O intelecto, por si só, é faísca,
Mas a disciplina é a mão que a protege,
Paciente, firme, atenta ao sopro invisível do mundo.
Há beleza no gesto de quem persiste.
Quem retorna todos os dias à página em branco,
À ideia que resiste,
Ao silêncio que ensina o ouvido a escutar.
A mente disciplinada não busca glória,
Busca clareza,
A pequena centelha que ilumina o instante.
A disciplina não é prisão;
É caminho.
É a arte de voltar ao mesmo ponto
E encontrar nele outra paisagem.
Cada esforço, uma ponte.
Cada erro, um mapa secreto do possível.
O pensamento, quando guiado com ternura,
É como um rio que sabe onde quer chegar,
Ainda que suas margens sejam feitas de dúvida.
O verdadeiro saber
Não está em dominar a mente,
Mas em caminhar com ela,
Ouvindo seus silêncios,
Honrando suas sombras,
Até que o caos se transforme em música
E a chama se torne sol.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense














