quinta-feira, 6 de agosto de 2026

No silêncio do pensamento

O pensamento não nasce do grito, 
Nem da pressa que atropela os dias. 
Ele desperta onde o silêncio respira, 
Como um rio que corre sem alarde 
Pelos vales ocultos da alma. 
 
É no recolhimento que a mente floresce, 
Despindo-se das máscaras do ruído. 
Cada pausa torna-se um espelho, 
Onde a verdade, antes dispersa, 
Reaprende o próprio nome. 
 
O mundo celebra a velocidade, 
Mas a sabedoria prefere o compasso lento. 
Ela caminha descalça entre as horas, 
Colhendo as sementes invisíveis 
Que o barulho jamais percebe. 
 
Quem aprende a conversar com o silêncio 
Descobre que ele nunca está vazio. 
Há memórias, esperanças e perguntas, 
Há respostas amadurecendo em segredo, 
Como frutos escondidos entre as folhas. 
 
Quando a palavra finalmente surge, 
Já não é apenas som, mas essência. 
Traz consigo a paz do recolhimento, 
A força discreta da contemplação 
E a luz serena de um pensamento profundo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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