Nem peço ao horizonte promessas de chegada.
Há coisas que pertencem aos meus passos,
E outras que pertencem ao curso dos ventos;
Aprendi a distinguir umas das outras.
A esquina seguinte guarda o que guarda,
Indiferente aos meus desejos e receios.
Não cabe a mim governar o inesperado,
Mas receber com firmeza o que vier,
Como a terra recebe a chuva e o sol.
Se encontro jardins, contemplo sua beleza;
Se encontro ruínas, observo suas lições.
Nem a fortuna merece excessiva euforia,
Nem a adversidade merece desespero.
Tudo passa pela mesma estrada do tempo.
Os passos tornam-se mais leves quando aceito
Que o mundo não foi feito para me obedecer.
Há serenidade em seguir adiante,
Fazendo bem aquilo que me cabe fazer,
E deixando o restante ao destino.
Assim prossigo entre sombras e claridades,
Sem pressa de alcançar alguma certeza final.
Cada curva oferece apenas o presente,
E o presente, quando acolhido com lucidez,
É suficiente para sustentar a jornada.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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