domingo, 23 de agosto de 2026

Joguei tudo fora

Joguei tudo fora, 
As cartas, as fotografias, 
Os pequenos restos de nós, 
As lembranças que insistiam em voltar, 
E até o silêncio que tinha o seu nome. 
 
Joguei fora os presentes, 
As palavras guardadas nas gavetas, 
Os lugares onde ainda morava você, 
Como quem fecha uma porta 
Sem coragem de olhar para trás. 
 
Mas a memória não se joga fora, 
Ela permanece escondida no peito, 
Surgindo quando menos esperamos, 
Numa música, num perfume, numa tarde, 
Numa saudade que ninguém convidou. 
 
Hoje, não tenho mais nada seu, 
Nem retratos para contemplar, 
Nem cartas para reler, 
Apenas um vazio estranho 
Ocupando o lugar do que fomos. 
 
Joguei tudo fora, menos você, 
Porque algumas pessoas não partem, 
Apenas deixam de estar presentes, 
E continuam vivendo dentro da gente 
Mesmo depois que aprendemos a esquecê-las. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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