Eu senti muito, mais do que o corpo comportava, Um sentir que não cabia nas mãos nem no tempo,
Como se o adeus tivesse peso e respiração,
Como se cada segundo ao teu lado gritasse permanência,
Mesmo sabendo que já era quase ausência.
Antes mesmo da partida, a saudade me encontrou,
Sentou-se ao meu lado, em silêncio, sem pedir licença,
Olhou nos meus olhos como quem já sabia tudo,
E ali, no instante ainda inteiro, começou a faltar,
Aquilo que ainda estava diante de mim.
Teu nome já ecoava como lembrança, não como presença,
E eu, perdido entre o agora e o depois,
Tentava segurar o que não se segura: o instante,
Tentava impedir o tempo de cumprir seu destino,
Mas o tempo nunca negocia com o desejo.
A despedida veio mansa, mas definitiva,
Como um vento que não pede, apenas leva,
E levou de mim o que ainda nem tinha ido,
Deixando esse vazio cheio de tudo que fomos,
Esse silêncio que ainda pronuncia teu nome.
Agora sigo, mas não inteiro, nunca inteiro,
Porque uma parte de mim ficou naquele adeus,
E outra parte te acompanha, onde quer que estejas,
Somos, talvez, dois pedaços do mesmo instante,
Separados no mundo, mas unidos na saudade.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense