Ele o transforma em memória.
É o instante em que a luz aprende a morrer
Sem perder a beleza.
O céu, em chamas lentas,
Parece confessar segredos antigos
Em tons de ouro, sangue e silêncio.
Cada cor é um suspiro do tempo,
Cada sombra, uma promessa de descanso.
Diante dele, o mundo abranda.
As dores diminuem o peso,
Os pensamentos caminham descalços,
E até o coração, cansado de urgências,
Aprende a esperar.
O sol se inclina como quem agradece,
Beija o horizonte
E deixa no ar a certeza de que
Tudo o que é belo
Sabe partir no momento exato.
E nós, pequenos sob esse espetáculo,
Entendemos, ainda que por segundos,
Que existir também é saber desaparecer
Com dignidade,
Pintando o fim com luz e esperança.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense
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