quarta-feira, 8 de abril de 2026

Aprender a escutar o coração

 Nos caminhos secretos do coração errante, 
Há mapas feitos de desejo e cicatriz, 
Veredas que nascem no instante vacilante 
Em que amar é perder-se e ainda assim ser feliz, 
Como quem encontra no abismo a própria raiz. 
 
O coração não sabe da lógica dos dias, 
Ele pulsa em desordem, em febre e contramão, 
Costura esperanças com frágeis ousadias, 
E transforma em abrigo o que era solidão, 
Feito um sonho que insiste em caber na razão. 
 
E o amanhã nos chama com voz indecifrável, 
Promessa suspensa no ar do que virá, 
Um sopro invisível, tão doce e inevitável, 
Que nos move adiante, mesmo sem nos guiar, 
Como estrela que existe só para nos sonhar. 
 
A vida nos atravessa sem pedir passagem, 
É lâmina e abraço, é queda e elevação, 
Um rio que nos leva além da própria margem, 
E escreve em nosso peito a sua tradução, 
Em versos que só o silêncio entende então. 
 
Quem sabe o sentido não seja ser completo, 
Mas sentir cada instante em sua imensidão, 
Ser fragmento vivo de um mistério inquieto, 
Onde existir já basta, sem qualquer explicação, 
E viver é aprender a escutar o coração. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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