terça-feira, 6 de janeiro de 2026

A Venezuela e o sonho de Bolívar

 O sonho de Simón Bolívar 
Nasceu como um sol continental: 
Uma pátria grande, sem correntes, 
Onde as fronteiras fossem apenas rios 
E a dignidade, língua comum. 
 
Bolívar sonhou com povos irmãos, 
Não tronos, 
Não salvadores eternos, 
Mas homens livres governando a si mesmos 
Com a sobriedade 
De quem conhece o peso da História. 
 
A Venezuela, porém, tornou-se um espelho partido. 
O petróleo brilhou como ouro fácil 
E ensinou o poder 
A confundir abundância com justiça. 
A palavra “revolução” foi repetida 
Até perder o sentido 
Como uma bandeira usada para cobrir ruínas. 
 
Hoje, o sonho anda pelas ruas vazias, 
Na fome silenciosa, 
No êxodo 
Que carrega casas inteiras dentro de mochilas, 
Nas mães que transformaram a esperança 
Em resistência diária. 
 
Bolívar temia isso. 
Temia que a liberdade, mal cuidada, 
Fosse trocada por novos grilhões 
Feitos de discursos, idolatrias 
E promessas eternamente adiadas. 
 
A tragédia venezuelana não é só política, 
É espiritual. 
É o momento em que um povo é forçado 
A escolher entre sobreviver 
Ou continuar acreditando. 
 
Mas sonhos verdadeiros não morrem. 
Eles adoecem, sangram, 
Ficam soterrados sob a poeira da História, 
Até que alguém, um dia, 
Os desenterre com coragem 
E os liberte outra vez, 
Não em nome de um homem, 
Mas em nome da vida e da liberdade. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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