domingo, 23 de agosto de 2026

Entre as estantes

 Não abro mão da minha biblioteca, 
Não por apego ao papel ou à madeira, 
Mas porque nela aprendi uma verdade simples. 
Há coisas que o tempo leva sem pedir licença, 
E há coisas que permanecem dentro de nós. 
 
Os livros ensinaram-me a aceitar as estações, 
A queda das folhas e o peso dos invernos. 
Toda página virada recorda em silêncio 
Que viver é mudar constantemente, 
Sem perder a integridade do tronco. 
 
Entre autores antigos e modernos, 
Descobri que as inquietações se repetem. 
Mudam os séculos, mudam os cenários, 
Mas o coração humano continua buscando 
A serenidade em meio às tempestades. 
 
Minha biblioteca não me afasta do mundo; 
Ela me devolve a ele com mais clareza. 
Ali aprendo a distinguir o essencial do supérfluo, 
O que depende da minha vontade 
Daquilo que pertence ao destino. 
 
Por isso guardo meus livros com gratidão. 
Não como quem acumula tesouros raros, 
Mas como quem cultiva um jardim interior. 
Quando a vida se torna incerta, volto a eles 
E encontro, outra vez, a medida das coisas. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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