E caminhar por caminhos sem mapa nem muralha;
É permitir que o vento das perguntas atravesse a sala,
Desarrume papéis, conceitos e certezas antigas.
Cada palavra ensinada carrega uma travessia,
Cada dúvida acesa ilumina um novo horizonte,
E cada resposta é apenas um porto provisório.
O pensamento sopra onde deseja e não pede licença;
Ergue poeiras sobre verdades acomodadas,
Balança os galhos das convicções mais rígidas,
E revela frutos escondidos entre as folhas do hábito.
Quem educa aprende a escutar esse movimento,
Pois o conhecimento não floresce na estagnação,
Mas no diálogo constante entre o saber e o mistério.
Ensinar é aceitar a vulnerabilidade do vento,
É deixar que ele toque também o coração do mestre;
É reconhecer que toda lição transforma quem a oferece.
Entre livros, vozes e silêncios compartilhados,
Crescem juntos aqueles que ensinam e aprendem.
E o que permanece após a passagem dos anos
Não são as respostas, mas a coragem de continuar perguntando.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:
Postar um comentário