quinta-feira, 16 de abril de 2026

Te escrevo em silêncio

 Faço de palavras pequenas a minha oferenda, 
Um gesto suave, quase imperceptível, 
Como quem teme ferir a delicadeza do instante. 
Te escrevo em silêncio, com o coração atento, 
Para não quebrar a doçura do que sinto por você. 
 
És presença que não se impõe, mas floresce, 
Como luz mansa atravessando a manhã. 
Em ti há um sossego que me desarma, 
Uma ternura que me atravessa inteiro, 
Como se amar fosse apenas repousar em ti. 
 
Meu poema não grita, ele sussurra teu nome, 
Entre pausas, suspiros e breves eternidades. 
Cada verso é um toque que não se vê, 
Mas se sente como um arrepio leve, 
Daqueles que o coração guarda em segredo. 
 
Se te ofereço palavras, é porque não sei mais, 
Como conter o que em mim se transforma. 
Tu és o motivo quieto da minha entrega, 
A razão pela qual o amor se fez simples, 
E ainda assim, profundamente infinito. 
 
Se um dia este poema se desfizer no tempo, 
Que reste ao menos o eco do que te dei. 
Um amor sem peso, sem pressa, sem ruído, 
Feito para existir como brisa na tua alma, 
E permanecer, mesmo quando eu me for. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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