Como quem leva o copo à boca sem medir o excesso.
Palavras quentes, espumantes,
Ditas antes que o medo as filtre,
Antes que a razão coloque grades na língua.
Na euforia, as palavras não pedem licença.
Elas pulam da boca como faíscas,
Confessam amores que o silêncio escondia,
Prometem mundos que talvez não existam,
Mas que, por um instante, parecem possíveis.
Quero bebê-las porque são sinceras no descontrole.
Têm gosto de verdade provisória,
De coragem emprestada,
De gente que se esqueceu de se proteger
E, por isso, se mostrou inteira.
Depois vem a ressaca do não dito,
O arrependimento que tenta engarrafar o passado.
Mas eu aceito o risco:
Prefiro a embriaguez do que foi dito demais
À sede eterna do que nunca se ousou dizer.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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