Caminho inquieto, recusando o pronto,
Há um chamado que não se vê, mas firma
Na alma um desejo fundo e tonto:
Saber, para não ser levado pelo vento.
A ignorância veste certezas fáceis,
Oferece abrigo em ideias gastas,
Faz do pensamento correntes frágeis
E do espírito, vontades nefastas
Que se acomodam no que nunca se basta.
Mas a sabedoria é chama discreta,
Arde sem pressa, ilumina por dentro,
Exige silêncio, dúvida inquieta,
E um coração atento ao próprio centro,
Onde o mundo se desfaz em pensamento.
Há dor no caminho de quem questiona,
Pois ver demais também é carregar,
E a verdade, quando em nós ressona,
Rompe o conforto de apenas aceitar
O que a multidão insiste em não olhar.
Ainda assim sigo, entre sombra e luz,
Tecendo sentido no caos do existir,
Pois quem busca o saber não se reduz
Ao que é fácil, raso ou porvir,
Mas aprende, no abismo, a não cair.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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