quarta-feira, 10 de julho de 2024

Esquecemos o que aconteceu ontem

Pode um homem ser feito de palavras? 
Se Édipo foi acorrentado 
Em seu próprio sucesso o que faremos nós? 
Hamlet pode ser feito do barro 
E os bêbados da próxima esquina não? 
O que sabemos é nada diante do tudo que existe 
E ainda tem alguns que se acham os sábios. 

Será o ser humano eterno 
Ou apenas uma alma aprisionada em carne? 
Há uma dúvida que paira no ar 
Sempre que olhamos para o infinito 
Sem saber ao certo se teremos um amanhã 
Não sabemos o destino de uma tartaruga 
Quanto mais de um filho bastardo. 

A imagem que ninguém quer ver 
Sempre aparece diante de nossos olhos 
E o inconformismo faz parte das escolhas pessoais 
Quando se deseja ver além das aparências 
A simplicidade de existir sempre é complexa 
Porque não conseguimos enxergar a antiguidade 
E nos esquecemos do que aconteceu ontem. 

Quase tudo no mundo é assustador e obscuro 
Engana-se quem pensa o contrário 
Basta que prove-me que não é assim 
Uma única conversa com um ermitão comprovará 
Porque são testemunhas da natureza humana 
Esse invólucro vazio de emoções 
Que pisoteiam seus semelhantes sem piedade. 

Há um segredo a ser desvendado 
Uma luz que poderá guiar-te ao desconhecido 
Mas só as mentes mais elevadas pode compreender 
As palavras dos videntes e poetas 
Que tecem as teias da memória coletiva 
Mostrando além do espelho embaçado pela neblina 
Que o que podemos ver prossegue infinitamente. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 9 de julho de 2024

Passados recompostos

Olhei por sobre os montes 
Na tentativa de visualizar 
Passados recompostos 
Pela frieza do olhar. 
 
Memórias incontidas 
De um tempo tão distante. 
Onde o amor perambulava 
No coração anelante. 
 
Seu sorriso de criança 
Na manhã fria de inverno 
Transformava o meu dia 
Num calor eterno. 
 
Mas você se foi com o tempo 
Nas curvas da vida. 
Levando o amor e a esperança 
Deixando a saudade dorida. 
 
Meus olhos não contemplam nada 
Além do horizonte risonho 
Seus passos estão bem longe 
Da realidade de meu sonho. 
 
Volto-me então 
Para seguir o meu caminho 
Na esperança de encontrar alguém 
Que me dê o seu carinho. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 8 de julho de 2024

Fere como um punhal

 No peito, um coração que chora e sente, 
A dor de uma ausência, um amor distante, 
Saudade que invade a alma e a mente, 
Transforma o presente em algo inconstante. 
 
Os dias passam lentos, quase dormentes, 
Na espera do toque, do beijo amante, 
Sonhando com momentos envolventes, 
Do amor que é forte e sempre constante. 
 
Oh, saudade, cruel e doce ilusão, 
Que traz de volta o que foi felicidade, 
E ao mesmo tempo fere como um punhal. 
 
Amor que vive em cada recordação, 
Eternizado em cada saudade, 
Faz doer, mas mantém o coração leal. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 7 de julho de 2024

Que mundo criamos?

Na ânsia de sempre querermos mais e mais 
Criamos o lixo tóxico 
E o monóxido de carbono que respiramos 
Mas não contentes com isso 
Criamos o lixo hospitalar 
E a energia nuclear 
Que nos ameaça extinguir do planeta. 

No desejo desenfreado da existência 
Criamos o lixo industrial, 
O lixo tecnológico 
E o desconforto existencial 
Como consequência funesta dessa decisão 
Herdamos o desconforto psicológico 
E a degradação do ser humano. 

Na insana busca por liberdade 
Criamos a liberdade vigiada 
A vida, por sistema, controlada 
E a liberdade de expressão cerceada 
Como se isso não fosse o bastante 
Fomos induzidos a pensar 
Na existência do livre arbítrio 
Quando se tem o ceticismo proibido. 

No anseio desesperado de dominação 
Criamos o lixo da lei do silêncio 
Calamos a boca de quem pensa diferente 
Impomos o policiamento do pensamento 
E se isso não fosse suficiente 
Nos atrelamos a cumplicidade do sistema 
Criando o estado paralelo 
Dando asas a burocracia do sistema legal. 

Na culminância de nossos desejos 
Criamos a força da repressão social 
A lógica da solidão ideológica 
Um paraíso para o luxo dos corruptos 
A fonte do sofrimento dos mais vulneráveis 
Que transforma em desigualdades 
O lixo do inferno dos incultos 
De onde já não resta mais esperança. 

Olhamos o que o ser humano tem feito 
E nos perguntamos se há uma saída 
Se porventura há uma solução 
Que possa nos restaurar a esperança 
De que a humanidade possa ser diferente 
E tudo nos diz o contrário 
Então só nos resta sonhar e esperar 
Que o nosso sonho não seja em vão. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Convoco os poetas

Convoco os poetas para te dizer não, 
Numa voz uníssona, um coro em negação. 
Não ao medo que silencia, 
Às palavras que a dor denuncia. 
 
Convoco os poetas, a alma de cada verso, 
Para erguer um escudo contra o universo 
Que tenta calar, que tenta impor, 
Uma voz sufocada pelo temor. 
 
Não à opressão que cerceia o sonho, 
Às correntes invisíveis que nos deixam tristonhos. 
Não ao conformismo que cega o olhar, 
Às mentes que insistem em não se libertar. 
 
Convoco os poetas, mestres da emoção, 
Para pintar o mundo com cores de indignação. 
Não à injustiça que fere o coração, 
À sombra que esconde a verdade, a razão. 
 
Com versos de fogo, de luta e paixão, 
Dizemos não à indiferença, à solidão. 
Cada estrofe, um grito de rebeldia, 
Cada rima, um ato de ousadia. 
 
Convoco os poetas, vozes de esperança, 
Para que juntos, em uma só dança, 
Possamos dizer não ao que nos aprisiona, 
E sim ao amor que nos redescobre e entona. 
 
Poetas, unam-se nesta jornada, 
Com palavras fortes, numa só caminhada. 
Convoco os poetas para te dizer não, 
E transformar o mundo com nossa canção. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Todas as canções possíveis

Pensarei em todas as canções possíveis 
Todas as belas melodias da imaginação 
As letras que descrevem as aventuras dos heróis 
Para registrar a mais profunda epopeia 
Dos feitos daqueles que não aparecem na história 
Daqueles esquecidos pelo caminho 
Como se fossem fantasmas de um tempo remoto. 

Alguns tornam-se deuses de si mesmo 
Outros exigem a adoração como se fossem deuses 
Enquanto os pobres mortais perecem 
Em meio aos grandes sofrimentos do mundo 
Ninguém quer fechar a tampa dos esquifes 
Mas contribuem para que os corpos espalhados 
Permaneçam em suas valas não tão profundas. 

Os poetas são chacinados pelos anjos caídos 
Ou serão demônios da modernidade líquida? 
Tudo é tão sujo quanto a mente do criminoso 
Que maquina os seus maus pensamentos pelas madrugadas 
E causam o terror antes do amanhecer 
Provocando o caos em vidas antes felizes 
Que nunca mais terão uma noite de paz. 

Como podemos lidar com nossa estranheza onipresente? 
Como podemos nos desvencilhar de crendices impostas? 
Nossa mente poluída poderá ser liberta algum dia? 
Quando olho atentamente é que posso perceber 
Gaiolas em um quarto escuro escondendo segredos 
De fatos patológicos de mentes doentias 
Que provocam a destruição por onde passam. 

As faces dos heróis sempre se mostram imperfeitas 
Assim como não existem almas inocentes por aqui 
O psicopata não está na prisão se está bem aqui 
Onde as mamães varrem suas sujeiras indescritíveis 
Para debaixo dos tapetes floridos e valiosos 
Tudo isso são apenas conjecturas de almas feridas 
Que desejam desesperadamente esconder o jogo. 

Os caminhos da mente são feitos de caos 
Quando descobrimos que viver é diferente de tudo 
Diferente de todas as outras coisas que existe 
Os burburinhos da alma cresce com a idade 
E causa confusão ao longo do caminho 
Quando descobrimos que viver é um grande desafio 
Porque não sabemos nada nesse vasto universo das ideias. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Canção ao Festival de Pesca

Às margens do rio Paraguai, tão sereno, 
O povo de Cáceres celebra o seu festival, 
A pesca, o peixe, o amor ao terreno, 
Reúnem-se todos num rito anual. 
 
Em barcos coloridos, partem sonhadores, 
Laçando as águas com linha e anzol, 
Nasce entre eles, sob os raios solares, 
Uma dança que vai até o pôr do sol. 
 
Pescadores de alma e coração valente, 
Com olhos que brilham, reflete o luar, 
Desafiam as ondas, com ar contente, 
Esperando o peixe que vem a linha fisgar. 
 
E ao entardecer, quando o céu se pinta, 
Com cores de ouro e rubi sem igual, 
O festival vibra, se agita e cintila, 
Numa festa de amor e alegria tradicional. 
 
Cáceres, terra de rica tradição, 
Seu povo celebra a vida e a paz, 
No Festival de Pesca, nasce a canção, 
Que a todos encanta e feliz nos faz. 
 
Memórias de um tempo que é só beleza, 
Onde a natureza convida a ficar, 
E no fim do dia, com plena certeza, 
Voltamos pra casa, querendo voltar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

 

As angústias da humanidade - Parte I

As angústias da humanidade são vastas e variadas, refletindo a complexidade da existência humana. 
São pensamentos profundos que envolvem nossa fragilidade, nossas esperanças e nossos medos. 
 
A Busca pelo Sentido: 
 
A humanidade constantemente busca um propósito. 
A angústia surge da dúvida sobre o significado da vida, a razão de nossa existência, e se há um objetivo maior a ser alcançado. 
Essa busca incessante pelo sentido pode ser tanto uma fonte de motivação quanto de desespero. 
 
A Incerteza do Futuro: 
 
O desconhecido é uma das maiores fontes de angústia. 
O futuro é um enigma que não podemos desvendar completamente. 
As incertezas sobre o que está por vir, sejam elas relacionadas à saúde, ao trabalho ou às relações pessoais, criam uma sensação de vulnerabilidade. 
 
A Morte e a Finitude: 
 
A consciência da nossa própria mortalidade é uma das angústias mais profundas. 
A inevitabilidade da morte e o desconhecimento do que, se algo, vem depois, desafiam nossa compreensão e nos fazem questionar o valor do tempo que temos. 
 
Continua... 
 
Reflexão: Odair José, Poeta Cacerense

quarta-feira, 3 de julho de 2024

No silêncio da noite

Cai a noite e vem o silêncio 
E na brisa a bater na janela 
Ouço a voz do seu coração. 
Meus pensamentos, então, 
Voa os espaços e procura você. 
E nos meus sonhos 
Você aparece linda e meiga 
A sorrir para mim. 
Então adormeço silenciosamente 
Com a beleza de seus olhos 
Na minha alma. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

terça-feira, 2 de julho de 2024

Um olhar que se foi

Um olhar que se foi, deixou saudade, 
Luz suave que em meu peito arde, 
Sombra de amor e doce realidade, 
Memória viva que nunca se evade. 
 
Nos olhos teus, encontrei a paz, 
Reflexo de um mundo tão sublime, 
Mas ao partir, levaste o que me traz 
A alegria que em meu peito imprime. 
 
Oh, doce olhar, por que te foste assim, 
Deixando-me na dor do teu adeus? 
Volta, ao menos, em sonhos, para mim. 
 
E nas estrelas, busco a luz que é teu, 
A chama eterna de um amor sem fim, 
Saudade imensa que me conduz ao céu. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

segunda-feira, 1 de julho de 2024

Para tão longo amor

Para tão longo amor, o tempo é breve, 
Um sopro leve, um sonho a desvendar. 
No peito arde a chama que não deve 
Jamais, em noites frias, se apagar. 

Nas veias corre um rio de saudade, 
Nos olhos brilha a luz da imensidão. 
A vida é feita só de eternidade, 
Em cada olhar, um mundo em devoção. 

Por tanto amar, o mundo se enobrece, 
Cada gesto, um verso a se escrever. 
Na alma, a chama viva permanece, 

E ao teu lado, eu sinto renascer. 
Para tão longo amor, não há distância, 
Eternamente essa é nossa esperança. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

domingo, 30 de junho de 2024

Êxtase

Deixo-me envolver nos lençóis 
E abraço seu corpo fortemente. 
Um suspiro deixa revelar seu desejo 
E sinto sua fragrância pelo ar. 
Quero mais 
Cada parte de seu corpo é desvendado 
Como se fosse um arqueólogo 
Na busca por um tesouro escondido. 
Não posso conter o desejo 
Em possuir-te 
Em perder-me na sua sensualidade. 
Seus cabelos são sedosos 
E vejo-os a desnudar sua pele. 
Quero alcançar o êxtase 
E sentir o pulsar de seu coração. 
Minhas mãos são duas crianças 
A brincar com sua paixão 
E entrego-me a força desse amor. 

 Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sábado, 29 de junho de 2024

Escravos da mentira e do vento

O sol entorpecido fala uma língua estranha 
Alguns não o pode suportar dessa forma 
Tapam os ouvidos com tapa olhos encardidos 
Mas isso não é uma informação nova 
Foi passada para gerações neolíticas 
E escondidas nas cavernas que se escondiam 
Esquecidas nas manhãs gélidas do tempo. 

Já passou da hora de dizer algumas verdades 
De revelar o emaranhado de almas sorvidas 
Coisas que não se pode escutar 
 Quando se está envolto em articulações secretas 
Mas são escravos da mentira e do vento 
Nos horários das visitas abaixam os olhares 
Para não revelarem os seus sujos segredos. 

Em algum lugar escondido estão os tolos 
Deuses rodopiantes em universos efêmeros 
Acreditando na inocência de hipócritas infiéis 
Túmulos caiados por fora cheio de ossos podres 
Que exalam suas imundícies o tempo todo 
Despertando o voo das aves de rapinas no horizonte 
Ratoeiras que não funcionam nunca 
Porque os ratos são mais espertos sempre. 

Quase todo dia quero ouvir uma sinfonia à Ulisses 
Uma canção aos homens que venceram suas lutas 
E não se esconderam debaixo das saias de suas mães 
Mas onde estão todos esses tolos enfurecidos 
Que não podem nem mesmo erguerem suas taças de vinhos? 
Mortos em seus desejos abstratos fulgurantes 
Cavalgam os distantes campos do desconhecido. 

Maléficas vigílias são feitas em algum lugar 
Virgílio procura agradar os seus seguidores 
Que são corrompidos por Dionísio e se esquecem 
A maioria das tristes crianças pelo caminho 
Um pequeno circo de horrores então as levam 
Para um destino que não pode ser descrito em palavras 
E que ninguém pode, na verdade, sentir de fato. 

Carregados para os círculos mais profundos 
Os inocentes são desterrados de seus sonhos 
Mortos pelas esquinas mortas das megacidades 
Que insistem em produzir seus assassinos e estupradores 
Causando estranhos calafrios nos transeuntes 
Quando suas ruas são tomadas pela tosse pigarrenta 
Das gargantas que não podem mais serem cortadas. 

Poema: Odair José, Poeta Cacerense

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Planeta a suspirar

O mundo clama em dor, 
O calor se faz sentir, 
Geleiras perdem vigor, 
O mar começa a subir. 
Desperta, ó sonhador, 
Não podemos mais dormir. 
 
O sol arde sem cessar, 
Secas vêm devastar, 
As florestas a queimar, 
Bichos tristes a chorar. 
Devemos todos cuidar, 
Antes do mundo acabar. 
 
A fumaça enche o ar, 
Poluição sem parar, 
O planeta a suspirar, 
Precisamos respirar. 
A Terra devemos amar, 
Para ela nos abraçar. 
 
Nosso futuro é incerto, 
Se nada formos mudar, 
Cuidar do que é deserto, 
E a vida regenerar. 
Juntos faremos o certo, 
Para o mundo melhorar. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Sempre

Um dia vi em seus olhos um amor tão puro 
Tão singelo que meu coração procurava 
Eu deixei-me descansar em teus braços 
E vi uma esperança renascer. 
Eu precisava de carinho 
Procurava um amor assim 
E vi brilhar em seus olhos 
Que me revelaram seu coração. 
E eu amei sem medo 
Desejei estar com você para sempre 
Por toda minha vida caminhar com você 
E deixar-me descansar em seus sonhos. 
Sempre quero estar com você 
Sempre quero sentir o seu amor 
Sempre quero ver o brilho do seu olhar 
Para sempre ser feliz. 
Nesta noite deixo revelar meus sentimentos 
E quero que se lembre de mim 
Como alguém que ficou encantado 
Pela sua forma de amar. 
Não sou perfeito e posso errar 
Mas deixo aqui meu coração 
Nas linhas deste poema 
Para sempre se lembrar de mim. 
E nas noites eternas do tempo 
Sempre vai saber 
Que você me disse o que queria 
Que eternizasse para você 
Com carinho para sempre. 
E quero dizer 
Que vai ser sempre assim. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense