Além do meu limite.
Já tentei isso,
E só encontrei o vazio que me esmaga.
Hoje, percebo que minha sobrevivência
Está nos pequenos passos,
Na repetição quase humilde
De um gesto que me ancora ao tempo.
Cada avanço meu é mínimo,
Mas carrego nele uma vitória secreta,
Um sussurro de resistência
Contra a tentação de desistir.
Celebrar é, então,
Meu modo silencioso de dizer a mim mesmo:
“Eu ainda estou aqui”.
Mesmo quando o corpo pesa,
Mesmo quando o mundo parece desabar,
Há em mim esse resquício de vontade
Que se recusa a apagar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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