quarta-feira, 26 de outubro de 2011

TEREZA DE BENGUELA - A RAINHA NEGRA DO PANTANAL


I
Viva a nação brasileira
A nação de todas as raças
Clima e frutos tropicais
E mulheres cheias de graça
O melhor futebol do mundo
E também a melhor cachaça

II
Mas não podemos esquecer
Que tivemos um passado escuro
De tirania e exploração
Maldade e castigo puro
Um povo que aqui sofria
Mas acreditava no futuro

III
Gente triste humilhada
Que teve uma sorte maldita
Foram tantos absurdos
Muita gente não acredita
Mas vou lhe contar uma história
Pode crer que ela é bonita

IV
A história que vou contar
É uma homenagem singela
A uma negra distinta
Foi Tereza de Benguela
Sua saga se passou
Na cidade de Vila Bela

V
De classe média alta
Tereza não era pobre
Veio da África para o Brasil
Seduzida por um nobre
Muitos fatos vergonhosos
A gente não oculta nem cobre

VI
Tereza não sabia
Que estava sendo traída
Que pelo colonizador
Como escrava foi trazida
Trabalharia pra sempre
Só em troca de comida

VII
Tereza desembarcou
Na cidadedo Rio de Janeiro
Não sabia que em liberdade
Aquele dia era o derradeiro
E que de escravidão
O dia seguinte era o primeiro

VIII
A jovem então conheceu
Um rapaz de muita virtude
Foi aí que se apaixonou
Pela beleza da negritude
Fugiram para um quilombo
Pois ele era de atitude

IX
O seu nome era Zé Piolho
Um negão de gênio forte
O casal veio como escravo
Para Mato Grosso, região norte
Formaram o Quilombo do Quariterê
Onde Zé Piolho conheceu a morte

X
Ficou sozinha então
A jovem e linda Tereza
Que de escrava humilhada
Passou a ser a realeza
O quilombo comandava
Sem jamais mostrar fraqueza

XI
No Quilombo Quariterê
Tereza criou um parlamento
Caçavam, pescavam, plantavam
De trabalho produziam os instrumentos
Pois aproveitavam o ferro
Que os brancos usavam como armamento

XII
Mais de noventa pessoas
Vivia nessa comunidade
Viveram durante bom tempo
Bem longe da maldade
O sonho de liberdade
Transformou-se em realidade

XIII
Quariterê ou Quilombo do Piolho
Sobreviveu acima de trinta anos
Mas infelizmente Tereza
Teve interrompido seus planos
O quilombo foi invadido
Foi aí que se deram os danos

XIV
A maioria dos negros
Bruscamente foram capturados
Muitos deles foram mortos
De tanto serem torturados
E os que sobreviveram
Voltaram a ser escravizados

XV
E como ficou Tereza?!
A Rainha Negra do Pantanal?!
Que mesmo sendo negra
Foi rainha no período colonial
Isso por si só prova
O quanto era especial

XVI
Vendo oprimido seu povo
Banhado em sangue, chacina
Tereza não agüentou
O desfecho ninguém imagina
De desgosto, tristeza profunda
Enlouqueceu-se nossa heroína

XVII
O povo mato-grossense
Guardará sempre na memória
Dessa mulher guerreira
Sua triste trajetória
Preferiu antes morrer
Que ver dos tiranos a vitória

XVIII
É uma história intrigante
Retratada em museu
Fala do sofrimento dos negros
Sob o domínio do europeu
Tereza não aceitou essa sorte
Resistiu e então morreu

XIX
Mesmo após muitos anos
Vila Bela ainda guarda o luto
Tereza de Benguela
Virou nome de instituto
É o mínimo que merecia
Receber como tributo

XX
Tereza ganhou fama
Mesmo nunca sendo artista
Pois da história conturbada
De um país escravista
Tereza passou a ser
A maior protagonista

XXI
Tereza de Benguela
Foi até tema de Carnaval
No ano de noventa e quatro
Uma data especial
O samba enredo da Viradouro
Foi a Rainha Negra do Pantanal

XXII
Em Vila Bela todos reconhecem
Que Tereza foi heroína
Todos ficam comovidos
Ao falar de sua sina
Da igreja que os negros construíram
Hoje só restam as ruínas.

Autora: Darci Alves de Souza Moura, professora de Língua Portuguesa e Literatura na Escola Estadual Boa Esperança em Curvelândia/MT.

2 comentários:

  1. Cara Muito lindo o poema... EStou fazendo um trabalho sobre os excravos, e vou recitar ele na faculdade.

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