terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Todos os dias observo meus sonhos

 Todos os dias observo meus sonhos 
Como quem vigia um fogo fraco 
No fundo da noite. 
Não para queimar o mundo, 
Mas para que o escuro não vença tudo. 
 
Eles respiram em silêncio, 
Frágeis como ideias que ainda não aprenderam 
A pedir abrigo. 
Se não os olho, 
Se não retorno a eles com alguma fidelidade, 
O tempo os cobre de poeira 
E os chama de ilusão. 
 
Aprendi que sonhos não se perdem de uma vez. 
Eles se afastam devagar, 
Quando a vida exige pressa, 
Quando a sobrevivência vira desculpa, 
Quando o cansaço começa a parecer verdade. 
 
Por isso observo. 
Não avanço, não conquisto, não prometo. 
Apenas permaneço. 
Porque existir, às vezes, 
É ficar de pé diante do que ainda não aconteceu 
E não desviar o olhar. 
 
Meus sonhos sabem que posso falhar, 
Sabem que o mundo é maior que minhas forças, 
Mas continuam ali 
Porque reconhecem em mim 
Alguém que não os troca por certezas. 
 
E enquanto eu os observo, 
Mesmo sem entendê-los, 
Eles não se perdem de vista, 
Sou eu 
Quem permanece inteiro. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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