Na solidão dos meus dias eu me pergunto em silêncio,
Por que não pensei em voar para longe daqui,
Se o céu sempre esteve aberto sobre mim,
Como um convite azul que nunca expirei,
Como um destino que temi pronunciar.
Carrego em mim raízes que não plantei,
Há um peso antigo em meus próprios passos,
Como se o chão me reconhecesse demais,
Como se partir fosse trair minha própria história,
Como se ficar fosse uma forma de sobreviver.
Às vezes sinto o vento me chamar baixinho,
Sussurrando caminhos que não ousei seguir,
Mas minhas asas, esquecidas, tremem de dúvida,
Como memórias de um voo que nunca aconteceu,
Como sonhos que adormeceram antes de nascer.
Eu não parti, talvez, por medo do vazio,
Ou por não saber quem eu seria lá longe,
Longe de tudo que me nomeia e me limita,
Longe do que dói, mas também me sustenta,
Longe até de mim mesmo.
Mas hoje, na mesma solidão que me prende,
Percebo um movimento dentro do peito,
Um ensaio tímido de liberdade nascente,
E penso que talvez ainda haja tempo,
Quem sabe eu ainda possa aprender a voar.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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