Não trago espada, nem coroa, nem estandarte.
Trago apenas o coração que sobreviveu às derrotas,
A memória daqueles que partiram,
E a coragem de continuar quando ninguém anuncia a vitória.
Não vejo mais você, mas não amaldiçoo a distância.
Ela também pertence ao grande mapa da vida.
As montanhas conhecem a separação das nuvens,
Os rios conhecem o abandono das nascentes,
E ainda assim todos seguem em direção ao mar que os espera.
Eu canto os homens e as mulheres que aprenderam a perder.
Canto os que enterraram sonhos e semearam esperança sobre a terra revolvida.
Canto os que atravessaram desertos sem promessas,
Os que fizeram do silêncio uma oficina para a alma,
E transformaram as cicatrizes em testemunhas da própria grandeza.
Que o tempo venha com seus invernos e suas tempestades.
Que os dias retirem de mim aquilo que jamais me pertenceu.
Não renunciarei ao espanto diante do céu,
Nem ao desejo de abraçar o mundo inteiro
Como um viajante que reconhece em cada rosto um irmão.
Assim avanço, sem pedir que o passado retorne.
Cada passo é um hino oferecido à existência.
Se um dia meu nome desaparecer entre as poeiras do caminho,
Que permaneça ao menos esta certeza:
Vivi caminhando, vivi cantando, vivi inteiro diante da imensidão.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














