Não faço nada além de te observar.
Não por ausência de coragem,
Mas porque há amores que pedem silêncio
Como quem pede fôlego antes do mergulho.
Eu te olho maravilhado,
Como quem encara algo belo demais para tocar,
Com medo de que o simples gesto de alcançar
Quebre o encanto que ainda respira intacto.
O amor, nesses instantes, não é posse,
É contemplação.
É aceitar que sentir já é um risco suficiente,
E que amar também pode ser ficar à margem,
Tremendo de alegria e receio ao mesmo tempo.
Há medo porque há valor.
Não temo te perder por fraqueza,
Temo te perder por excesso de presença,
Por não saber a medida exata
Entre o desejo de estar
E o respeito pelo mistério que você é.
Então eu fico.
E olho.
E amo em silêncio.
Com o coração aberto demais
Para fingir indiferença
E cauteloso demais
Para chamar isso de coragem.
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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