segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Os dias sem esperança

 Carrego dias imóveis nos bolsos da alma, 
Como pedras frias recolhidas no vazio. 
O relógio continua ferindo as paredes, 
Mas dentro de mim o tempo apodrece lento, 
Feito fruta esquecida no fundo da existência. 
 
Caminho entre rostos e vozes apressadas, 
E ninguém percebe meu inverno silencioso. 
Há uma multidão atravessando as ruas, 
Mas eu me sinto perdido fora do mundo, 
Como uma sombra sem origem nem destino. 
 
À noite converso com meus próprios abismos, 
Pergunto ao escuro quem ainda sou. 
As respostas não chegam em palavras, 
Somente o silêncio respirando perto de mim 
Como um animal cansado de sobreviver. 
 
Já tentei encontrar sentido nas estrelas, 
Nas orações, nos livros e nos espelhos, 
Mas tudo parecia distante demais 
Para alguém que desaprendeu a esperança 
E passou a morar dentro da ausência. 
 
Ainda assim desperto em cada manhã, 
Mesmo sem entender o motivo do retorno. 
Talvez exista algo em mim resistindo, 
Uma pequena chama escondida na ruína, 
Recusando-se a morrer completamente. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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