Não era algo que eu compreendia,
Era algo que eu respirava.
Havia uma leveza nos dias,
Como se o tempo não tivesse pressa,
Como se cada tarde fosse eterna o suficiente
Para caber todos os sonhos do mundo.
Eu me lembro…
Não de grandes feitos,
Mas dos detalhes quase invisíveis.
O riso sem motivo,
O vento batendo no rosto como promessa,
A coragem ingênua de acreditar que tudo seria possível.
A juventude não sabia da finitude,
Por isso era infinita.
Hoje, quando a memória me visita,
Ela não traz apenas lembranças,
Traz uma espécie de saudade que dói mansa,
Como quem acaricia uma ferida antiga.
Porque eu não sinto falta apenas do que vivi,
Mas de quem eu era
Quando viver parecia simples.
Acredito que a felicidade da juventude
Não estivesse no mundo…
Mas na forma como eu o olhava.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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