sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Se você me escutasse

 Se eu pudesse ouvir 
A voz do meu próprio coração, 
Ela não viria em palavras, 
Viria em um tremor suave, 
Um sopro quente que sobe do peito 
E se espalha pela garganta, pedindo passagem. 
Mas eu ouço só o silencio. 
E ele continua a pulsar 
Como quem insiste em viver um segredo. 
 
Às vezes imagino como seria libertá-lo. 
Dizer tudo. 
Abrir o peito 
Como se abre uma janela depois de dias de tempestade. 
Deixar que o ar novo, 
Ainda tímido, invadisse o espaço entre nós. 
 
E então penso na sua reação. 
 
Talvez você sorrisse 
Com aquele brilho leve 
Que acende seus olhos quando algo a toca profundamente. 
Talvez ficasse em silêncio, 
Não por falta de palavras, 
Mas porque algumas verdades só se compreendem devagar. 
Talvez sua alma estremecesse só um pouco, 
O suficiente para entender 
Que meu sentimento não nasce de um impulso, 
Mas de uma constância quieta. 
 
Ou talvez você desviaria o olhar, 
Surpreendida demais, 
Sem saber como segurar algo tão frágil 
E tão intenso ao mesmo tempo. 
 
E é por isso 
Que a voz do coração permanece encarcerada. 
Não por medo do que sinto, 
Mas por cuidado com o mundo que existe entre nós. 
Porque amar calado, às vezes, 
É a única forma de não perder quem já é presença, 
Mesmo que não nos pertença mais. 
 
Mas ainda assim… 
Às vezes fecho os olhos e imagino. 
Se eu falasse, 
Se você escutasse, 
Se o destino respirasse fundo… 
Quem sabe a reação que eu tanto temo 
Fosse, no fundo, a que meu coração secretamente espera. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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