quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

O coração hesitou

 Quem foi que perdeu a direção? 
Não foi por falta de mapas, 
Foi por excesso de medo. 
Havia caminhos, havia sinais, 
Mas o coração hesitou 
Como quem pisa na beira do abismo 
E chama isso de prudência. 
 
Ficou no impasse 
Porque amar exige decisão, 
E decidir dói mais do que esperar. 
Quis amar, 
E isso já era um gesto quase inteiro, 
Mas não amou 
Porque amar não aceita ensaio, 
Nem admite meia-coragem. 
 
Perder o norte, às vezes, 
É ouvir demais o ruído do mundo 
E de menos o sussurro interno. 
É confundir cautela com verdade, 
E silêncio com maturidade. 
 
Não foi o amor que faltou, 
Foi o passo seguinte. 
E quem não atravessa, 
Passa a vida inteira 
Chamando margem de destino. 
 
Poema: Odair José, Poeta Cacerense

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