segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Beleza bruta

 Eu ouço a fera em mim, febril, chamando, 
Um sopro antigo à margem do meu ser, 
Caminho em versos, quase me perdendo, 
Sem imaginar até onde vou ceder. 
 
Ela me habita em grito e pensamento, 
Me rasga em símbolos que não controlo, 
E cada imagem é um nascimento 
Que cobra em dor o preço do seu dolo. 
 
Escrevo, ou sou escrito nesse embate? 
Não sei se sou a lâmina ou o corte, 
Se é minha a voz que ecoa nesse combate. 
 
Mas sigo, mesmo à beira da má sorte, 
Pois há, no caos que em mim se debate, 
Uma beleza bruta, estranha e forte. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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