Caminha descalça nos corredores do peito;
Traz nos olhos a fumaça do passado
E nas mãos pequenas velas acesas.
Seu silêncio pesa mais que despedidas,
Como um funeral erguido dentro da alma
Para enterrar ilusões que ainda respiram.
À noite, as lembranças retornam devagar,
Feito sombras atravessando a janela aberta;
Cada memória possui um nome secreto
Que o coração insiste em pronunciar.
Há retratos queimando dentro dos sonhos,
Há promessas dormindo sob a poeira
Dos dias que jamais conseguiram voltar.
Eu sigo habitando ruínas invisíveis,
Onde a esperança deixou seus vestígios;
A saudade senta-se ao meu lado em silêncio
Como velha amiga das horas vazias.
Pois amar também é aprender ausências,
É carregar velas acesas no escuro
Para iluminar aquilo que perdemos.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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