Um sopro antigo à margem do meu ser,
Caminho em versos, quase me perdendo,
Sem imaginar até onde vou ceder.
Ela me habita em grito e pensamento,
Me rasga em símbolos que não controlo,
E cada imagem é um nascimento
Que cobra em dor o preço do seu dolo.
Escrevo, ou sou escrito nesse embate?
Não sei se sou a lâmina ou o corte,
Se é minha a voz que ecoa nesse combate.
Mas sigo, mesmo à beira da má sorte,
Pois há, no caos que em mim se debate,
Uma beleza bruta, estranha e forte.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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