Depois que a verdade falou mais alto.
As promessas perderam o brilho antigo,
E o tempo revelou cada sobressalto.
Teus olhos estavam perto dos meus,
Mas havia oceanos entre nós,
E o amor se perdeu em sua própria voz.
Aprendi que estar contigo era viver só,
Dividindo silêncios que nunca partilhamos.
Eu te oferecia os meus melhores sonhos,
Enquanto, sem perceber, nos afastávamos.
Havia mãos dadas, mas não havia abrigo,
Havia palavras, mas faltava calor,
E a solidão vestia o nome do amor.
Hoje sigo pelas estradas da memória,
Sem rancor, sem tristeza e sem prisão.
Guardo apenas o que houve de bonito,
Como quem protege uma antiga canção.
Pois certas despedidas são necessárias,
Para que a alma encontre sua direção,
E reaprenda a dizer sim ao próprio coração.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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