Que não quero entregar a ninguém,
Porque há palavras que sangram
Quando encontram olhos curiosos,
E há dores que preferem o silêncio.
Escrevo aquilo que preciso escrever,
Não aquilo que gostaria de sentir,
Como quem abre uma janela
Num quarto escuro e abafado,
Apenas para deixar a noite entrar.
Tem versos que escondem meus medos,
Outros guardam desejos que nego,
E alguns carregam pensamentos
Que jamais teria coragem de dizer
Se alguém estivesse me ouvindo.
Acredito que o papel seja meu confidente,
Aquele que não pergunta, não julga,
Que recebe minhas sombras
Sem exigir que eu explique
Por que elas existem.
Depois fecho o caderno devagar,
Como quem sepulta uma parte de si,
E volto ao mundo com um sorriso,
Enquanto dentro de mim permanecem
Os poemas que ninguém precisa ler.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














