Como pedras frias recolhidas no vazio.
O relógio continua ferindo as paredes,
Mas dentro de mim o tempo apodrece lento,
Feito fruta esquecida no fundo da existência.
Caminho entre rostos e vozes apressadas,
E ninguém percebe meu inverno silencioso.
Há uma multidão atravessando as ruas,
Mas eu me sinto perdido fora do mundo,
Como uma sombra sem origem nem destino.
À noite converso com meus próprios abismos,
Pergunto ao escuro quem ainda sou.
As respostas não chegam em palavras,
Somente o silêncio respirando perto de mim
Como um animal cansado de sobreviver.
Já tentei encontrar sentido nas estrelas,
Nas orações, nos livros e nos espelhos,
Mas tudo parecia distante demais
Para alguém que desaprendeu a esperança
E passou a morar dentro da ausência.
Ainda assim desperto em cada manhã,
Mesmo sem entender o motivo do retorno.
Talvez exista algo em mim resistindo,
Uma pequena chama escondida na ruína,
Recusando-se a morrer completamente.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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