Como quem olha uma janela suja
E acha que viu a casa inteira.
Não viu.
Viu apenas o reflexo da própria cara.
As pessoas gostam de distribuir certezas
Como quem distribui livros baratos.
Acendem uma fraca luz,
Que não ilumina por dentro,
E chamam isso de verdade.
Eu já perdi tempo demais
Tentando explicar minha vida
Para quem nunca quis escutar.
Agora deixo que o silêncio
Faça o trabalho que as palavras não conseguem.
Não preciso que gostem de mim.
O café continua amargo,
O dia continua difícil,
E ainda assim acordo,
Visto minha pele e sigo em frente.
Não há nada em você
Que possa dizer algo sobre mim.
Mas há muito em tudo o que você diz
Que explica por que carrega esse peso
Mesmo quando sorri.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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