domingo, 13 de setembro de 2026

Prossigo sem pressa

 Caminho sem exigir respostas da estrada, 
Nem peço ao horizonte promessas de chegada. 
Há coisas que pertencem aos meus passos, 
E outras que pertencem ao curso dos ventos; 
Aprendi a distinguir umas das outras. 
 
A esquina seguinte guarda o que guarda, 
Indiferente aos meus desejos e receios. 
Não cabe a mim governar o inesperado, 
Mas receber com firmeza o que vier, 
Como a terra recebe a chuva e o sol. 
 
Se encontro jardins, contemplo sua beleza; 
Se encontro ruínas, observo suas lições. 
Nem a fortuna merece excessiva euforia, 
Nem a adversidade merece desespero. 
Tudo passa pela mesma estrada do tempo. 
 
Os passos tornam-se mais leves quando aceito 
Que o mundo não foi feito para me obedecer. 
Há serenidade em seguir adiante, 
Fazendo bem aquilo que me cabe fazer, 
E deixando o restante ao destino. 
 
Assim prossigo entre sombras e claridades, 
Sem pressa de alcançar alguma certeza final. 
Cada curva oferece apenas o presente, 
E o presente, quando acolhido com lucidez, 
É suficiente para sustentar a jornada. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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