sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

No íntimo silêncio do intelecto

 Só a tua consciência intelectual 
É um sol que incide sem piedade 
Sobre as penumbras do meu saber; 
E quando tento argumentar, 
Descubro-me réu de uma ignorância 
Que eu mesmo nunca soube nomear. 
 
Porque há desconhecimentos que dormem 
Como pedras submersas, 
Não fazem barulho, mas afundam almas. 
E tua lucidez, essa lâmina, 
Persuade-me sem ameaças: 
Não sou quem imagino saber que sou. 
 
Há quem tema o erro, 
Eu temo o desconhecer. 
Pois o erro ainda é filho do saber, 
Enquanto o desconhecer é o abismo 
Onde o pensamento não chega 
E a vaidade se esconde. 
 
E no íntimo silêncio do intelecto, 
Onde até o orgulho se cala, 
O que me convence não é a retórica, 
Nem a eloquência, 
Mas a simples e feroz verdade 
De que nada sei do que penso saber. 
 
Assim, a tua consciência ilumina 
O meu inconsciente. 
E se há persuasão em ti, 
É porque não disputas vitória, 
Disputas clareza. 
E a clareza vence tudo — até a soberba. 
 
 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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