segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

O desejo que me habita

 Há um desejo que me habita 
Como quem aprende a morar no impossível. 
Ele sabe o seu nome, 
Reconhece o som do seu silêncio, 
Mas não ousa pedir abrigo. 
 
Querer você é um gesto contido, 
Uma mão que para no ar 
Antes de tocar. 
Não por falta de coragem, 
Mas por excesso de consciência. 
 
O medo não é de amar, 
É de saber que amar, aqui, 
Significa permanecer à margem, 
Olhando a vida passar 
Com o coração atravessado. 
 
Eu te desejo como se deseja o horizonte: 
Sabendo que existe, 
Sentindo que chama, 
Mas aceitando que caminhar até ele 
É nunca alcançá-lo. 
 
E mesmo assim, 
Há algo belo nessa renúncia: 
O amor que não se cumpre 
Aprende a existir inteiro 
Dentro do que sente, 
Não do que possui. 
 
Imagino que seja isso: 
Estar com você no pensamento 
É o máximo de proximidade 
Que a realidade me permite 
Sem me partir por completo. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

Nenhum comentário:

Postar um comentário