sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A paciência da semente

 Os livros permanecem onde sempre estiveram, 
Sem reclamar do abandono dos homens. 
Não lamentam as portas fechadas, 
Nem contam quantos deixaram de lê-los. 
Cumprir seu propósito lhes basta. 
 
Quando ninguém mais deseja sua companhia, 
Eles ainda guardam a mesma sabedoria. 
A chuva cai, o vento passa, os anos seguem; 
O valor da verdade não diminui 
Porque poucos se dispõem a escutá-la. 
 
Muitos perseguem aquilo que é passageiro, 
Confundindo novidade com conhecimento. 
Mas o espírito sereno compreende 
Que nem toda riqueza faz barulho, 
Nem toda grandeza procura aplausos. 
 
O livro ensina a paciência da semente, 
Que cresce sem discutir com as estações. 
Oferece seu fruto a quem o procura 
E aceita com tranquilidade 
A indiferença daqueles que seguem adiante. 
 
Por isso, não lamentes os tempos apressados. 
A sabedoria nunca dependeu das multidões. 
Basta que uma mente permaneça desperta, 
Que uma alma ainda busque compreender, 
E os livros terão encontrado seu destino. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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