quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A serenidade dos passos

Não detenho meus pés pelo clamor da multidão. 
Cada alma escolhe o rumo da própria jornada. 
Não posso conduzir quem rejeita a caminhada, 
Mas posso guardar firme o governo de mim. 
A paz começa onde termina a imposição. 
 
O tempo separa os que avançam dos que hesitam. 
Nem toda distância é sinal de abandono. 
Às vezes, ela apenas revela a verdade: 
Cada fruto amadurece em sua estação, 
E cada espírito desperta no seu tempo. 
 
Não lamento o peso das escolhas alheias. 
Aceito o que não depende de minhas mãos 
E cultivo apenas aquilo que posso reger: 
Meu caráter, minha palavra e minhas ações. 
Nisso reside a verdadeira liberdade. 
 
A estrada ensina sem elevar a voz. 
O vento não discute com a montanha; 
Apenas segue seu curso com constância. 
Assim também procuro viver: 
Firme na virtude e sereno diante dos obstáculos. 
 
Quando a noite cair sobre meus caminhos, 
Que eu encontre em minha consciência repouso. 
Pois não importa quantos ficaram para trás, 
Mas se permaneci fiel ao bem que conheci. 
Essa é a vitória que o tempo não desfaz. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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