Não é posse, nem abrigo.
É um gesto silencioso
Que não estende as mãos,
Que não cobra permanências.
Se eu amo você,
Não lhe peço promessas,
Nem a doçura impossível do retorno.
Amar, às vezes, é apenas
Permitir que o outro exista livre.
Se eu amo você,
Não quero sequer o seu amor,
Pois o amor, quando verdadeiro,
Não nasce da troca,
Mas de uma estranha abundância.
É querer sem prender,
Sentir sem exigir,
Guardar sem esconder.
Como quem contempla o céu
Sabendo que nunca o terá.
Porque amar você
É não precisar que você me ame,
É não transformar afeto em dívida,
É deixar que o sentimento respire
Sem correntes, sem medo, sem nome.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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