, se saírem dali pensando, 
O dia não foi desperdiçado. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Aquilo que me arranca o ar

Amo teus olhos que não posso ver, 
E é essa escuridão que me vira do avesso. 
Porque o que não vejo 
Me toca mais fundo que qualquer presença. 
É como se teu olhar inexistente 
Deslizasse por mim inteiro, 
Descobrindo pontos que nem eu sabia guardar. 

Sinto-te chegando antes mesmo de existir. 
Uma aproximação sem corpo, 
Mas tão densa, tão quente, 
Que meu próprio ar hesita 
Antes de continuar entrando. 
É cruel, 
Como o nada pode me atingir com tanta precisão? 

O desejo que não posso sentir 
Me invade como um golpe macio, 
Um calor que sobe voraz pelas minhas entranhas 
E faz do meu silêncio um campo em chamas. 
Não há toque, não há pele, 
Mas há algo em mim se contorcendo 
Como se teu nome tivesse peso, 
Como se tua ausência tivesse mãos. 

E quando imagino tua boca, 
Não a forma, mas a intenção, 
Um tremor profundo me atravessa. 
Aquele instante suspenso, 
Em que tua respiração 
 Inventada para um milímetro da minha, 
É tão violento 
Que quase me obriga a fechar os olhos. 
É ali que meu corpo responde, 
Como se dissesse: 
“Eu sei o que você faria se existisse.” 

Tua ausência encosta em mim 
Com urgência. 
Com uma fome antiga. 
Com uma intensidade que quase dói. 
E, sem perceber, 
Eu me inclino para ti 
Como quem se entrega ao precipício 
Antes mesmo de olhar para baixo. 

Porque há um ponto, 
Um ponto fundo, íntimo, indizível 
Onde teu impossível me rasga e me reconstrói. 
Onde meu peito pulsa rápido demais. 
Onde minhas defesas queimam 
Como se fossem feitas de papel molhado. 

E é aí que admito: 
Te desejo naquilo que não posso tocar, 
Te quero no espaço onde ninguém toca, 
Te sinto no lugar que nem o tempo alcança. 
E quando teu invisível me atravessa, 
Eu me quebraria inteiro 
Para sentir mais um pouco. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Ainda há uma esperança

As noites derramam pensamentos sobre meu peito, 
Como chuva lenta caindo sobre estradas vazias. 
Teu nome atravessa o silêncio da madrugada 
E acende lembranças que ferem e aquecem. 
Há dias em que viver longe de você parece impossível, 
Como se o mundo tivesse perdido sua direção, 
Mas ainda guardo tua voz iluminando meus abismos. 

Caminho sozinho entre sonhos interrompidos, 
Tentando encontrar sentido nas horas cansadas. 
A saudade pesa como inverno dentro da alma, 
E os relógios parecem nunca ter piedade. 
Mesmo assim, em algum lugar além da tristeza, 
Uma pequena esperança resiste ao frio da ausência, 
Como estrela escondida atrás das nuvens da noite. 

Penso que o amor seja isso: permanecer esperando, 
Mesmo quando o coração aprende a sofrer calado. 
Talvez a distância não destrua o que é verdadeiro, 
Apenas transforme o sentimento em algo mais profundo. 
E quando a manhã tocar novamente minha janela, 
Quero acreditar que o destino ainda nos guarda 
Um reencontro capaz de devolver sentido à vida. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Enquanto o mundo corre

 Por onde ando, carrego olhos acesos, 
Não passo, eu permaneço nos detalhes, 
Recolho o que escapa das mãos do tempo, 
Ouço o silêncio escondido nas esquinas, 
E visto a vida com palavras ainda cruas. 
 
Vejo no rosto alheio um espelho partido, 
Cada fragmento me conta uma história, 
O riso, às vezes, é máscara cansada, 
O olhar distante revela um abismo, 
E eu transformo tudo em verso pulsante. 
 
Caminho lento enquanto o mundo corre, 
Sou abrigo do instante que ninguém guarda, 
No vento, leio recados invisíveis, 
Nas portas fechadas, imagino universos, 
E na poeira, descubro memórias esquecidas. 
 
Não fujo do peso das coisas simples, 
Há poesia até no cansaço das mãos, 
No suspiro que ninguém percebeu, 
No adeus que ficou preso na garganta, 
Eu recolho dores como quem colhe flores. 
 
Sigo escrevendo o que me atravessa, 
Sou feito de encontros que não me pertencem, 
Transformo o viver em linguagem da alma, 
Pois tudo que toco me pede eternidade, 
E eu respondo, existo em forma de poesia. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Poesia cósmica

O amor lê a distância como quem decifra um sussurro antigo, 
Recolhe da noite aquilo que o tempo tentou esconder, 
E pousa leve sobre o silêncio dos corpos que esperam. 
Há nele uma ciência secreta, sem mapas ou medidas, 
Uma forma de saber que nasce antes da palavra. 

Ele atravessa o escuro como quem reconhece um lar, 
Mesmo quando tudo é estranho e sem nome. 
Nas estrelas mais frias encontra vestígios de calor, 
Como se cada ponto distante guardasse uma memória 
Do que fomos antes de sabermos que éramos. 

Se lê o que está escrito no longínquo do universo, 
É porque também escuta o que treme no peito. 
O coração, esse território inquieto e desordenado, 
Não se esconde de quem aprendeu a sentir o invisível, 
Nem resiste ao toque de quem sabe esperar. 

Amar é abrir-se como céu em noite profunda, 
É permitir que alguém leia tuas constelações internas, 
Mesmo aquelas que ainda não têm nome. 
É aceitar que há verdades que não se dizem, 
Mas se revelam no instante em que dois silêncios se encontram. 

E quando enfim o amor compreende, ele não explica, 
Não traduz em palavras o que arde no íntimo. 
Ele apenas permanece vasto, atento, inevitável, 
Como uma estrela que insiste em brilhar, 
Mesmo quando ninguém olha para o céu. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

O eco do que não te disse

Havia palavras guardadas pra ti, 
Mas guardei demais. 
E agora, são cacos dentro do peito 
Que me cortam toda vez 
Que tento esquecer teu nome. 

Fiquei calado quando devia ter gritado, 
E gritei por dentro quando já era tarde. 
Tu te foste leve, 
Como quem desaprende de repente 
A ser abrigo. 

E eu fiquei aqui, 
Com as palavras que não disse, 
Morrendo de sede ao lado do poço 
Onde um dia bebi teu olhar. 

Há noites em que quase te escrevo, 
Mas me falta coragem, 
Me sobra ausência. 
E o que eu queria dizer 
Já não alcança mais teu coração, 
Porque não é mais teu, 
Nem meu, 
Nem de ninguém. 

É só ruína. 
Ruína do que poderia ter sido 
Se eu tivesse falado 
Na hora exata 
Em que o silêncio 
Te levou embora. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense